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Mobiliário ecológico se espalha pelas ruas de SP

Parceria entre a prefeitura de São Paulo e o designer Hugo França cria programa de reutilização de árvores caídas na produção de mobiliário público

Redação AECweb / e-Construmarket

Os centros urbanos de todo o mundo sofrem com problemas causados pela queda de árvores. Além de vias interditadas e risco à segurança de pedestres e motoristas, há a preocupação do que fazer com os resíduos recolhidos após cada incidente.

Uma parceria firmada entre o Atelier Hugo França e a Prefeitura de São Paulo pretende resolver a questão de destinação do material lenhoso resultante de árvores que caíram ou foram removidas na capital paulista, reaproveitando 100% dessa madeira na criação de mobiliário ecológico. “As peças são pensadas de forma escultórica e adaptadas para funcionalidade pública”, afirma o designer Hugo França, idealizador do projeto. “O resíduo gerado na produção dos itens também pode ser reaproveitado para criação de peças menores e a serragem vira adubo”, completa.

Quando esses resíduos são queimados ou se decompõem naturalmente, ocorre a liberação de todo o dióxido de carbono na atmosfera. É possível aprisionar o CO2 mantendo a madeira intacta
Hugo França

A ação colabora ainda com a melhoria da qualidade do ar na metrópole, já que 50% do material lenhoso é composto pelo CO2 que a árvore absorveu e acumulou durante toda a sua vida. “Quando esses resíduos são queimados ou se decompõem naturalmente, ocorre a liberação de todo o dióxido de carbono na atmosfera. É possível aprisionar o CO2 mantendo a madeira intacta”, explica o profissional, que em fevereiro participou da entrega, no Largo da Batata, em Pinheiros, da primeira peça do programa municipal Mobiliário Ecológico que prevê a instalação de outros 32 bancos. “Neste momento, estamos articulando patrocínio da iniciativa privada para cobrir os custos de produção das novas peças”, diz. O projeto é coordenado pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente e conta com o apoio das Secretarias de Desenvolvimento Urbano e de Coordenação de Subprefeituras.

Apesar de a parceria com o poder público ser recente, Hugo França trabalha no aproveitamento de árvores caídas desde 2010, em conjunto com a administração do Parque Ibirapuera. Ali, reutiliza os resíduos lenhosos provenientes da mais conhecida área verde de São Paulo para criação de mobiliário à disposição dos usuários do parque. “O processo que desenvolvemos incorpora ao máximo as referências da árvore, suas formas orgânicas e textura, esculpindo as peças através de metodologia bastante simples, utilizando motosserra. Classifico o resultado final como escultura mobiliária”, comenta. Já são 20 as peças alocadas no Parque Ibirapuera, mas outras obras de França podem ser encontradas em outros pontos da capital paulista: três no Parque Burle Marx, duas no Largo do Arouche, além da nova instalada no Largo da Batata.

Queremos fazer todos pensarem sobre a questão dos recursos naturais. O projeto visa desenvolver a educação ambiental
Hugo França

ESCULTURAS LÚDICAS

O profissional comenta que nem todas as peças são bancos: no Ibirapuera há algumas esculturas lúdicas, que procuram criar relações de interação com os visitantes. “Foi pensada como escultura, mas pode ser usada, por exemplo, como brinquedo”, diz. O processo de criação das peças foi idealizado para fazer as pessoas refletirem, afinal, um dos símbolos do desmatamento – a motosserra –, é a principal ferramenta utilizada para esculpir o mobiliário. “Queremos fazer todos pensarem sobre a questão dos recursos naturais. O projeto visa desenvolver a educação ambiental”, esclarece. Outra premissa do trabalho é tentar manter, quando possível, as peças na região onde a árvore viveu, preservando sua memória.

PROCESSO DE PRODUÇÃO

“A princípio, qualquer espécie pode ser aproveitada nesse trabalho. Após ser coletado, o resíduo deve passar por triagem, descartando apenas a madeira que está em nível avançado de decomposição”, detalha França, lembrando que mesmo o material que está com partes apodrecendo pode ser usado para elaboração de peças, sendo necessário somente retirar os pedaços que estiverem se decompondo. “Para ser reaproveitado, o material lenhoso não pode estar em decomposição e nem muito consumido pelos cupins. É possível utilizar em torno de 70% da madeira das árvores retiradas”, avalia.


O processo que desenvolvemos incorpora ao máximo as referências da árvore, suas formas orgânicas e textura, esculpindo as peças através de metodologia bastante simples, utilizando motosserra. Classifico o resultado final como escultura mobiliária
Hugo França

Depois de pronta, tratamento à base de verniz é empregado para isolar a madeira da diferença de umidade. “Depois de um ano ou dois, é preciso realizar manutenção com nova aplicação de verniz”, ressalta o designer, contando que é possível utilizar partes de várias árvores para criação de peças com tamanhos maiores. O programa elaborado por França visa ainda formar mão de obra especializada para atuar na criação de mobiliário, a partir do aproveitamento desse material lenhoso e também realizar a manutenção.

A iniciativa que surgiu em São Paulo pode ser solução para diferentes cidades ao redor do planeta. “O resíduo lenhoso urbano é desperdiçado no mundo inteiro. Queremos levar essa solução para outras cidades e já há iniciativas nesse sentido, como os três bancos que instalamos na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. No ano passado, produzimos 12 peças na Bienal de Arte Pública de Vancouver e, recentemente, fomos convidados por um grupo que tenta viabilizar o processo na cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, onde estive para ministrar workshop que produziu sete peças. Há, ainda, um projeto em curso em Nova York”, finaliza França.

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Hugo França – A carreira do designer gaúcho teve início nos anos 90, durante período que morou em Trancoso, sul da Bahia, onde percebeu o grande desperdício na extração e uso da madeira. A trajetória profissional foi incentivada pela próxima convivência com as comunidades locais e pela observação dos índios pataxós no processo de criação de seus artefatos. Sua primeira peça foi uma pia de baraúna esculpida a partir de um tronco, que veio pra São Paulo, virou objeto de desejo e, posteriormente – dada sua relevância –, impulsionou o reconhecimento de seu trabalho. Desde então, suas peças vêm causando impacto onde aparecem, levando suntuosidade e surpresa para os mais diversos ambientes. Além de estarem presentes em coleções particulares pelos quatro cantos do mundo, suas esculturas mobiliárias costumam ser arrematadas em grandes leilões e estão expostas em acervos permanentes de museus como o da Casa Brasileira, em São Paulo, o Centro Cultural Correios e o Museu do Açude, no Rio de Janeiro e Inhotim, e Instituto Cultural, em Minas Gerais.
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