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PDRI, a autoavaliação que reduz riscos do projeto

Ao utilizar a ferramenta, responsáveis pelo projeto respondem a dezenas de questões para verificar o grau de preparação do empreendimento, e só então licitar a construtora

Redação AECweb / e-Construmarket

O Project Definition Rating Index (PDRI) é um sistema de diagnóstico utilizado pelo investidor público ou privado para a autoavaliação do empreendimento antes da licitação da empreiteira. A base é um questionário com pontuação ponderada, que mensura o estágio de evolução e maturidade do planejamento prévio, ou grau de definição do projeto.

“Trata-se de uma régua, que varia de 0 a 1000 pontos, usada para medir o grau de preparação do empreendimento que se pretende licitar, em termos de seus fundamentos, requisitos e condicionantes”, explica o doutor em engenharia Alonso Soler, da J2DA Consulting - Treinamento e Consultoria.

O questionário do PDRI aborda problemas conhecidos de ineficiência das obras. Assim, propõe a avaliação da concepção estratégica do projeto; a disposição de recursos orçamentários e de financiamentos; e a qualidade dos projetos de engenharia conceitual e básicos. Aborda as questões legais, como desapropriações e obtenção de licenças e alvarás; o planejamento da construção; e os procedimentos adotados no controle e na fiscalização da execução da obra.

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O PDRI é um alinhamento prévio à licitação que avalia diversas questões no projeto (Rawpixel.com / Shutterstock.com)

“Cabe ao contratante tomar essas e outras providências. Se ele contrata sem essas definições prévias, elevam-se os riscos de atrasos no cronograma e de paralisação da obra pela construtora, por razões que não são dela. O resultado é a elevação dos custos do empreendimento e possíveis pleitos judiciais por parte da contratada”, diz Soler.

Checklist

Desenvolvido pelo Construction Industry Institute (CII), com sede na Universidade do Texas, o PDRI tem caráter de autoavaliação feita por todos os intervenientes do projeto. “Através de pesquisas pré e pós-construção, o CII conclui que, estatisticamente, projetos com melhor avaliação no PDRI tendem a terminar com melhores resultados nos parâmetros de prazos, custos e mudanças de escopo (change orders)”, informa.

O PDRI está dividido em seções, categorias e fundamentos – são três seções comuns aos segmentos de obras industriais, de edificações e de infraestrutura. Cada um conta com questionário próprio, abrangendo dezenas de itens distribuídos por diversas categorias. Para se ter uma ideia, o PDRI de infraestrutura estabelece 68 elementos a serem avaliados.

Trata-se de uma régua, que varia de 0 a 1000 pontos, usada para medir o grau de preparação do empreendimento que se pretende licitar, em termos de seus fundamentos, requisitos e condicionantes
Alonso Soler

“No caso de projeto industrial, os itens envolvem muita contratação de equipamentos e montagem eletromecânica, entre outros. O de edificações se volta mais para obras civis, enquanto que o de infraestrutura abrange, além da construção, questões legais como o direito de passagem”, conta Soler.

Cada item do questionário recebe uma nota, porém há pesos diferentes. “No PDRI de infraestrutura, por exemplo, têm peso maior os requisitos do projeto e todas as informações do local vinculado ao projeto”, diz, destacando que o projeto se mostrará mais bem preparado para ser licitado quanto menor a nota geral do grau de definição do projeto.

Na prática

O PDRI é uma ferramenta eficiente, rápida e simples. O contratante reúne, por um ou dois dias, os responsáveis pelo empreendimento das áreas de engenharia, licenças, gestão de projetos, financeira e jurídica, para a autoavaliação do projeto. Cada setor dará sua nota aos quesitos do checklist sob sua atribuição.

Diante da nota final obtida, o contratante poderá decidir ir em frente e licitar a construtora/empreiteira. Mas, se foram identificadas deficiências, ele deve adiar pelo tempo necessário para aprimorar os itens que obtiveram piores avaliações
Alonso Soler

“Diante da nota final obtida, o contratante poderá decidir ir em frente e licitar a construtora/empreiteira. Mas, se foram identificadas deficiências, ele deve adiar pelo tempo necessário para aprimorar os itens que obtiveram piores avaliações. É implementado um plano de ação para, posteriormente, reaplicar o PDRI até chegar a um grau de definição ideal do projeto”, explica.

Finalizada a autoavaliação, o empreendedor pode optar pela contratação de uma empresa externa de consultoria, que vai checar os resultados obtidos. “O trabalho cumpre a função de auditoria externa”, diz.

Cases

Alonso Soler, que atuou na auditoria do PDRI, relata um case recente: “Foi um projeto de trecho rodoviário em que o questionário mostrou alguns pontos não bem definidos, principalmente, de desapropriações atrasadas. O contratante decidiu postergar o início da obra até que tudo estivesse resolvido. A pontuação geral estava em torno de 500 pontos. Essa nota que é considerada grau de definição razoável apresentou, quatro meses depois, melhoria significativa com as ações aceleradas para a solução, atingindo 270 pontos. Portanto, os riscos do empreendimento foram reduzidos”.

Outra auditoria realizada por Soler foi numa empresa multinacional com projeto de ampliação de sua fábrica no Brasil. Para dar autorização de início de obra, a matriz exigia que o projeto estivesse com, no máximo, 200 pontos (excelente grau de definição). “Durante alguns meses, fizemos um trabalho de plano de ação e avaliação. Quando constatamos que tínhamos chegado ao patamar solicitado, o diretor local pediu para que enviassem uma consultoria externa, que veio e confirmou os 180 pontos.”


O PDRI mostra que o projeto a ser licitado tem grandes chances de seguir sem maiores problemas (Zolnierek / Shutterstock.com)

Interesses

O PDRI, verdadeira fotografia da situação do projeto antes da licitação, significa transparência. “Vai servir tanto para a seguradora, como para órgãos de controle externo e bancos de fomento, que veem com maior credibilidade uma obra que tem mais chances de dar certo”, comenta o consultor.

O que sai do PDRI é resultado de uma visão colaborativa de diversas pessoas
Alonso Soler

A ferramenta praticamente não tem custo, por se tratar de autoavaliação. A vantagem adicional é conseguir colocar em contato, em uma imersão de algumas horas ou dias, profissionais responsáveis pelo empreendimento, porém de áreas que normalmente não se reúnem. “O que sai do PDRI é resultado de uma visão colaborativa de diversas pessoas”, ressalta.

Para ter acesso e utilizar os questionários, o contratante acessa o site do CII e faz o download das instruções a um custo de cerca de U$ 200. “Aí basta ler, entender e aplicar”, resume. Quando desejar ajuda, a empresa pode recorrer a consultores certificados pelo CII, organismo que, apesar de sua origem norte-americana, reúne 180 empresas do mundo todo, inclusive brasileiras. Portanto, os critérios adotados no checklist são universais.

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Colaboração técnica

Alonso Soler – Doutor em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da USP (1997); pós-doutorando em Administração pela Faculdade de Administração da USP; mestre em Estatística pelo Instituto de Estatística do IMECC UNICAMP (1987); MBA em Finanças pela Faculdade de Administração FEA USP (2000); pós-graduado (latu sensu) em Qualidade Industrial pela Faculdade de Engenharia Mecânica FEM UNICAMP (1991). É certificado como facilitador da aplicação do PDRI (Project Definition Rating Index) pelo CII (Construction Industry Institute); PMP Project Management Professional pelo the PMI (Project Management Institute, USA) – desde 1999 (ativo); engenheiro da Qualidade pela ASQC (American Association for Quality Control, USA) (1991); certificação em Coaching Empresarial pelo ICI (International Coaching Institute). É sócio J2DA Consulting Treinamento e Consultoria, que tem principal foco em consultoria e treinamento para empresas do segmento de engenharia e construção.
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