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Controle e aceitação da resistência do concreto no Brasil

Artigo de Guilherme Maia e Silva, professor da Universidade Estácio de Sá e do Centro Universitário La Salle

A resistência à compressão do concreto é sua propriedade mais importante e uma grandeza essencial ao dimensionamento a todas as solicitações. É fundamental conhecer seu valor máximo final, dependente não só da dosagem – que é o proporcionamento adequado e mais econômico dos materiais constituintes (traço do concreto) –, mas também de fatores relacionados às condições de execução da obra, como: transporte, lançamento, adensamento e cura da matriz endurecida.

Pode-se definir o concreto como um produto em fase de elaboração, uma vez que ao recebê-lo na obra (concreto usinado) não se pode aferir a característica primordial de interesse (a resistência à compressão), que somente será aferida em data posterior, mediante ensaios em amostras elaboradas, sazonadas e rompidas em conformidade com as normas específicas.

O comportamento do concreto à compressão é bastante complexo, sendo observadas algumas situações específicas quanto ao rompimento de diversas amostras: a  resistência experimenta acréscimo contínuo ao longo do tempo; os resultados de ensaios de corpos de prova na mesma idade dispersam-se em torno de um valor médio (fcm); a ruptura depende ainda da velocidade de imposição do carregamento e de seu tempo de duração.

A amostragem do concreto para realização dos ensaios de resistência deve ser feita conforme prescrição da norma NBR 12655 (“Concreto de cimento Portland – Preparo, controle, recebimento e aceitação – Procedimento”), dividindo-se a estrutura em lotes, dos quais deve ser retirada uma amostra com número de exemplares (cada exemplar deve ser constituído por dois corpos de prova da mesma amassada para cada idade de rompimento, moldados no mesmo ato) de acordo com o tipo de controle, por amostragem total ou parcial.

O controle por amostragem total consiste na amostragem 100%, ou seja, todas betonadas (amassadas) são amostradas e representadas por um exemplar para cada idade de rompimento. Portanto, cada betonada é considerada um lote. Nesse caso, o valor da resistência característica à compressão do concreto estimada (fck,est) é igual ao valor da resistência à compressão do exemplar da betonada na idade referida.

Os corpos de prova são moldados e curados conforme recomendações da ABNT NBR 5738 (“Concreto – Procedimento para moldagem e cura de corpos de prova”) e rompidos conforme a NBR 5739 (“Concreto – Ensaio de compressão de corpos de prova cilíndricos”), 28 dias após sua moldagem.

As resistências de diversas amostras de mesmo lote e dosagem dispersam-se em torno de um valor médio. Essa diferença de resultados também acontece nos ensaios dos corpos de prova de um único exemplar (dois corpos de prova “irmãos”), que teoricamente deveriam retornar ao mesmo valor de rompimento, visto que foram moldados no mesmo ato, com concreto da mesma amassada, curados e rompidos da mesma forma.

Mediante essa situação, qual valor será adotado para o exemplar: o maior deles, o menor ou a média? Apesar de existirem argumentações favoráveis à escolha do menor valor, em favor da segurança, como sendo o representativo do exemplar, a norma ABNT NBR 12655 define, no seu item 6.2.2, que deve ser tomado como resistência do exemplar o maior dos dois valores obtidos. Tal prescrição é adotada baseando-se no fato que a amassada possui uma única resistência e que os erros usuais de ensaio tendem somente a reduzir o valor de resistência encontrada e não a aumentar.

Embasada nesse critério, essa mesma norma determina, no seu item 6.2.4, que a aceitação do concreto para os controles por amostragem total será confirmada quando o valor de cada exemplar de uma amostragem a 100% atender à resistência característica do concreto à compressão (fck) especificada no projeto estrutural pelo projetista, sendo dado como não conforme um concreto com resistência inferior a essa.

As determinações da norma brasileira a classificam como a mais rigorosa se comparada com a norma americana (aplicada em mais de 30 países) e à norma europeia (grande parte da Europa e países de outros continentes).

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PERFIL

Engenheiro Civil, graduado e mestre pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atua como Perito Criminal da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Também leciona disciplinas de graduação no curso de Engenharia Civil do Centro Universitário La Salle e disciplinas do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estácio de Sá.

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