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Tendências em gestão de projetos no Brasil

De acordo com a consultora Barbara Kelch, BIM, internet das coisas e gestão de riscos devem ganhar mais relevância nos próximos anos

Redação AECweb / e-Construmarket

A maioria das empresas brasileiras de construção civil nasceu da iniciativa de grandes engenheiros, detentores de sólido conhecimento técnico. O setor foi evoluindo aos poucos e, só recentemente, as empresas passaram a habilitar os seus engenheiros em gestão de projetos e a exigir a certificação – que ainda não é obrigatória.

De acordo com a consultora em gestão de projetos e arquiteta Barbara Kelch Monteiro (PMP), a necessidade de acompanhar, organizar e padronizar os procedimentos com mais rigidez tem amadurecido. “A boa gestão de projetos é essencial nesse momento de margem de lucros menores e com a concorrência internacional cada vez mais presente em nosso mercado”, observa.

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O gestor é presença obrigatória nas construtoras e empreiteiras (SFIO CRACHO/ Shutterstock.com)

TENDÊNCIAS ATUAIS

A introdução do Building Information Modeling (BIM) no dia a dia dos projetistas é mais uma prova da tendência de fortalecimento da gestão de projetos nas construtoras. “Muito mais do que o desenho, o modelo exige uma grande quantidade de informações. Ao reunir essa ótima ferramenta à gestão de projetos, passamos a extrair um rico acervo de dados para análises e previsões. Essa é uma tendência que não admite retrocesso”, assegura a consultora.

BIM é aliado do coordenador de projetos
Engenharia simultânea e BIM podem contribuir para a gestão

As construtoras que já adotam o BIM conseguem, com maior facilidade, fazer a compatibilização dos muitos projetos que integram a obra. Barbara lembra que, nesse caso, há dois profissionais com funções distintas. O coordenador do modelo verifica se todos estão usando a mesma base e trabalhando sobre as mesmas premissas. E o gerente técnico do projeto, que precisa saber interpretar o BIM, deve ter experiência de canteiro. “É ele quem vai identificar, entre milhares de interferências que o modelo aponta, quais são reais e importantes, propondo soluções para eliminar os problemas ainda em fase de projeto. Em uma curva de tempo, a ferramenta permite ao gerente de projetos tomar as melhores decisões”, ressalta.

A boa gestão de projetos é essencial nesse momento de margem de lucros menores e com a concorrência internacional cada vez mais presente em nosso mercado
Barbara Kelch

Aos poucos, vai chegando também ao setor a Internet das Coisas, tecnologia que permite às empresas conhecer o perfil e os desejos dos clientes. “Teremos que dominar e tirar o melhor proveito desse novo ambiente”, comenta.

GESTOR: PROFISSIONAL IMPRESCINDÍVEL

O gestor de projetos deve olhar o conjunto de atividades: da definição de premissas e do business play, passando por quem vai assinar a arquitetura e quais serão os fornecedores, até o fechamento dos contratos, a execução e a entrega. No entanto, como o gerente de projetos ainda é, muitas vezes, o engenheiro responsável ou o coordenador da obra, a prática continua sendo a de fechar as fases de projeto para só então iniciar a execução. Isso resulta em um gap perigoso entre as pranchetas e o canteiro. “Algumas construtoras, porém, já praticam a pré-construção, no entendimento do empreendimento como elemento único”, recomenda Barbara.

Mais do que uma tendência, a gestão de projetos em obras de infraestrutura é, hoje, realidade. O gestor é presença obrigatória nas construtoras e empreiteiras. Entre suas atribuições, está a atuação como interlocutor da empresa junto ao contratante, que pode ser o órgão financiador ou o Estado. “Já em obras privadas menores, o setor compreendeu o retorno que a gestão de projetos madura confere ao seu empreendimento”, comenta.

Algumas construtoras já praticam a pré-construção, no entendimento do empreendimento como um elemento único
Barbara Kelch

MELHORIAS NECESSÁRIAS

Para a consultora, é preciso avançar em gestão de riscos, uma das nove áreas de conhecimento do Project Management Body of Knowledge (PMBoK), negligenciada por muitas construtoras que guardam uma visão otimista de que não ocorrerão surpresas em seus projetos. Assim, não preveem contingências de tempo e custos no cronograma. “Elas trabalham com prazos e custos muito apertados, sem qualquer previsão de eventos inesperados. Decorrem daí os dados do setor mostrando que mais da metade dos projetos não são concluídos no prazo ou não respondem aos custos orçados. Considerar essas variações é absolutamente necessário, exatamente por se tratar de um projeto, e não de fabricação em série”, salienta a consultora.

Entre os próximos passos dessa trajetória, segundo ela, está a implantação do processo de melhoria contínua, aprendendo com os erros de projetos anteriores. “Preocupa-me o fato de que o enxugamento dos quadros das empresas, consequência da recessão, tenha tirado excelentes profissionais do mercado”, observa a consultora sobre o contexto de crise. E finaliza: “No momento em que o crescimento for retomado, talvez as construtoras, por questão de custos, venham a contratar recém-formados ou profissionais menos maduros. Vai demorar para que percebam que a falta de conhecimento será a causa de muitos problemas na obra, principalmente por não terem um bom controle de gestão dos projetos”.

Veja também:
Assista à palestra sobre Gestão de Projetos e BIM: aplicações atuais e perspectivas futuras, com Rodrigo Mioni

Colaboração técnica

Barbara Kelch Monteiro – Arquiteta formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), com MBA em Tecnologia e Gestão na Produção de Edifícios pela Escola Politécnica de São Paulo (Poli-USP) e certificação PMP - Gerente de Projetos, pelo Project Management Institute, Califórnia. É Membro MRICS da Royal Institution of Chartered Surveyors do Reino Unido. Atuou por 20 anos no desenvolvimento de projetos de médio e grande porte e, durante quatro anos, foi consultora em Gestão de Projetos de Capital e Infraestrutura na PricewaterhouseCoopers. Hoje, atua como consultora independente.
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