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A volta do brise-soleil

A maior utilização dos brises vai depender da criatividade do arquiteto em propor e utilizar o elemento como repertório arquitetônico

Redação AECweb / e-Construmarket

O brise-soleil é uma excelente solução e, em função das exigências da sustentabilidade, os estudos para sua maior utilização estão sendo retomados. As próprias certificações exigem que os edifícios tenham um desempenho melhor no controle da incidência de luz solar, com isso, os brises têm voltado às pranchetas. “Instalados do lado externo da fachada do edifício, eles evitam que a radiação solar atinja o vidro e penetre no ambiente”, afirma a arquiteta Cláudia Naves David Amorim, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB).

Vantagens

As opções de materiais, segundo a professora, são infinitas, sendo que a única premissa é que sejam resistentes às intempéries. “Até madeira, se for o caso. Vai depender muito do que a indústria oferece”, ilustra e continua: “Como existem inúmeras possibilidades, a disseminação dessa solução vai depender da criatividade do arquiteto em propor e utilizar o brise-soleil como repertório arquitetônico, embora eu observe que há algum preconceito”, afirma.

O brise é uma opção que, preferencialmente, deve ser desenhada pelo arquiteto, porque nem sempre será possível encaixar um produto pronto na posição desejada, que responda a determinada orientação solar. “É necessário que o arquiteto detalhe isso, que ele mesmo construa uma ideia, em vez de especificar um produto industrializado, apesar de que uma maior oferta de produtos é sempre bem-vinda”, defende.

Ela comenta que os brises enfrentam a resistência dos incorporadores, para quem sua utilização pode encarecer a obra por aumentar a complexidade da fachada. “O setor da Construção Civil está acostumado a pensar no custo do empreendimento e não no preço que o usuário vai pagar pela operação do edifício ao longo de sua vida útil de, no mínimo 50 anos, o que inclui o consumo de energia. Portanto, é preciso adotar soluções que colaborem com a eficiência energética”, opina.

Desvantagens

Por ser um elemento externo, o brise-soleil precisa oferecer mobilidade para ser regulado do interior do ambiente. Em Brasília, por exemplo, a maioria dos brises móveis datam da década de 60. “Nem sempre o usuário consegue manusear. Isso sem contar que seus mecanismos estragam rapidamente. As lâminas acumulam sujeira e são de difícil manutenção. Precisamos buscar alternativas para a proteção envidraçada das aberturas de forma inteligente e criativa”, afirma, comentando que, na Europa, há produtos automatizados que podem ser regulados e até incorporados na automação do edifício. “Há um modelo mais sofisticado que se movimenta de acordo com a posição do sol ao longo do ano. Nossa indústria precisa investir nisso”, diz. Outro aspecto desfavorável é que, ao mesmo tempo em que os brises ajudam a distribuir melhor a luz, não oferecem conforto térmico.

Para ela, o bom tratamento de fachada não pode superdimensionar o papel do brise – elemento que deve aliar proteção solar onde é necessário, oferecer boa distribuição de luz natural e proporcionar visibilidade externa aos ocupantes. “A vista externa é fundamental, pois ninguém gosta de ficar em um ambiente sem ver o lado de fora. Em todo desenho de fachada é possível ter luz natural sem o calor do sol invadindo o ambiente, ter visão da abóbada celeste, sem excesso de calor. O usuário precisa ver o céu, porque ele traz benefício psicológico, bem-estar e saúde”, pontua.

Vidros

Na contramão das soluções que barram o calor do lado de fora da edificação, cresce o uso do vidro nas fachadas. “A tendência atual da arquitetura, boa ou não – eu pessoalmente acho muito ruim – são as fachadas envidraçadas. Até por uma facilidade de construção, pois com o vidro a obra é muito rápida”, diz a professora. No caso de reformas de edifícios antigos fica muito mais fácil remover o que estava aplicado e substituir por um sistema de vidro. Segundo ela, a maioria das construções que passa por reformas está recebendo fachadas envidraçadas e até os brises antigos estão sendo retirados. “Colocar pele de vidro é muito rápido. O material é leve, embora às vezes seja mais caro, principalmente, se oferecer proteção solar térmica”.

Diante dessa tendência, inclusive admitida pelo setor técnico da Alemanha, Claudia Naves defende o desenvolvimento de soluções mais eficientes para fachada, que consigam controlar e redirecionar a luz solar. Entre elas, está a prateleira de luz que faz com que, ao invés de bater no chão ou na mesa de trabalho, a luz suba em direção ao teto. “Uma ideia interessante é usar a própria prateleira de luz como brise externo”, opina.

TendÊncias

Há um grande mito da arquitetura brasileira de que para ter iluminação natural é preciso de vidro do chão ao teto. “Isso é uma falácia, não é necessário. O arquiteto precisa buscar soluções mais inteligentes, afinal nenhum vidro responde a todas as exigências da boa arquitetura”, comenta. Segundo Cláudia deve-se usar o vidro onde for necessário e na quantidade certa. “Essa postura de usar vidro de maneira indiscriminada não compensa, não é real e só tem causado problemas”, diz.

A professora comenta que, na Europa, os projetos são desenvolvidos com mais de um tipo de vidro e diferentes composições de fachadas. Usam o vidro transparente na altura de visão do usuário, acima disso colocam outro que reflete a luz para o teto e ainda têm sistema de proteção solar móvel. Na faixa de um metro de altura para baixo utilizam peitoril opaco, porque, explica, a contribuição da luz natural neste espaço é pequena.

No Brasil, as telas para fachadas, cumprindo o papel de brises, estão sendo muito usadas. São de PVC, de plástico, lona, e material importado, mas nem sempre resolvem completamente o problema. Essas telas, explica, têm uma trama cuja proteção depende de sua densidade. Se for fechada, protege mais, se menos densa deixa entrar mais sol, algumas inclusive permitem a ventilação. “Tenho visto casos bem recentes de edifícios novos com a fachada toda de vidro protegida por essa segunda pele, mas não tem dado certo, porque é deficiente sob o aspecto térmico, aquecendo o ambiente”, afirma.


COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA

Claudia Naves David Amorim – Possui graduação e mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília (UnB) e doutorado em Tecnologias Energéticas e Ambientais na Università degli Studi di Roma;La Sapienza; (2001), com tese desenvolvida no Politecnico di Milano e ZAE Bayern (Alemanha). Professora Adjunta da UnB, coordenadora do Laboratório de Controle Ambiental e Eficiência Energética (LACAM) e Vice-Diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Coordenadora da Divisão 3 do CIE-Brasil (Comission Internationale del`Eclairage). Pesquisadora e consultora adHoc do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), parecerista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), integrante da Secretaria Técnica do Procel/Edifica, participando da elaboração do Regulamento para Eficiência Energética de Edifícios. Coordenadora do grupo de pesquisa Qualidade Ambiental e Iluminação Natural no Espaço Construído, tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em sustentabilidade e qualidade ambiental, atuando principalmente nos seguintes temas: Iluminação natural, conforto ambiental, eficiência energética, projeto de arquitetura, reabilitação de edifícios e simulação computacional.

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