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Design Thinking pode contribuir com a gestão de projetos

Na construção civil visa à otimização e comunicação de processos, integrando a gestão com a operação, sem rupturas comunicativas

Redação AECweb / e-Construmarket

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O ideal é discutir as dúvidas em pleno canteiro, lendo o projeto junto com o mestre de obras, o pedreiro, o engenheiro, o projetista e o gerente de projetos (Foto: Production Perig / shutterstock.com)

Para os profissionais de gestão de projetos que praticam metodologias tradicionais, o conceito de Design Thinking pode parecer um tanto estranho. Como diz a engenheira Marcia Codecco, da Vistta Consultoria, “a abordagem propõe pensar ‘fora da caixinha’ e dar voz a toda a cadeia produtiva do projeto”. Introduzido na década de 1990 em todo o mundo pela consultoria IDEO, que gerenciava o desenvolvimento das empresas do Vale do Silício, nos Estados Unidos, o Design Thinking conduz a estratégia empresarial através de desenhos e de uma forma mais comunicativa, até mesmo holística.

“Essa nova abordagem surgiu do fato de que as empresas estavam cansadas de produzir produtos que as pessoas não usavam mais, pois não atendiam de fato às suas necessidades. Foi então desenvolvido esse modo de pensar e desenhar centrado no consumidor”, menciona Codecco. A ferramentatem procedimentos geradores de valor específicos para os setores de produtos e de serviços. Na construção civil, visa à otimização e comunicação de processos, integrando a gestão com a operação, sem rupturas comunicativas.

Tradicionalmente, a gestão de projetos estabelece algumas regras, ancoradas na organização e gestão de escopo, prazos, custos. “O Design Thinking, de certa forma, desarma tudo isso para criar facilidade de entendimento e soluções centradas no consumidor”, explica Codecco. O caminho envolve perguntar ao cliente questões como o que funciona para ele e o que ele quer do imóvel. Essa aproximação é atribuição própria do incorporador e do escritório de arquitetura, devendo acontecer na etapa de concepção do empreendimento, muito antes da gestão dos projetos.

Nossa consultoria, no passado, fazia reuniões mensais entre o nível gerencial e o operacional, para transmitir as metas de produção para o campo (...) Mas isso não resolvia. Agora, fazemos reuniões cocriativas, com a presença de toda a mão de obra, usando uma linguagem simples, fácil, do dia a dia da equipe. A prática se tornou um sucesso, pois estamos conseguindo reduzir os prazos de obras ou, então, efetivar o programado, porque a comunicação foi alinhada
Marcia Codecco

O NOVO E O TRADICIONAL

A metodologia não elimina a adoção de outras, mas se aliam. “As técnicas tradicionais de gestão de projetos trazem a organização necessária ao alinhamento de escopo e ao detalhamento de entregas, através de mapas e cronogramas. Já o Design Thinking encontra espaço para responder às questões dos usuários e entregá-las aos projetistas das várias disciplinas do projeto. Caso não tenha sido empregado na etapa inicial, sua abordagem questionadora das necessidades dos clientes pode ser utilizada pelo gerente de projetos ao avaliar as propostas dos projetistas. “Até mesmo, propondo mudanças e deixando de fazer mais do mesmo”, observa.

Para a engenheira, isso representa inovação. “Inovar em projetos não significa necessariamente usar novas tecnologias, mas rever o modo de pensar e gerir. E que não se restrinja à otimização do projeto, mas da ação em campo. Isso precisa ser pensado pelo projeto de arquitetura, buscando a compatibilização de todos os projetos e uma execução com menos desperdício”. A boa prática defende que, para atingir esse objetivo, a gestão de projetos deve estar em sintonia com o canteiro, o que normalmente não ocorre. Novamente, o Design Thinking entra para favorecer a integração das equipes através de procedimentos de comunicação.

“Nossa consultoria, no passado, fazia reuniões mensais entre o nível gerencial e o operacional, para transmitir as metas de produção para o campo. Essa comunicação era basicamente escrita numa planilha, informando qual a atividade a ser feita, prazo para a execução, datas de início e término, e local da tarefa. Mas isso não resolvia. Agora, fazemos reuniões cocriativas, com a presença de toda a mão de obra, usando uma linguagem simples, fácil, do dia a dia da equipe. A prática se tornou um sucesso, pois estamos conseguindo reduzir os prazos de obras ou, então, efetivar o programado, porque a comunicação foi alinhada”, conta Marcia Codecco.

O ideal é discutir as dúvidas em pleno canteiro, lendo o projeto junto com o mestre de obras, o pedreiro, o engenheiro, o projetista e o gerente de projetos, ouvindo ideias e propondo soluções. “Toda a cadeia deve ser comunicada e ouvida. A gestão de ideias e sua implantação no campo vêm de um processo ponta a ponta, por empatia, cocriação e testes”, diz, explicando que são criados protótipos de inovação, que serão implantados no canteiro. “O resultado é a geração de valor para a tomada de decisão”, conclui.

QUER VER UM EXEMPLO? Desenvolver uma solução sem conhecer o futuro usuário do empreendimento é um dos grandes desafios da ferramenta, mas isso pode se resolver com pesquisa de perfil dos clientes. “Não se trata de identificar necessidades de mercado, como o número ideal de dormitórios, mas, sim, o que as pessoas precisam. Isso é ser empático, de fato. Colocar-se no lugar das pessoas e verificar quais as suas dificuldades diárias dentro de casa”, pontua Codecco, reforçando um dos princípios do Design Thinking.

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Colaboração técnica

Marcia Codecco
Marcia Codecco – Formada em Engenharia de Produção Mecânica, com MBA em Gestão Empresarial. Participação como professora convidada no curso de Pós-Graduação - Engenharia Civil – da UNIP – módulo Planejamento de Obras. É diretora de Operações na empresa Vistta Engenharia. Tem mais de 20 anos de experiência em Planejamento de Obras para o mercado da construção civil, acumulando mais de 10 milhões de m². Implantação de programas de gestão. Consultora em Gerenciamento de Projetos, implantação da Comunicação Integrada em processos de negócios e desenvolvimento, focado no Design Thinking, em mais de 20 empresas do mercado da construção civil entre outros. Na área de planejamento de obras, é especialista em Estudos de Viabilidade, Planejamento, Programação e Controle, incluindo cadeia de fornecedores. Responsável por desenvolver, implementar e gerenciar programas para melhorar a produtividade, logística, controle e otimização de processos em canteiros de obras, utilizando conceitos baseados no Lean Construction. Consultora na implantação da Plataforma BIM (Building Information Modeling) e Planejamento em 4D em empresas, durante as diversas fases do ciclo de vida de um edifício, proporcionando comunicação coerente, esforço coordenado e visibilidade de resultados.
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