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Reordenação urbana regenera aspectos físico e socioeconômico de áreas degradadas

O processo pode ser motivado por políticas públicas ou ações privadas. Rio de Janeiro, com grandes projetos impulsionados pelas Olimpíadas, e Recife, com o Parque Linear do Capibaribe, são exemplos

Redação AECweb / e-Construmarket

Requalificacao urbanaB32: torre comercial e fachada circundam uma praça pública, totalmente aberta para a cidade

A requalificação urbana é um processo social e político que visa melhorar a qualidade do ambiente e de vida nas áreas da cidade que se degradaram, por exemplo, com a desindustrialização. “Mais do que uma intervenção meramente física, é também uma regeneração dos tecidos econômicos e sociais. Envolve a articulação e integração de resoluções ambientais e funcionais, de tal forma que traz para o lugar em questão uma nova identidade, atratividade e competitividade necessárias para a sua requalificação de forma sustentável”, define o arquiteto e urbanista Eiji Hayakawa, sócio-diretor do escritório Eiji Hayakawa Architects.

Segundo o profissional, o processo de requalificação necessariamente é acompanhado de políticas públicas. “Por mais que os investimentos possam ser oriundos do setor privado ou de uma parceria público-privada (PPP), as iniciativas e a regulação das regras para a requalificação urbana devem partir de políticas públicas”, afirma Hayakawa, complementando que o processo pode gerar certo grau de exclusão.

“Para se requalificar, há de se ordenar, pensar em nova identidade e injetar outra energia econômica na área. Nesse processo, há sempre os que se excluem ou serão excluídos. Mas, um bom projeto de requalificação urbana pode evitar esse apartheid social, por meio de políticas públicas que garantam um bom equilíbrio na coexistência de diferentes segmentos econômicos da sociedade. O bom planejamento, sobretudo, é fruto de um processo de discussão profunda e da construção de consensos com os diferentes agentes que atuam na vida daquele pedaço da cidade”, expõe.

INICIATIVA PRIVADA

Por mais que os investimentos possam ser oriundos do setor privado ou de uma parceria público-privada (PPP), as iniciativas e a regulação das regras para a requalificação urbana devem partir de políticas públicas
Eiji Hayakawa

A requalificação não está ligada somente à atuação do poder público. Edificações privadas também podem colaborar com o processo sem que exista um plano mais amplo para determinada região. Há exemplos iniciados que aconteceram a partir de ações de propriedades privadas. “Mesmo iniciativas isoladas e pontuais podem, em muitos casos, ter a força de engatilhar um processo de mudança urbana do seu entorno”, afirma o urbanista. Não há uma regra geral para determinar ações que colaboram ou não para a requalificação.

Os projetos de edifícios comerciais ou residenciais que abrem seu térreo como passagem entre duas ruas ou como praças disponíveis aos transeuntes ilustram bem isso. “O sucesso dessas gentilezas urbanas para requalificar determinada área da cidade depende muito do contexto físico, social e econômico onde são propostas, além da qualidade de como essas ideias são executadas e implementadas. Quando boas, mas mal implementadas, elas podem trazer mais danos que benefícios ao espaço público”, destaca.

CENÁRIO NACIONAL

No Brasil, algumas cidades têm avançado no conceito de requalificação, como o Rio de Janeiro que, em virtude da realização dos Jogos Olímpicos, é o centro urbano que mais investe em grandes projetos. “Outro exemplo é Recife, com o projeto do Parque Linear do Capibaribe, que pretende reinventar a relação da cidade com as suas águas”, avalia Hayakawa, que destaca ainda as iniciativas adotadas por São Paulo. “Uma delas é o Centro Aberto, onde microintervenções urbanas temporárias permitem às pessoas vivenciar mudanças imaginadas para longo prazo e participar da construção dos seus espaços urbanos. A cidade busca meios criativos e instantâneos de requalificar seus espaços públicos”, exemplifica.

Requalificação urbanaPraça do B32: verdadeiro espaço público democrático, de convívio e interação na Faria Lima

Outra ação que começa a ganhar força na capital paulista é a instalação de parklets, extensões temporárias de calçada que promovem o uso do espaço público de forma democrática. “Posicionados em lugares estratégicos pela cidade, eles também simbolizam e incitam uma discussão e conscientização maior sobre a necessidade da apropriação dos espaços públicos pelos pedestres, fator determinante para o sucesso do processo de uma requalificação urbana”, fala o urbanista.

REQUALIFICAÇÃO X INSEGURANÇA

Mesmo iniciativas isoladas e pontuais podem, em muitos casos, ter a força de engatilhar um processo de mudança urbana do seu entorno (...). Os projetos de edifícios comerciais ou residenciais que abrem seu térreo como passagem entre duas ruas ou como praças disponíveis aos transeuntes ilustram bem isso
Eiji Hayakawa

Apesar de avançar no quesito da requalificação, a insegurança das cidades brasileiras cria um ciclo vicioso que as tornam cada vez mais sitiadas e menos abertas. “A urbanização brasileira é dominada por empreendimentos imobiliários que se fecham, criando muros e pouca relação do interior com a rua. Ao se fecharem, nossos edifícios inibem a vida nas ruas, resultando em mais sensação de insegurança”, destaca Hayakawa.

Alternativa indicada pelo profissional para alterar esse cenário é o olhar da própria população sobre seus espaços públicos. “É a fachada ativa dos edifícios, é a vida na rua, é o controle exercido pelos habitantes. Quebrar esse círculo vicioso é papel importante da requalificação urbana; e não acreditar que, porque é inseguro, é impossível reordenar a cidade”, completa.

Já no exterior, o conceito de requalificação urbana é levado a sério, pois existe a clara consciência de que no mundo globalizado, o sucesso de um país está, em grande medida, relacionado ao desempenho de suas cidades. “Os centros urbanos bem-sucedidos de hoje são aqueles capazes de promover um reordenamento territorial, gerando qualidade de vida aos seus habitantes”, destaca o urbanista.

CASE B32

Atualmente, o escritório Eiji Hayakawa Architects participa do projeto denominado ‘B32’, no qual uma torre comercial e um teatro circundam uma praça pública do próprio empreendimento, localizado na avenida Faria Lima, em São Paulo. Trata-se de um empreendimento totalmente aberto para a cidade, onde a praça pretende ser um verdadeiro espaço público democrático, de convívio e interação na Faria Lima.

“Antes de começarmos a desenhar o teatro, entendemos que, por sua natureza volumosa e introspectiva, ele terminaria tendo fachadas cegas que o impediriam de se relacionar com a praça. Consequentemente, acabaria causando impacto negativo nos espaços públicos de todo o empreendimento”, afirma.

A melhor arma para a insegurança urbana é o olhar da própria população sobre seus espaços públicos. É a fachada ativa dos edifícios, é a vida na rua, é o controle exercido pelos habitantes. Quebrar esse círculo vicioso é papel importante da requalificação urbana; e não acreditar que, porque é inseguro, é impossível reordenar a cidade
Eiji Hayakawa

A solução encontrada foi elevar o teatro sobre pilotis, abrindo espaço para as pessoas circularem por debaixo dele, não apenas gerando uma continuação da praça, como criando nova área coberta integrada ao espaço ao ar livre. “Garantidas a transparência e a fluidez dos espaços públicos, as pessoas são convidadas e incentivadas a explorar todas as partes do empreendimento, gerando um ambiente dinâmico, com vida e segurança. Com a intenção de ativar mais ainda o uso do espaço, projetamos o fundo do palco do teatro voltado para a praça, de forma transparente. A solução permite a quem está do lado de fora olhar para dentro, e vice-versa. Com isso, o teatro fica aberto para a cidade e origina-se uma relação interessante e dinâmica entre a arquitetura e o espaço urbano”, detalha o arquiteto.

“O ‘B32’ é um projeto que pretende quebrar o paradigma da cidade murada, mostrando para a população que é possível construir empreendimentos dessa escala e natureza, que geram gentilezas urbanas capazes de requalificar os espaços públicos de nossas cidades”, finaliza Hayakawa.

Colaborou para esta matéria

Carlos Dränger
Eiji Hayakawa – Sócio-diretor do Eiji Hayakawa Architects. É arquiteto e urbanista formado pela FAU-USP e mestre em arquitetura e desenho urbano pela Columbia University, em Nova York. Em sua trajetória profissional de mais de 15 anos de experiência, passou por renomados escritórios como EE&K Architects em Nova York, mundialmente conhecido por seus projetos de escala urbana, e Tadao Ando Architect & Associates no Japão, onde trabalhou como responsável por projetos internacionais do escritório do arquiteto Tadao Ando, ganhador do prêmio Pritzker de 1995. Em 2009 fundou o Eiji Hayakawa Architects em São Paulo e tem desenvolvido com os seus colaboradores projetos de variadas escalas e natureza no Brasil e no exterior.
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