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Quando comprar direto do fabricante? Veja dicas e recomendações

Estratégia de grandes construtoras é centralizar as compras maiores e delegar, em contrato, as aquisições menores ou que são expertise dos fornecedores de serviços

Redação AECweb / e-Construmarket

Partindo do princípio que o papel da construtora é ser integradora da cadeia de valor e que seu grau de verticalização é mínimo, faz-se interessante, como política de suprimentos, selecionar os principais players para atender às necessidades do projeto. Afinal, quando se pensa na aquisição de grandes pacotes, o tempo da transação é algo relevante.

“A decisão mais inteligente para cada projeto é tomada quando a construtora analisa aspectos que envolvem como o cliente quer contratar e qual tipo de contrato ela está atendendo”, aponta Paulo Sérgio F. de Oliveira, CEO da Mutual Engenharia e Construções, que continua: “Comprar tudo diretamente da indústria é irracional, pois exige uma estrutura enorme de suprimentos que, inclusive, vai se distrair com coisas muito pequenas e, possivelmente, perder o foco naquelas mais relevantes”, diz.

Um exemplo é a área de suprimentos da construtora, que tem contrato com a empresa que vai fornecer estrutura de concreto armado, arame recozido para amarrar as ferragens, prego para as formas, enfim, itens de pequena monta. Os profissionais que estão negociando essas compras são os mesmos que estão comprando itens maiores, como um gerador ou a fachada da edificação.

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Área de suprimentos distante do canteiro contrata grandes pacotes (Rawpixel.com/ Shutterstock.com)

PARTNERS

Uma prática amplamente adotada pelas construtoras de maior porte para alcançar tanto a racionalização do tempo da equipe de compras quanto melhores custos é delegar parte da tarefa aos parceiros estratégicos.

“A melhor maneira de a construtora fazer a inteligência de suprimentos é centralizar as aquisições maiores e os grandes pacotes, adquirindo diretamente da indústria – seja um equipamento ou um produto acabado. Mas, entre esses pacotes, muitos são da alçada das prestadoras de serviços subcontratadas, como as empresas de instalações e de ar-condicionado. A construtora submete o projeto e as especificações a esses parceiros que indicam de quem comprar, mediante sua aprovação”, explica Oliveira.

A decisão mais inteligente para cada projeto é tomada quando a construtora analisa aspectos que envolvem como o cliente quer contratar e qual tipo de contrato ela está atendendo
Paulo Sérgio F. de Oliveira

No caso de sistema de ar-condicionado, por exemplo, a solução mais eficiente e com melhor preço é eleita pelo fornecedor dos serviços de instalação. Autorizado pela contratante, ele fecha o pedido que normalmente é faturado contra o cliente da construtora, para evitar a sobreposição de impostos. “O instalador tem competência para isso, pois é quem atua nesse elo da cadeia de suprimentos”, diz.

Ao traçar a curva ABC de suprimentos, um dos objetivos é o de ser eficaz nas aquisições dos grandes itens. Aí, sim, a construtora compra da indústria o que é realmente expressivo, como elevadores, aço e concreto. Normalmente, são grandes volumes de compras condensadas num único fornecedor. No caso do aço, mesmo que o fornecimento ocorra ao longo de meses, o volume total é contratado, e as entregas feitas mediante a emissão dos pedidos parciais.

“Não faz sentido envolver o empreiteiro de fundações ou de estruturas nesse tipo de compra. São empresas geralmente menores e menos organizadas para fazer este tipo de aquisição. Além disso, elas estão concentradas na prestação do serviço”, comenta.

A compra de materiais de acabamento também pede a análise da curva ABC. Quando há um empreiteiro de obra civil e os itens não forem representativos no contrato, a aquisição é feita por ele, sempre mediante aprovação. Mas, no caso de grandes volumes de louças, metais sanitários, revestimentos cerâmicos, a compra também é feita pela construtora diretamente da indústria.

A melhor maneira de a construtora fazer a inteligência de suprimentos é centralizar as aquisições maiores e os grandes pacotes, adquirindo diretamente da indústria – seja um equipamento ou um produto acabado
Paulo Sérgio F. de Oliveira

As exceções ocorrem quando a construtora possui departamento centralizado de compras e o canteiro está distante da sua sede. Nesse caso, a área de suprimentos contrata os grandes pacotes, e a obra compra os itens triviais para o dia a dia, como materiais para escritório, serviços locais e itens menores.

Providência complementar, principalmente para equipamentos e grandes volumes, é a compra ser faturada diretamente contra o cliente da construtora, para evitar a bitributação. Isso vale para obras de maior porte e, em geral, está previsto no contrato entre as partes, com limitações de itens e valores mínimos.

“Portanto, existe uma forma inteligente de se abordar cada contrato e cada projeto, definindo qual será o planejamento das aquisições. Com isso, se poupa a equipe de compras e o número de contratos”, ressalta.

CRISE IMPÕE MUDANÇAS

De acordo com Oliveira, a recessão econômica do país trouxe grandes mudanças na cadeia de suprimentos. “Indústrias enxugaram suas equipes de vendas, outras eliminaram suas interfaces. Mas não foi algo generalizado. Nos principais canais de vendas e nos grandes suprimentos, a relação não mudou”, conta.

Leia também: Compra de suprimentos e logística devem ser integradas

Colaboração técnica

Paulo Sérgio Ferreira de Oliveira – Graduado em Engenharia Civil (Itajubá – MG) e pós-graduado em várias disciplinas na área de Materiais de Construção pela Escola Politécnica da USP; MBA Executivo Internacional, com especialização em Administração Estratégica pela FIA-USP (associada ao American Assembly of Collegiate Schools of Business – Executive MBA Council); Project Manager Professional (PMP), pelo Project Management Institute (PMI). Ocupou os cargos de diretor Técnico da Brookfield Incorporações S.A.; diretor-presidente da JHSF Incorporações S.A.; diretor da Método Engenharia, entre outros. É CEO da Mutual Engenharia e Construções.
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