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Climatização do metrô demanda projeto complexo

Para proporcionar conforto aos usuários é preciso considerar a ventilação principal, auxiliar e o ar-condicionado das salas técnicas, operacionais e subestações, regidos por normas brasileiras e internacionais

Por Tatiana Arcolini e Paula Barradas

Climatização metrô

Climatizar uma área pública, como as estações do metrô, requer um complexo sistema de ventilação. “Feito por uma equipe multidisciplinar, deve levar em conta todos os detalhes da obra de maneira bastante criteriosa a fim de garantir segurança contra fogo e conforto aos usuários”, explica Beatriz Corrêa, da JBMC Arquitetura e Urbanismo.

Em estações não subterrâneas, a prioridade é fazer uso de ventilação natural que, além de evitar impactos ambientais, gera economia de energia. No entanto, quando esse modelo não é suficiente, entram em cena engenheiros mecânicos especializados em ventilação artificial para que a climatização atinja seu ápice e satisfaça às necessidades do local, oferecendo conforto aos passageiros.

Por outro lado, a ventilação artificial, também chamada de mecânica, é a primeira opção em estações enterradas, já que possui grandes ventiladores de insuflação e exaustão que trocam o ar interno pelo externo. Esse tipo de ventilação requer espaços significativos (tanto dentro quanto fora da estação) e o uso de atenuadores de ruídos, para evitar problemas ambientais na superfície. “Além disso, são necessários criteriosos sistemas de limpeza e manutenção para prevenir doenças transmitidas pelo ar”, finaliza Beatriz Corrêa.

O que considerar na obra

Feito por uma equipe multidisciplinar, o projeto deve levar em conta todos os detalhes da obra de maneira bastante criteriosa a fim de garantir segurança contra fogo e conforto aos usuários

O projeto precisa levar em conta a ventilação principal (que inclui a estação em si, os níveis de acesso, o mezanino, a plataforma, o canal e o porão de cabos), a ventilação auxiliar e o ar-condicionado das salas técnicas, operacionais e subestações, todos regidos por normas técnicas brasileiras e internacionais.

Quando o projeto de implantação acontece em uma estação subterrânea, ele implica na execução de obras específicas para comportar a instalação de equipamentos, como os dutos e os sistemas de condução e distribuição de ar, além das descargas e tomadas de ar, estas já na superfície. No caso de estações elevadas ou em nível, a ventilação forçada não é necessária ou é reduzida, minimizando sobremaneira as obras para instalação.

“Atrelada a esses tópicos, também há a necessidade de um projeto de sistema de proteção e combate a incêndio junto ao estudo de rotas de fuga, a fim de promover um ambiente seguro para casos de emergência, juntamente com o dimensionamento do tempo e da vazão da rota de fuga das pessoas para um local estudado e considerado seguro”, finaliza Fernando Ferrari Filho, engenheiro da Promon Engenharia.

 

As normas

Segundo Julio Cesar de Barros Cunha, gerente de projetos da Promon Engenharia, as regulamentações são:

Norma técnica brasileira (para estabelecimento do grau de filtragem no sistema de insuflação e controle de qualidade do ar)

  • NBR 16401: instalações de ar-condicionado, sistemas centrais e unitários

Normas internacionais (para exaustão da fumaça em casos de incêndio)

  • ASHRAE – American Society for Heating, Refrigerating and Air Conditioning Engineers
  • NFPA – National Fire Protection Association

 

Nova tecnologia

Também é necessário um projeto de sistema de proteção e combate a incêndio junto ao estudo de rotas de fuga, a fim de promover um ambiente seguro para casos de emergência, juntamente com o dimensionamento do tempo e da vazão da rota de fuga das pessoas para um local estudado e considerado seguro

No metrô de São Paulo, a linha 6 (Laranja) está sendo feita com base em um projeto diferenciado: em vez de ventilar as estações, a ideia foi climatizá-las. “Para instalar tal sistema, foram necessárias algumas mudanças no próprio projeto do metrô, como a implantação de sistemas de portas de plataforma (sistema PSD) em todas as estações, reforma de trens e utilização de sistemas evaporativos para o resfriamento do ar em pontos de acúmulo de usuários em determinadas estações”, relata Milton Coimbra, engenheiro da Tekhnites, responsável pelo projeto.

O profissional ainda explica que o maior empecilho para a instalação de sistema de condicionamento de ar em instalações subterrâneas do metrô era a necessidade de isolar o túnel das áreas de plataformas das estações. Tal restrição deixou de ser um fator decisivo a partir da decisão de implantar sistemas de portas de plataformas em todas as estações. “Para isso, basta prever o fechamento total entre o túnel e as plataformas nos futuros projetos das estações.”

O sistema de climatização de cada estação é composto por um chiller central de água gelada – preferencialmente com condensação a ar (dispensando torre de resfriamento) – com capacidade média estimada em 300 TR (toneladas de refrigeração). “Este sistema permite o efetivo controle da temperatura nas dependências da estação, proporcionando excelentes condições de conforto térmico aos usuários”, completa Milton, que finaliza lembrando sobre a importância do modelo em casos de incêndio nas dependências do metrô: “A separação entre os ambientes dos túneis e das estações vai de encontro à melhoria das condições de segurança dos usuários, pois a divisória dificulta (ou pelo menos retarda) a passagem de fumaça de um ambiente para o outro, oferecendo mais tempo para a evacuação do local incendiado.”

Vantagens e desvantagens da climatização do ar nas estações

Vantagens

  • Controle efetivo da temperatura-ambiente das estações;
  • Melhor controle da qualidade do ar;
  • Melhor condição de conforto do usuário na sua saída do trem climatizado para o ambiente da plataforma também climatizada;
  • Na eventual ocorrência de incêndio no interior do túnel, é possível controlar a passagem de fumaça de um ambiente para outro.

Desvantagens

  • Custo de operação mais elevado devido às cargas elétricas adicionais necessárias ao sistema de climatização;
  • Maior custo mensal de manutenção, estimado em sete mil reais por estação;
  • Necessidade de fechamento completo dos vãos entre a via permanente e as plataformas das estações;
  • Necessidade de área livre na superfície para instalação da torre de resfriamento ou chiller de condensação a ar.

Colaboraram para esta matéria

Beatriz Corrêa – JBMC Arquitetura e Urbanismo
 
Julio Cesar de Barros Cunha – Gerente de projetos da Promon Engenharia
Fernando Ferrari Filho – Engenheiro da Promon Engenharia
 
Milton Coimbra – Engenheiro da Tekhnites
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