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Escolas verdes

Prédios das redes de ensino público de São Paulo aproveitam recursos de iluminação natural e conforto acústico, e conquistam certificação AQUA.



Redação AECweb

Escolas verdes

Importante filão de obras, os prédios públicos passam a flertar com as certificações de impacto ambiental e, no caso de São Paulo, vão além quando duas novas escolas públicas conquistam a certificação AQUA. A iniciativa da FDE - Fundação para o Desenvolvimento da Educação -, responsável pela rede física escolar da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, envolve as escolas estaduais Bairro Luz, no centro da capital, e a Vila Brasilândia, na zona norte, que vão receber soluções sustentáveis idênticas. A primeira, com quase 4,5 mil m², foi projetada pelas arquitetas Keila Costa e Helena Ayoub Silva. A unidade da Brasilândia, um pouco menor com 2,7 mil m², esteve a cargo das arquitetas Maria do Carmo Vilariño e Anna Helena Villela. A busca da certificação foi orientada pela Inovatech Engenharia, consultoria líder para certificação AQUA.

Para a engenheira Selene Augusta de Souza Barreiros, Gerente de Orçamentos e Especificações da FDE, participar do processo de certificação AQUA tem sido muito estimulante. “Relacionar conhecimentos e interesses com pessoas de alto nível, em prol de uma causa comum e universal, é uma oportunidade única. Saber que tudo isto irá para a escola e será disseminado entre as crianças é gratificante”, afirma ela, que prossegue: “O fato de estarem dentro de uma escola sustentável de verdade, certamente contribuirá para que os alunos e professores percebam a importância da preservação do meio ambiente e levem para casa os conceitos de sustentabilidade”.

As duas escolas da FDE, já em obras, estão certificadas nas fases de Programa e de Concepção. Dessa forma, já estão planejados todos os recursos sustentáveis que serão utilizados na construção das escolas. “O selo AQUA abrange as fases de programa, concepção e realização. Na etapa de programa, o empreendedor define o que será feito e sua estratégia quanto à sustentabilidade. Na concepção, projetos executivos justificam como o empreendimento alcançará essa condição, através do Perfil de Qualidade Ambiental, que abrange as 14 categorias hierarquizadas do processo, em níveis que pode ser Bom, Superior ou Excelente”, explica Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech e consultor da FDE.

Segundo ele, essas categorias são divididas em quatro grandes pilares: Eco Construção, que é a sustentabilidade na fase de obras, a relação do edifício com o seu entorno, a escolha de materiais e sistemas construtivos sustentáveis, além do canteiro de baixo impacto ambiental; Eco Gestão, que define como o empreendimento vai se relacionar com o meio ambiente durante sua operação, envolvendo a gestão da água, da energia, dos resíduos de uso e operação, e manutenção; Conforto, abrangendo os requisitos de conforto térmico e acústico, visual e olfativo; Saúde, relativa à qualidade sanitária da água, do ar e dos espaços. Para atingir a certificação AQUA, 50% das categorias têm que estar acima da legislação.

RECURSOS

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A iluminação natural foi priorizada pelos projetos das duas escolas, sem prejudicar o conforto visual dos alunos. De acordo com o diretor da Inovatech, estão previstas grandes janelas, porém protegidas por brises de telas metálicas, verticais, afastadas da fachada. O brise tem a função de sombreamento das fachadas, assegurando conforto térmico. Além disso, a abertura da malha do brise foi calculada de forma a permitir um fator de luz diurna adequado. “Uma vez que a escola não terá sistema de ar condicionado, a estratégia foi trabalhar a envoltória”, reforça. No caso da cobertura, a eficiência térmica foi encontrada com o uso de telha metálica do tipo sanduíche, com poliuretano interno.

Além da atenção com o mínimo consumo de energia, Ferreira destaca as providencias de conforto acústico, necessário ao ambiente escolar. “A quadra



esportiva foi instalada no último pavimento, com salas de aula ao lado e no pavimento imediatamente sob ela. Será feito todo um tratamento acústico das salas próximas e da cobertura”, diz, lembrando que o consultor José Cremonesi assina o projeto de acústica.

O elevado índice de vandalismo, comum nas escolas públicas, levou a FDE a priorizar recursos de projeto e de sistemas que assegurem baixo custo operacional. Assim, foi dispensada a instalação de interruptores de luz de iluminação das salas, centralizando a operação no quadro geral da escola. Isto evita danos freqüentes por mal uso e diminui a flexibilidade de circuitos dentro das salas de aula. “Com essa série de medidas foi possível conciliar uma boa eficiência energética, sem descaracterizar a finalidade do edifício e a realidade na qual está inserido - abordagem que considero muito interessante por parte da FDE e do próprio AQUA”, comenta. Está previsto o uso de lâmpadas econômicas e o sistema de painéis termo-solares para aquecimento da água dos vestiários, e um ponto de água quente na cozinha.

As duas escolas adotarão sistema de tratamento de água pluvial para aproveitamento nas bacias sanitárias. “Por uma questão de segurança dos alunos, a água de chuva tratada não será utilizada na irrigação de jardins ou lavagem de piso externo. Esse uso exigiria torneiras ao alcance dos jovens e crianças, sem a garantia de que não a utilizariam como água potável”, explica. Os metais utilizados são do tipo economizadores.

“São canteiros planejados, de baixo impacto ambiental de modo geral e, em especial quanto ao entorno. Está previsto o uso mínimo de madeira e procedimentos de gestão de resíduos. O canteiro sustentável das escolas envolve uma combinação de vários fatores, e não apenas o uso de lava rodas”, afirma Ferreira.

Redação AECweb



COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA

Escolas verdes Luiz Henrique Ferreira é engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da USP. Possui pós graduação pela Babson College de Boston. Atua como diretor da Inovatech Engenharia e é um dos co-autores do Referencial Aqua no Brasil. É professor convidado da POLI/USP na área de sustentabilidade.
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