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CBCA

CBCA - Centro Brasileiro da Construção em Aço

CBCA

Centro Brasileiro da Construção em Aço

EntidadeRio de Janeiro, RJ
Telefone:(21) 3445-6332

Setor do aço em recuperação

Entrevista com Carolina Fonseca, gerente Executiva do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA).

Entrevista com Carolina Fonseca, gerente Executiva do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA).

CBCA
A estrutura metálica é grande aliada de obras de infraestrutura, por chegar pronta no canteiro. Soma-se a isso sua rápida execução e, ainda, a eliminação de resíduos.

Redação AECweb / e-Construmarket

Uma das matérias-primas mais aproveitadas pela construção civil, o aço vem sofrendo os efeitos negativos da crise econômica que atinge a economia nacional. O desaquecimento da indústria fez com que o consumo do material fosse reduzido em um terço somente nos últimos dois anos.

Em entrevista ao Portal AECweb, a arquiteta Carolina Fonseca, gerente executiva do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), fala sobre os desafios do setor e detalha quais ações podem ser usadas para retomada do crescimento.

.AECweb - Atualmente, como a construção civil enxerga os diversos produtos e sistemas em aço?
Carolina Fonseca - O mercado apresenta grande variedade de produtos e sistemas industrializados em aço para a construção civil, que, cada vez mais, tem utilizado essas soluções, quer seja na estrutura, vedação ou cobertura das edificações. Temos percebido mudanças no setor, que vem aceitando mais os sistemas ‘inovadores’. Apesar da recente crise, em pesquisa lançada pelo CBCA percebemos que a produção de perfis para light steel frame continuou crescendo, por exemplo.

AECweb - Em quais segmentos da construção o aço é mais empregado?
Fonseca - A construção em aço ainda é mais empregada em grandes centros de distribuição e shopping centers. Entretanto, temos visto um aumento na sua utilização em edifícios comerciais de grande, médio e pequeno porte. Na Inglaterra, aproximadamente 70% das obras comerciais multipavimentos são feitas com estrutura metálica. Esse número ainda é muito pequeno no Brasil, inferior a 10%, mas estamos vivenciando uma mudança. Nos últimos anos, a construção metálica foi bastante aplicada nas obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas, por sua capacidade de vencer grandes vãos, ser versátil, leve, além de proporcionar um diferencial de beleza na edificação.

AECweb - Quais os outros benefícios proporcionados pela construção em aço?
Fonseca - A estrutura metálica é grande aliada de obras de infraestrutura, por chegar pronta no canteiro. Soma-se a isso sua rápida execução e, ainda, a eliminação de resíduos. O meio ambiente é um dos aspectos importantes que deve ser considerado atualmente, principalmente na construção civil, que é responsável por 50% do lixo urbano das cidades.

AECweb - Qual é a atual demanda por aço na construção civil?
Fonseca - O setor representa 39,6% de todo o consumo aparente de aço, ou seja, 8,4 milhões de toneladas (dados de 2015). A construção, juntamente com o mercado automotivo e de máquinas e equipamentos, responde por cerca de 80% do consumo de aço no Brasil.

AECweb - Como a crise econômica enfrentada pelo país tem influenciado o setor do aço?
Fonseca - A crise econômica atual é a pior já vista pelo setor do aço, que teve que realizar demissões e paralisar equipamentos, uma vez que o consumo aparente de aço diminuiu cerca de 15% em 2015 e deverá recuar 14,4% em 2016, segundo estimativas do Aço Brasil. Com isso, a queda no consumo aparente de aço nos últimos dois anos deve chegar a um terço.

Hoje, no Brasil, cerca de 30% de todo o aço produzido é proveniente de reciclagem. Qualquer que seja a origem da sucata, o ciclo de reciclagem do aço produz aços novos que podem ser utilizados para quaisquer finalidades.

AECweb - Como explicar tamanha queda?
Fonseca - Os indicadores refletem a convergência de fatores conjunturais e estruturais. No plano conjuntural, o desempenho da economia foi determinante para que os principais setores consumidores de aço (construção civil, setor automotivo e de máquinas e equipamentos) registrassem quedas sucessivas em seus resultados, encolhendo substancialmente o mercado interno de aço. No plano estrutural, a manutenção das assimetrias competitivas evidencia ainda mais as dificuldades que a indústria nacional tem, historicamente, de concorrer com seus competidores internacionais.

AECweb - Qual ação pode ser tomada para reverter o cenário?
Fonseca - A exportação, no curto prazo, é o caminho para melhorar o grau de utilização de capacidade instalada na ordem de 60% não só do aço, mas de toda cadeia consumidora. O setor convive com excedentes de capacidade produtiva internacional que ultrapassam 700 milhões de toneladas e que levam a práticas predatórias e desleais de comércio e preços depreciados. Além disso, as assimetrias competitivas, principalmente devido aos elevados custos financeiros e aos resíduos tributários, não têm permitido que as empresas obtenham retorno financeiro das exportações.

AECweb - O poder público pode fazer algo para melhorar a situação?
Fonseca - Mesmo que o ápice da crise tenha passado, é fundamental que, nesse contexto, o governo invista em mecanismos de defesa comercial que sejam ágeis e eficazes, por exemplo, não reconhecendo a China como economia de mercado e contribuindo para o aumento da competitividade da indústria brasileira de transformação. Para elevar a competitividade, é preciso reestabelecer a alíquota do Reintegra em 5%, conforme previsto no parágrafo 2º, art. 22 da Lei 13.043/2014. Ou seja, alíquota que compense os resíduos tributários. Tais ações são fundamentais para a retomada da indústria brasileira do aço.

AECweb - O Brasil importa muito aço?
Fonseca - As importações totais aumentaram 245% entre 2000 e 2015. Especificamente, as compras de materiais provenientes da China cresceram 13.418%, respondendo por 50% das importações totais em 2015. Dos 700 milhões de toneladas de aço excedentes no mundo, 400 milhões de toneladas estão na China.

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AECweb - Esse é um cenário preocupante?
Fonseca - O fenômeno só ocorreu por conta dos subsídios governamentais que permitem práticas de preços depreciados do aço chinês. É uma competição desleal. As empresas brasileiras produtoras de aço têm que disputar mercado com o governo chinês e não com as companhias da China. Por tudo isso, entendemos que a nação asiática não deve ser reconhecida como economia de mercado em dezembro de 2016, afinal não cumpre os requisitos da Organização Mundial do Comércio (OMC) para tal.

AECweb - Quais as tendências da construção em aço para o futuro?
Fonseca - O aço é bastante utilizado em soluções modulares, que podem ser levadas prontas para o canteiro de obras. Com isso, o construtor apenas monta cada módulo de acordo com o projeto. Tal característica proporciona maior rapidez construtiva, importante nos dias de hoje. A produtividade da construção brasileira tem sido amplamente debatida, por ainda ser muito baixa se comparada com a de países onde a industrialização já é comum. Construir a edificação ou infraestrutura dentro de um sistema fabril e depois somente montá-la no canteiro é uma tendência, que evita desperdícios, transtornos para as cidades e impulsiona produtividade e qualidade.

AECweb - Podemos inserir o light steel framing na lista de inovações?
Fonseca - O sistema construtivo light steel framing, com certeza, entra nessa lista, pois permite a industrialização. É uma solução leve, facilmente transportável e que permite modulação. É uma ótima alternativa para minimizar nosso déficit habitacional.

AECweb - As normas técnicas da construção em aço estão atualizadas?
Fonseca - Sim, há normas técnicas para todos os produtos e sistemas em aço. Quando elas ainda não existiam, o Brasil utilizava documentos internacionais. Várias normas foram publicadas e, sempre que necessário, elas passam por revisão. Também atualizamos com frequência o site do CBCA com as últimas normas brasileiras publicadas ou revisadas.

AECweb - Como está a reciclagem do aço no Brasil?
Fonseca - Hoje, no Brasil, cerca de 30% de todo o aço produzido é proveniente de reciclagem. Qualquer que seja a origem da sucata, o ciclo de reciclagem do aço produz aços novos que podem ser utilizados para quaisquer finalidades: automóveis, construção, embalagens, entre outras. O aço é 100% reciclável, e as estruturas podem ser desmontadas e reaproveitadas com menor geração de rejeitos.

Colaboração técnica

CBCA
Carolina Fonseca– Gerente executiva do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA). É formada em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Atuou na gerência de grandes obras, como a da Cidade Administrativa de Minas Gerais e do Centro Empresarial Senado, no Rio de Janeiro. Participou de projetos em Austin, Texas e na Cidade do México.

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