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Alinhar cronogramas de compras e de obras é fundamental

Processo evita a falta ou sobra de materiais e garante um fluxo contínuo de trabalho

Redação AECweb / e-Construmarket

O engenheiro de campo está inserido na cadeia de suprimentos uma vez que alimenta a área com informações para o perfeito alinhamento dos cronogramas de compras e de obras. Cabe a ele, também, controlar a produção e a qualidade da execução. “Enquanto numa fábrica, independentemente do seu ramo de atividade, esse enorme volume de responsabilidades cabe a departamentos inteiros, na estrutura da construção civil cabe ao engenheiro”, compara o professor Celso Luchezzi, diretor na Luchezzi e Treinamentos e Consultoria em Logística e SCM.

Na opinião dele, falta à maioria dos canteiros, mesmo das construtoras de maior porte, o profissional de logística também dedicado à análise de materiais e total integração com a área de suprimentos. “Menos de 10% dos 100 engenheiros que estou formando na universidade ouviram falar em logística, até porque a maioria dos cursos de engenharia não tem a disciplina de Logística e Supply Chain Management (SCM) em sua grade curricular”, conta.

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Quando não alinhados os cronogramas, os riscos são dois e igualmente graves: faltar ou sobrar material
(Kemal Taner/ Shutterstock.com)

O professor defende que a produção de um edifício precisa ter, no canteiro, dois engenheiros: um para a análise de materiais e, outro, responsável pela produção e qualidade. É fundamental, também, que as aquisições de materiais e serviços sejam centralizadas pelo setor de compras e suprimentos, para todas as obras da construtora. “A área de compras e suprimentos vai pesquisar fornecedores, negociar e, quando necessário, desenvolver novos parceiros. Uma vez negociado o volume, o comprador não precisa mais discutir preço”, ensina.

O que tenho visto e acompanhado é que o comprador fica restrito a meras cotações, quando sua função é maior, é a de ser um negociador
Celso Luchezzi

O processo de compras centralizado, visando o trabalho dentro de uma cadeia de abastecimento, passa por três etapas, sendo que a primeira delas é a geração do pedido. Em seguida vem o procedimento padrão da área de fazer três cotações. Por fim, vem o recebimento do material no canteiro.

“O que tenho visto e acompanhado é que o comprador fica restrito a meras cotações, quando sua função é maior, é a de ser um negociador. Proponho que o comprador negocie para todas as obras volumes maiores e que o engenheiro de campo solicite diretamente com o fornecedor”, ressalta.

DE OLHO NAS DATAS DE ENTREGA

Garantido o fornecimento, a obra ganha em velocidade. Nesse cenário, o cronograma de compras é, em geral, acompanhado pelo engenheiro de campo. “A construtora faria um trabalho ainda melhor se tivesse no canteiro um engenheiro cuidando da análise de materiais e logística”, afirma. Este profissional seria o responsável pelo cronograma de entregas, escalonando e evitando estoques. Dessa forma, o engenheiro residente ficaria liberado para cuidar da produção e da qualidade da construção. “Qual o custo de ter esse profissional com função complementar, no canteiro, fazendo a interface diária do cronograma da obra com o de compras?”, indaga o professor.

Qual o custo de ter esse profissional com função complementar, no canteiro, fazendo a interface diária do cronograma da obra com o de compras?
Celso Luchezzi

Até porque o cronograma da obra pode sofrer imprevistos e o engenheiro vai informar a área de compras. Caso contrário, o material chegará na data prevista e o pessoal do canteiro terá que movimentá-lo enquanto aguarda pelo uso. “Pode ser que não seja preciso movimentar, apenas armazenar. Mas, caso tenham que transferir os produtos de local, é possível que alguma coisa quebre, resultando em prejuízo”, alerta Luchezzi.

Quando não alinhados os cronogramas, os riscos são dois e igualmente graves: faltar ou sobrar material. “Se faltar, é porque não teve análise suficiente para evitar que ocorresse. E o engenheiro de campo, tendo que escolher entre cuidar de uma fissura na estrutura da obra ou fazer a análise de materiais, evidentemente que decide por empregar seu tempo e conhecimento na atenção à qualidade da execução”, diz.

Dependendo dos tipos de materiais em excesso, especialmente insumos como cimento, areia e pedra, a construtora utilizará em outra obra. Já os itens de acabamento – revestimento cerâmico, louça e metais sanitários, entre outros – foram especificados pelo arquiteto e não necessariamente poderão ser usados em outro projeto, representando prejuízo.

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Colaboração técnica

Celso Luchezzi – Mestre em Engenharia de Materiais (Mackenzie), tem MBA em Logística Empresarial (FGV) e é tecnólogo em Processos de Produção (FATEC) e matemático. Atua como diretor na Luchezzi e Treinamentos e Consultoria em Logística e SCM e como consultor internacional. Escreve sobre Logística Reversa na Construção Civil. Professor universitário de instituições como Mackenzie, Fatec, Anhembi-Morumbi, INPG e BI International para cursos de graduação, pós-graduação e MBA. Professor convidado do CIESP, Setrans e SindusCon-SP e Aslog. Possui experiência em planejamento e controle de estoques; redução de estoques e de custos produtivos; logística, SCM e PCP; melhoria de processos; armazenamento de materiais e dimensionamento da capacidade produtiva e 5S em empresas de diversos segmentos e também na construção civil.
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