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Telhas para obras de grande porte devem atender a demandas específicas

São várias as opções técnicas e elas preveem principalmente o conforto térmico e a estanqueidade necessários aos grandes espaços. A escolha começa com a definição do tipo de atividade do empreendimento

Texto: Redação AEC/e-Construmarket

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Sistemas distintos de cobertura que estão associados ao tipo de telha e sua resistência (Créditos: J. Jackson UK/ Shutterstock)

Em edificações de grande porte, como shoppings, galpões e centros industriais, o projeto da cobertura demanda a análise de um conjunto de fatores. Entre eles, está a especificação da telha ideal para cada circunstância. Afinal, o mercado oferece opções variadas, como as que privilegiam o conforto térmico, outras para melhor aproveitar a iluminação natural e produtos leves que diminuem as cargas sobre as estruturas.

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Veja no Portal AECweb fornecedores de coberturas de policarbonato

“Existem sistemas distintos de cobertura que estão associados ao tipo de telha e sua resistência, portanto, é preciso considerar a finalidade do empreendimento para o perfeito dimensionamento”, diz o arquiteto Marcel Monacelli, titular do escritório Marcel Monacelli Arquitetura. “As necessidades da cobertura de um shopping são diferentes daquelas do aeroporto ou galpão logístico”, exemplifica.

Nos shoppings, excluindo a área da praça de alimentação e lobby, o restante da cobertura é totalmente compartimentado. Isso porque a estrutura também é aproveitada para a instalação de equipamentos, como a torre de refrigeração e caixas d’água. Por outro lado, nos galpões, a solução empregada precisa vencer grandes vãos, pois o ideal é diminuir ao máximo a quantidade de pilares para facilitar a operação no interior do empreendimento.

Tipos de telhas

A telha trapezoidal do tipo sanduíche é uma das soluções empregadas em projetos de grande porte. Composta por duas lâminas metálicas — uma inferior e outra superior — recebe em seu miolo material expandido que tem a função de melhorar o conforto térmico do ambiente. “Esse recheio pode ser de poliestireno expandido (EPS) ou de poli-isocianurato (PIR)”, informa o arquiteto e instalador Alfredo França, titular da França & Schwebel.

Existem sistemas distintos de cobertura que estão associados ao tipo de telha e sua resistência, portanto, é preciso considerar a finalidade do empreendimento para o perfeito dimensionamento
Marcel Monacelli

Ele ensina que o PIR veio em substituição ao poliuretano (PUR), que está sendo descontinuado por emitir fumaça tóxica quando exposto ao fogo. “O PIR é mais eficiente do que o PUR no quesito isolamento térmico, além de não produzir gases perigosos e ser autoextinguível”, compara. A telha trapezoidal também pode ser aplicada sem o recheio, porém, nesse modelo mais simples não existe a barreira que bloqueia a passagem do calor.

Na lista de opções para esses empreendimentos constam ainda as telhas zipadas. “Zipar a telha significa que na emenda entre as peças será usada máquina, como se fosse um zíper, para juntar as pontas e fazer uma dobradura”, detalha Monacelli. Essa solução proporciona ótima estanqueidade para a cobertura, realizando o escoamento da água pluvial sem que esse volume crie goteiras dentro da edificação.

Alternativa não tão comum, mas que pode ser especificada, é a telha pré-moldada de concreto. A solução perde em popularidade para as opções metálicas por causa de seu peso elevado, que exige um reforço no projeto estrutural e de fundações. “Isso se traduz em um custo maior para a execução da obra, além de que essas telhas pedem mais atenção em relação à impermeabilização e tratamento das juntas”, ressalta o arquiteto.

Em caso de colapso total nesse tipo de cobertura, os estragos tendem a ser bem maiores. “Como a telha de concreto tem peso elevado, ao cair vai quebrar tudo o que está localizado logo abaixo. Já a estrutura metálica aumenta a chance de não perder 100% dos materiais, maquinário e equipamentos presentes no interior da edificação”, analisa.

Para vencer grandes vãos, principalmente, em galpões industriais e centros logísticos, a telha mais indicada é a autoportante. “Elas são capazes de atender vãos de até 35 m”, fala Monacelli. Entre tantas alternativas, a que mais vem sendo especificada nos últimos anos é a telha metálica instalada em conjunto com material isolante térmico e membrana emborrachada para fazer o revestimento externo.

“Bastante utilizada na Europa e Estados Unidos, a solução vem sendo empregada no Brasil há cerca de 10 anos. Se antes a telha era a última camada da cobertura, agora ela funciona como substrato que apoia o isolamento térmico e membrana”, afirma França. Nesse sistema, a telha é fixada na estrutura. Na sequência, vem o isolante térmico e, por fim, a membrana – ambos fixados mecanicamente com parafusos no conjunto.

Essa é a melhor solução quanto à estanqueidade, pois torna a cobertura uma superfície monolítica. “A membrana reveste toda a camada externa, envelopando e vulcanizando a estrutura para evitar qualquer problema de infiltração”, destaca o instalador.

Policarbonato

As telhas translúcidas de policarbonato devem ser usadas com critério se o objetivo for proporcionar iluminação natural para o ambiente, pois, além da passagem da luz, também permitem a entrada do calor. “A solução é mais indicada para galpões menores em que os materiais armazenados não sofram com a temperatura mais elevada”, afirma Monacelli. Por outro lado, seu uso pode ser inviável no caso de pessoas trabalhando dentro do edifício.

“Se as telhas de policarbonato forem usadas nessa situação, será necessário promover soluções de resfriamento para proporcionar bem-estar aos profissionais, afinal, existe limite de temperatura para a pessoa trabalhar em condição de conforto”, comenta o arquiteto. Exemplo de projeto que pode receber esse tipo de material é a cobertura de estacionamentos, onde há apenas fluxo de pedestres.

Quando as telhas de policarbonato são usadas em conjunto com as metálicas, é preciso que ambas apresentem o mesmo corte para que o casamento e emenda sejam perfeitos. Cuidado também bastante importante é no encontro entre peças de materiais diferentes, que devem receber tratamentos de impermeabilização.

O PIR é mais eficiente do que o PUR no quesito isolamento térmico, além de não produzir gases perigosos e ser autoextinguível
Alfredo França

Além do policarbonato, outro tipo de material que permite a passagem da luz natural é o fiberglass. “Porém, quando essa solução for utilizada, o ideal é optar por aquela que tem filme milimétrico nas duas faces. Se o produto não recebeu esse tratamento, ao longo do tempo vai acabar amarelando e começa a perder sua translucidez”, adverte França.

Domus

Alternativa moderna para o emprego do policarbonato em cobertura são os domus. “Para promover a entrada de luz natural em grandes empreendimentos, o mais usual são os domus com policarbonato prismático, que ampliam o índice de iluminamento e reduzem a área de interferência na cobertura”, explica Monacelli. Essa solução é mais durável e tem rentabilidade superior em relação às telhas comuns de policarbonato.

O arquiteto conta que esse material recebe tratamento para garantir sua estanqueidade e tem micropartículas de cristal que intensificam o poder de iluminação em até 10 vezes. “Seria preciso muito mais telhas do que domus para conquistar o mesmo nível de iluminamento. Apesar de ser um produto mais caro, gera menos interferências na cobertura e, consequentemente, reduz pontos de possíveis vazamentos”, diz.

Os domus são compostos por duas lentes, uma interna que é lisa e leitosa, e outra externa prismática. “Essas duas camadas são as responsáveis por permitir a entrada da luz natural e bloquear a passagem do calor”, explica o instalador, ressaltando que a iluminação é ótima, podendo até mesmo eliminar a necessidade de acender lâmpadas e, por consequência, gerando economia de energia elétrica.

Para especificar a quantidade ideal de domus, são analisadas diferentes particularidades do empreendimento, como o nível de iluminação desejado, quantidade de pessoas trabalhando e área da cobertura. “Todos esses dados são inseridos em um software, que fará os cálculos e mostrará o número de domus necessário para atender a essa demanda específica”, fala França.

Lanternim

Estrutura comum em coberturas de grandes empreendimentos, o lanternim atua como uma espécie de chaminé. Todo galpão ou indústria deve promover, no mínimo, de quatro a seis trocas de ar por hora. Assim, o ar frio entra na edificação e empurra o quente para cima, até que seja liberado para fora por meio do lanternim.

“Em minha opinião, a cobertura tem que ser totalmente vedada, ou seja, não podem existir aberturas. Uma chuva muito forte é capaz de fazer com que um spray de água seja mandado diretamente para dentro do empreendimento”, afirma o instalador, se revelando contra a instalação de lanternins.

Segundo Monacelli, existem outras soluções que cumprem o mesmo papel. “No projeto elaborado para a indústria de alimentos Piraquê, um galpão com 20 m de pé-direito e que serve para armazenar caixas, a situação foi resolvida de outra maneira: no próprio fechamento metálico perimetral foram criadas fileiras de venezianas com telas — que permitem a entrada do ar e bloqueiam a passagem de insetos. Assim, o ar entra lateralmente e acontecem as trocas, além de a solução também proporcionar iluminação natural. Isso tudo com a cobertura protegida”, conta.

Coberturas mais eficientes

Atualmente, as coberturas de grandes empreendimentos não são apenas responsáveis por proteger a edificação contra a ação de intempéries. Como se trata de áreas com dimensões expressivas, a arquitetura as tem aproveitado de maneiras bastante criativas. “Além de abrigar diversos equipamentos, como os de ar-condicionado e exaustão, existem variadas outras maneiras de utilizá-las”, conta França.

Ele cita, por exemplo, a instalação de painéis fotovoltaicos que produzem energia elétrica para abastecer a edificação e reduzir a dependência da rede pública de distribuição. “Também é interessante a presença de sistema de captação de água da chuva. O volume recolhido pode ser armazenado em tanques e tratado, para depois ser aproveitado na lavagem de áreas externas ou para regar as plantas”, finaliza França.

Leia também: Vidro pode ser usado em coberturas e fachadas

Colaboração técnica

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Marcel Monacelli — Arquiteto pós-graduado em Desenvolvimento Imobiliário – Real State – pela Universidade de São Paulo (USP). Desde 1985, à frente da empresa Marcel Monacelli Arquitetura, realizou inúmeros projetos de arquitetura de empreendimentos imobiliários como shopping centers, sedes corporativas, planejamento urbano, centros logísticos, indústrias, entre outros.
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Alfredo França — Formado em 1985, pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, foi professor da cadeira de Planejamento Urbano de 1989 a 1998. Especializou-se na execução de coberturas e estruturas metálicas e prepara sua dissertação de mestrado pela FAU - Universidade de São Paulo, com o tema: “Comece a Sua Obra Pela Cobertura”. É titular da França & Schwebel, fundada em 1996.
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