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Paisagismo vai além da vegetação

Projetos se compõem de piso, parede e teto, e também de plantas

Redação AECweb / e-Construmarket

O bom projeto de paisagismo se define como a construção do espaço externo dos empreendimentos, desde o corporativo ao residencial, passando por áreas públicas e institucionais. É preciso que seja bonito, mas também que responda ao programa e seja adequado ao uso.

“Os elementos construtivos de um jardim se assemelham ao das construções, ou seja, piso, parede e teto. Contempla a iluminação, revestimentos de piso, espelhos d’água, pergolados, portaria e garagem, itens de acessibilidade universal e, até mesmo, calçada pública, além da vegetação”, afirma o arquiteto Luiz Portugal Albuquerque, do escritório Portugal Arquitetura e Paisagismo.

É preciso, ainda, que o paisagismo ‘converse’ com a arquitetura da edificação de forma harmoniosa. “Não se pode jamais criar um jardim apenas gramado para um edifício comercial”, exemplifica.

Para Luiz Portugal o condomínio empresarial pede soluções de paisagismo que destaquem a arquitetura do edifício para quem o compra ou aluga, em geral, focadas em aspectos ambientais. Já o residencial vai abranger equipamentos de esporte e lazer e demais áreas de convivência para os moradores. “É reducionismo acreditar que o projeto de paisagismo vai definir apenas as árvores e plantas. Há projetos em que temos dez pranchas de elementos construídos e uma ou duas de plantio”, comenta Portugal.

Nos edifícios candidatos às certificações de impacto ambiental e nos demais que desejam simplesmente o respeito ao ecossistema, a tendência atual é adotar a drenagem naturalística. “São sistemas de detenção e retenção das águas pluviais, feitas através de mecanismos que elevam o tempo de infiltração no próprio terreno. É o caso do teto verde, que segura a água no alto do edifício, evitando seu descarte na rede pública e colaborando para mitigar as enchentes. Já as caixas de retardo – exigência da prefeitura de São Paulo – têm a mesma função, mas ficam incorporadas ao jardim”, explica. São empregadas, ainda, as lagoas biovaletas: depressões lineares preenchidas com vegetação, solo e demais elementos filtrantes que processam uma limpeza da água da chuva, ao mesmo tempo em que aumentam seu tempo de escoamento.

VegetaÇÃo

Procedimento recorrente em empreendimentos sustentáveis, a adoção de vegetação que exige pouca ou nenhuma irrigação é, segundo o arquiteto, questão dúbia num país tropical. Ele explica: “Aqui chove muito, o que funciona para uma grande variedade de plantas que exige bastante água, dispensando irrigação. O que não faz sentido é usar cacto no jardim para economizar com a rega”. Nos projetos que realiza para empreendimentos corporativos candidatos a selos ‘verdes’, Luiz Portugal recomenda irrigar bastante apenas no período imediato à plantação da grama e vegetação. “O sistema de drenagem naturalística permite reter a água pluvial, que vai passando aos poucos pelo jardim. Este recurso conta pontos nas certificações”, diz, acrescentando que, no entanto, é preciso adequar essas novas técnicas sustentáveis ao projeto, que deve ter qualidade estética.

A escolha da vegetação pelo paisagista leva em conta, ainda, o equilíbrio ambiental da região em que será inserido. “As plantas nativas estão adaptadas, vivem bem no regime de chuva ou de frio, e alimentam os pássaros. É uma contribuição, mas entendo que não devemos evitar as chamadas plantas exóticas, como o café (Arábia) e a batata (Peru). Me permito criar um jardim híbrido com espécies brasileiras, típicas do mesmo clima em que se localiza o projeto, e outras de fora", diz.

Há uma vertente de paisagistas que sequer aceita o uso de plantas da Amazônia em outras regiões do país. Luiz Portugal, no entanto, considera interessante o estímulo para que essas espécies possam crescer em outros pontos do país, principalmente em parques, beira de estrada e, até mesmo, em jardins particulares. “Fizemos agora o projeto para o SESC Guarulhos que emprega somente planta nativa brasileira, enquanto o paisagismo do datacenter do Itaú deverá ter somente espécies do clima temperado, pois nosso cliente entende que as do sul ou do norte seriam invasoras. É um trabalho enriquecedor”, relata.

Para ele, a qualidade de um jardim construído está no porte, na altura, na sombra e na composição que a árvore faz. Se for nativa, ótimo. Mas isso não é determinante. A qualidade depende da espécie se encaixar, combinar com a construção do espaço.


COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA

Luiz Portugal Albuquerque – Arquiteto formado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1981), desde então trabalhando com projetos, planejamento e execução de jardins. Funcionário da KGB Arquitetura e Urbanismo SC Ltda de 1982 a 1983. Abertura do Escritório de Paisagismo Luiz Portugal Albuquerque SC Ltda em 1984. Sociedade com a arquiteta Maria Cecília Barbieri Gorski de 1985 a 1989. Sociedade com Annamaria Cavallari no Atelier de Paisagismo de 1990 a 1994. Associado à Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP) e tesoureiro nas gestões de 1987 e 1995. Arquiteto contratado como assessor da Diretoria de Obras e Serviços da Fundação para o Desenvolvimento da Educação - FDE - Secretaria Estadual de Educação de 1997 a 2001. Diretor Técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), 9a Superintendência Regional São Paulo de 2001 a 2003.

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