• Busque fornecedores, produtos e matérias

Produto indisponível

O produto que você buscou se encontra indisponível no momento.

1986

Artigo de Dionyzio M. Klavdianos, vice-presidente administrativo-financeiro do Sinduscon-DF

A trilha sonora do filme Totalmente Selvagem, de Jonatham Demme, lançado em 1986, é uma das melhores do gênero que já ouvi. Lembrei dela no dia 05 de setembro, quando assistia ao filme Ricki and the Flash, do mesmo diretor e com outra bela coletânea musical.

Foi a segunda vez na semana que me reportei àquele ano. A outra foi por ocasião do comentário do Junior num grupo de WhatsApp, ao sabermos do desligamento de um reconhecido diretor técnico dos quadros de uma das maiores construtoras do Brasil. Registrou o amigo: “Estamos vendo o desmonte da atividade produtiva do país, está ocorrendo uma desprofissionalização das empresas, a fim de diminuir custos. Deste modo, vamos retroceder uns dez anos”. 

Comentário parecido eu ouvia nos corredores de uma das duas maiores empresas de projeto do país, por ocasião do encerramento do ciclo da construção de grandes obras de infraestrutura, iniciado nos anos 1970, e que teve como ícones as hidrelétricas de Itaipu e Tucurui. Temia-se os reflexos da crise na débâcle das mundialmente reconhecidas equipes de barrageiros do Brasil. Tinha ido trabalhar lá assim que me formara, louco que estava para participar da construção de uma barragem. Fiquei na vontade.

Em vez de dez, levou vinte anos para o setor se reerguer. E outros dez para tombar novamente. 

Se Itaipu e Tucurui foram os símbolos do penúltimo surto de crescimento, qual seriam os deste que ora se encerra?

No Estadão do dia 06 de setembro, a notícia de que a ferrovia Oeste Leste, orçada em R$ 4,2 bilhões de reais e prevista para encerrar em 2013, ainda está pela metade, já custa R$ 5 bilhões “e não se sabe mais onde é que seu custo irá parar”. 

No Estadão de 30 de agosto a notícia de que a brasileira Anielle Guedes, de apenas 22 anos, parece ter encontrado, e já trilha, um caminho que pode revolucionar a questão de custos das habitações no Brasil. Segundo o jornal “Anielle quer alterar a lógica do mercado de construção civil. O custo de materiais e o tempo de construção de edifícios seriam extremamente reduzidos. A ideia seria imprimir as moradias em poucas semanas e por um custo 80% menor do que é praticado pelas empresas tradicionais, graças a um maquinário mais barato e um material mais sustentável e acessível”.

“Imprimir”, porque a tecnologia em questão é a impressão em 3D de materiais de construção. Já conhecida no setor, mas que a exemplo de outras que requerem maior investimento técnico e financeiro, não decola.

Em 1986, meu irmão tinha a trilha sonora de Totalmente Selvagem em vinil e não fosse um amigo contar com todo um aparato tecnológico específico, teria sido muito difícil conseguir uma versão demo em CD do disco.

Passados quase 20 anos, os filmes de Jonatham Demme continuam muito bons. A capacidade do poder público e da engenharia nacional de resolver desafios de infraestrutura parece estagnada, e, agora que a evolução da tecnologia de informação transformou a gravação de um CD numa piada. Vou pedir à Anielle a impressão de uma casa pra mim.

Gostou deste conteúdo? Cadastre-se para receber gratuitamente nossos boletins.

Complete seu cadastro