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Produção intelectual de engenharia civil em tempos de distanciamento social

Artigo de Ricardo Dal Checo, que atua na diretoria técnica de integração e processos da Concremat Engenharia e Tecnologia

A pandemia do vírus Covid-19 está paralisando mercados e atividades econômicas no Brasil e no mundo. Nas últimas semanas, vimos boa parte da população afastando-se do convívio; colaboradores reclusos em regimes de home office; e empresas correndo em verdadeiros desafios tecnológicos para propiciar que seus dispositivos e sistemas online atendam a uma nova rotina de trabalho remoto. Mas como lidar com as necessidades do distanciamento social e do padrão cultural das equipes de engenharia, acostumadas às reuniões presenciais de projeto?

A necessidade da mudança deste paradigma, em que reuniões gerenciais precisam do “olho no olho”, chega em um momento em que a produção intelectual de engenharia não pode parar, a fim de manter infraestrutura para a população durante a crise, assegurar a retomada da nossa sociedade após a pandemia e auxiliar no fortalecimento da nossa economia.

Para isso, equipes de estudos e projetos de engenharia e arquitetura precisam apostar em metodologias, processos e ferramentas que permitam manter a capacidade de produção de maneira remota, compartilhada e colaborativa. Como é sabido, em projetos complexos há o envolvimento de diversas disciplinas de engenharia em um fluxo contínuo de troca de informações e dependência entre os stakeholders. Mas o uso de tecnologia, automatização e digitalização de processos na construção civil já não é mais nenhuma novidade.

A metodologia BIM (Building Information Modeling), por exemplo – inserida no Brasil desde o início dos anos 2000 –, já é uma realidade no mercado. Aliada a um bom sistema de GED (Gerenciamento Eletrônico de Documentos), possibilita a gestão de projetos e documentos virtualmente e torna mais fácil a comunicação entre os projetistas, assim como a colaboração e a simultaneidade multidisciplinar. A integração, viabilizada a partir das informações em “nuvem”, possibilita criar ambientes de design review virtuais, reduzindo a necessidade de discussões físicas constantes entre os profissionais.

Um dos grandes ganhos da utilização de ferramentas BIM é justamente o alinhamento da comunicação no projeto, que, sem dúvidas, é a área mais prejudicada quando pensamos em um ambiente de distanciamento social. Porém, isso é amenizado através da interoperabilidade que o BIM proporciona em suas ferramentas, possibilitando o trabalho em equipe mesmo à distância.

Outro ganho considerável que o BIM pode gerar para a comunicação de projetos é a integração das informações de projeto com o modelo. Por exemplo: as características físicas da construção representadas em sua geometria, com diversas camadas de informações funcionais, organizadas de forma sistemática, agregando todas fases do ciclo de vida do empreendimento – não só na concepção, mas também na execução, implantação, manutenção, retrofit e demolição.

Segundo Florio (2007), a utilização do BIM estimula a experimentação, diminui conflitos entre elementos construtivos, facilita revisões e aumenta a produtividade. Isso envolve, também, a adoção de novos fluxos de trabalho e um novo modelo de colaboração, com recursos avançados de visualização.

A possibilidade de transferência contínua de conhecimento entre os diversos agentes participantes do processo de projeto (projetistas, construtores, contratantes, consultores etc.) cria uma “imersão” simultânea em um modelo virtual tridimensional do edifício, através do qual poderão ser constatados e discutidos em tempo real aspectos referentes à “construtibilidade” da edificação.

Outra importante vantagem é a oportunidade de realização de simulações e alterações de projeto rápidas, dando suporte à tomada de decisão e gerando valor perceptível ao cliente, com a conveniência do compartilhamento remoto em tempo real do projeto, que pode ser acessado de qualquer lugar.

Nesse contexto, também é importante que o profissional se adeque à nova realidade; novas habilidades passam a ser cada vez mais exigidas, não apenas devido à situação pandêmica, mas porque o universo digital abraçou praticamente todas as atividades de nossa vida, incluindo aquelas realizadas no ambiente corporativo.

A adoção de uma cultura de home office, equipada com processos digitalizados e dotada de microgerenciamento das entregas de equipes remotas, mantém (e muitas vezes melhora) a performance do time. Ela auxilia ainda a própria gestão, pois permite à liderança acompanhar de perto os progressos, mesmo não estando fisicamente presente. Tudo isso em um ambiente virtual e preservado de contaminações.

Quando comparamos a cultura e a rotina do mercado de engenharia com outros mercados, podemos ver que as reuniões via ferramentas digitais, como videoconferências, criam uma dinâmica de trabalho e levam a encontros rápidos, objetivos e focados. Esses encontros são divididos, muitas vezes, em consultas pontuais ou na rotina de ritos periódicos entre equipes e gestores, trazendo um ganho de produtividade ao se debater temas e solucionar problemas do dia a dia, que no ambiente tradicional poderiam travar atividades até a próxima reunião presencial.

Algo positivo da situação que estamos vivendo é que a resistência à mudança diminui e os colaboradores e parceiros colocam-se mais flexíveis e interessados em novas metodologias e ferramentas para manter os serviços em andamento. Essa habilidade e mindset são aprendizados importantes que precisamos cultivar entres os profissionais da engenharia, mesmo depois da Covid-19.

Devemos ver este momento como uma oportunidade de evolução e de superar nossas tendências culturais. Está na hora de aproveitarmos melhor todo esse ambiente virtual para potencializarmos nossa integração para além dos limites de uma sala de reunião, através de ferramentas, metodologias e processos. O objetivo é manter e alcançar resultados melhores e maiores nos projetos, assegurando a qualidade e a eficiência de nossa produção intelectual.

Colaboraram com o artigo

Leonardo Pissolatti Factori
Arquiteto e Urbanista pela Universidade Anhembi Morumbi, especialista em BIM para Infraestrutura no Instituto de Engenharia de São Paulo, atua na Diretoria técnica de Integração e Processos da Concremat Engenharia e Tecnologia.

Pollyana Gil Cunha Amaral
Doutora em Engenharia de Estruturas formada pela Universidade de São Paulo. Experiência em projetos de grande porte e na utilização e implementação do BIM como ferramenta de trabalho, atua como Gerente técnica na Concremat Engenharia e Tecnologia

Lucas Cirilo Borba
Arquiteto e Urbanista pela Universidade Anhembi Morumbi, atua como modelador BIM na Concremat Engenharia e Tecnologia

Referências bibliográficas

FLORIO, W. Contribuições do building information modeling no processo de projeto em Arquitetura. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/268377365_CONTRIBUICOES_DO_BUILDING_INFORMATION_MODELING_NO_PROCESSO_DE_PROJETO_EM_ARQUITETURA> Acesso em: 10 de Abril de 2020.

COELHO, S. S. Modelagem de Informações para Construção (BIM) e ambientes colaborativos para gestão de projetos na construção civil. Disponível em: <http://www2.pelotas.ifsul.edu.br/~gpacc/BIM/referencias/COELHO_2008.pdf> Acesso em: 10 de Abril de 2020

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PERFIL

Arquiteto e Urbanista, especialista em Gestão da Inovação Corporativa, atua na Diretoria técnica de Integração e Processos da Concremat Engenharia e Tecnologia.

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