• Busque fornecedores, produtos e matérias

Produto indisponível

O produto que você buscou se encontra indisponível no momento.

Construcompras
LOGIN:  SENHA:Esqueceu sua senha?

Brasil deve receber 93 novas pontes e viadutos

Complexas, as obras de infraestrutura exigem projetos bem concebidos e detalhados, que avaliam todas as condições do entorno

Redação AECweb / e-Construmarket

novas-pontes-e-viadutos-no-brasil

A construção de pontes e viadutos no Brasil apresenta um rico histórico, sendo que a engenharia nacional já conquistou importantes recordes internacionais nesta modalidade de obra. É o caso da ponte estaiada que será inaugurada na Bahia, em 2018, ligando os municípios de Salvador e Itaparica. Com 1 km de trecho estaiado – dos 12,2 km sobre o mar –, e 125 m de altura, essa será a maior estrutura do tipo em todo o planeta. “A engenharia brasileira conseguiu atingir posição de vanguarda neste tipo de obra, sobretudo nas pontes de concreto protendido”, destaca o engenheiro Joaquim Eduardo Mota, professor da Universidade Federal do Ceará. Novas obras de infraestrutura estão sendo planejadas e executadas em todo o território nacional, consolidando ainda mais o Brasil como referência neste cenário.

De acordo com o estudo elaborado pela Rede de Obras, ferramenta de pesquisa da e-Construmarket, atualmente, o país tem 93 novos projetos de pontes e viadutos, dos quais 30 já estão em fase de execução e outros 63, em fase de desenvolvimento. Grande parte dos investimentos está na região sudeste, que concentra 50 obras.

A engenharia brasileira conseguiu atingir posição de vanguarda neste tipo de obra, sobretudo nas pontes de concreto protendido
Joaquim Eduardo Mota

No ranking por Estado, São Paulo lidera com 23, seguido por Minas Gerais com 12, Rio de Janeiro com oito e Espírito Santo com sete. O levantamento ainda indica que Bahia e Santa Catarina têm seis projetos cada; já Paraná e Piauí terão, em breve, 10 novas pontes ou viadutos, sendo cinco em cada Estado. Outros 15 projetos estão divididos entre seis Estados: quatro no Rio Grande do Sul; três em Goiás; e dois no Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. Fecham a lista Acre, Pará, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Tocantins, com uma obra em cada Estado.

A expressiva quantidade de novas obras de infraestrutura também tem relação com o fato de o país ter sediado a Copa do Mundo em 2014. “Houve uma aceleração na contratação deste tipo de obra”, afirma o docente, lamentando que boa parte delas ainda não tenha sido concluída, mesmo um ano após a realização do mundial de futebol. “Os atrasos não se devem apenas aos recursos escassos, mas também à falta de projetos bem concebidos e detalhados”, comenta. Como obras de infraestrutura têm envolvimento direto com o poder público, o planejamento exige mais cuidado. Projetos de pontes e viadutos são avaliados por órgãos de financiamento e, no caso de verbas federais, a análise, normalmente, é feita pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Segundo Mota, os documentos a serem apresentados são as plantas do projeto, o memorial descritivo e a justificativa da obra, em que o projetista deve apresentar as razões técnicas e econômicas da concepção adotada, memorial de cálculo com os critérios de projeto, normas empregadas, modelos de cálculo, esforços e dimensionamento dos elementos estruturais, planilha de quantitativos e o memorial de quantitativos. "Não há um prazo fixo para aprovação, e a autorização pode ocorrer em 30 dias ou em alguns meses quando correções/ajustes são solicitados”, detalha. Após a liberação, o tempo de execução dependerá de diferentes fatores, como porte da obra, experiência do construtor, metodologia construtiva adotada, equipamentos disponíveis e equilíbrio financeiro. “Em média, nas obras de pequeno porte [até 100 m], o tempo de execução varia entre quatro e seis meses. Já as de porte médio [100 m a 500 m] demoram de seis a 12 meses, e estruturas de grande porte precisam de um a dois anos para ficarem prontas”, afirma.

OBRAS COMPLEXAS

Pontes e viadutos são estruturas submetidas a cargas móveis, que representam a ação do tráfego rodoviário ou ferroviário. “Como consequência dessa mobilidade, a seção do elemento estrutural da ponte ou viaduto sofre uma variação de seus esforços internos, podendo, inclusive, haver inversão de sinal na solicitação, como seções que estão ora comprimidas, ora tracionadas, conforme a posição do veículo”, explica Mota. O projetista deve obter uma curva envoltória de esforços máximos e mínimos para realizar o correto dimensionamento da estrutura. Em razão da natureza dinâmica da carga móvel, o projetista deve verificar, ainda, questões como amplificação dos esforços devido à vibração da estrutura, ressonância e fadiga dos materiais.

DESAFIOS

A construção de pontes e viadutos pode apresentar outros grandes desafios, sobretudo quando há a impossibilidade de utilização de escoramentos, o que exige utilização de metodologias construtivas especiais, como pré-fabricação, balanço sucessivo e tabuleiros empurrados. “A dificuldade está associada ao tamanho da obra, sendo proporcional, por exemplo, à largura de seu maior vão livre”, indica o engenheiro.

As condições do entorno da obra também merecem análises, e o engenheiro deve avaliar as possíveis interferências com as redes públicas de água, esgoto, gás, eletricidade e comunicações, além do impacto no trânsito. “A não observação desses detalhes resulta em grandes atrasos e prejuízos”, adverte. Já no caso de construções em zonas rurais, é importante conferir se materiais e equipamentos podem ser transportados com facilidade para o local da obra.

Quando o desafio é vencer vãos sobre corpos d’água, as pontes devem ter, em primeiro lugar, suas dimensões básicas determinadas para atender a vazão máxima de projeto obtida pelos métodos estatísticos da hidrologia. “O fluxo da água do rio não deve ser significativamente perturbado pela presença da ponte. No caso de rios navegáveis, o vão livre e a altura livre devem atender ao gabarito de navegação estabelecido pelo órgão regulador”, fala o professor. A avaliação do potencial erosivo da água, que pode ter efeito negativo na estabilidade das fundações, é outro ponto a ser levado em consideração. “Rios perenes e com lâmina d’água elevada exigem métodos construtivos especiais devido à impossibilidade do uso do escoramento convencional. Esse caso é típico dos rios da bacia amazônica”, diz.

ESTRUTURAS DURADOURAS

Para o engenheiro, as pontes e viadutos da malha viária nacional constituem um patrimônio público de valor financeiro muito elevado, por isso, merecem um programa de manutenção compatível. O controle da durabilidade se inicia com a adoção de critérios de projeto que permitam enfrentar a agressividade do ambiente de implantação da obra, garantindo a vida útil prevista. “Todas as obras deveriam ter suas características cadastradas em um sistema computacional de gestão de pontes, de modo a prever inspeções periódicas conforme seu grau de importância e tempo de construção. Pelo menos uma vez por ano, os dados de desempenho da obra deveriam ser avaliados, e as eventuais patologias, examinadas. O sistema de gestão deve emitir relatórios, estabelecendo prioridades de intervenção de manutenção nas obras, de forma a prolongar ao máximo sua vida útil. O resultado seria maior racionalidade e otimização no uso dos recursos públicos”, finaliza Mota.

Colaboraram para esta matéria

Joaquim Eduardo Mota – Graduado em Engenharia Civil, em 1983, pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestre na área de estruturas pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ). Doutor na área de estruturas, em 2009, pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP). Atualmente, é professor do Departamento de Engenharia Estrutural e Construção Civil da UFC. Ocupa o cargo de colaborador e consultor técnico da empresa Hugo A Mota Consultoria e Engenharia de Projetos, que tem sede em Fortaleza (CE) e atua na elaboração de projeto de obras de arte especiais.
Gostou deste conteúdo? Cadastre-se para receber gratuitamente nossos boletins.

Complete seu cadastro