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Brasil tem 34 projetos de barragens em andamento

17 empreendimentos já estão em obras e há outros 17 em fase de planejamento. O investimento total chega a R$ 3 bilhões

Redação AECweb / e-Construmarket

Estudo elaborado pela Rede de Obras, ferramenta de pesquisa da e-Construmarket, revela que há 34 projetos de barragens distribuídos pelo Brasil. Totalizando R$ 3 bilhões em investimentos, os empreendimentos se encontram em diferentes etapas, sendo que 17 estão na fase de planejamento e os outros 17 já tiveram suas obras iniciadas. Minas Gerais é o Estado com a maior quantidade de novas barragens, com seis projetos. Na sequência aparecem Paraíba (5), Bahia (4) e Pernambuco (4).

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TIPOS

As barragens podem ser classificadas de diferentes maneiras, por exemplo, levando em consideração o material empregado em sua execução. “Também são separadas em função dos objetivos, como armazenamento de água, formação de lagos para geração de energia ou contenção de rejeitos de mineração”, explica o geólogo Edilson Pissato, professor no departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo.

Geralmente, as barragens usadas no sistema de abastecimento de água e as construídas em hidrelétricas são maiores e feitas de concreto. Já as de mineradoras são executadas a partir de terra compactada, originária do próprio processo de exploração mineral. “Mesmo nesse segundo caso, as estruturas precisam de estudos e critérios técnicos rigorosos para garantir o mínimo de segurança”, ressalta o especialista.

SEGURANÇA

É possível ainda agrupar as barragens analisando sua segurança. “Nesse caso, existem dois grupos: as de rejeitos de mineração e as convencionais”, diz o docente. No Brasil, é extremamente raro acontecerem acidentes com barragens de hidrelétricas ou naquelas construídas para regularização de cursos de rios. “Até porque seria uma enorme catástrofe se algo errado ocorresse com uma das estruturas localizadas em Itaipu”, exemplifica.

A engenharia nacional é mais do que qualificada para construir barragens convencionais. Inclusive, nossas estruturas são mais seguras do que muitas daquelas existentes em países desenvolvidos
Edilson Pissato

Esse tipo, nomeado de convencional, é elaborado com base em projetos adequados e executado seguindo todas as recomendações técnicas. “As estruturas contam também com monitoramento constante. Afinal, há sempre imprevistos na natureza que podem ocorrer tanto durante a construção quanto depois de concluída”, afirma Pissato. A análise frequente é responsável por apontar necessidades de adaptações ou manutenções.

“A engenharia nacional é mais do que qualificada para construir barragens convencionais. Inclusive, nossas estruturas são mais seguras do que muitas daquelas existentes em países desenvolvidos”, destaca o geólogo. No entanto, o cenário é totalmente oposto quando são abordadas as barragens de rejeitos de mineração. “Grande parte do meio técnico concorda que esse tipo de estrutura tem problemas e não é segura. São construídas sem os cuidados das convencionais”, complementa.

Na mineração, a atividade principal é a exploração, e a barragem serve somente para conter os detritos. Por isso, a estrutura normalmente é encarada pela mineradora como um custo. “Visando maximizar seu lucro, a empresa acaba reduzindo o investimento destinado para a barragem”, explica.

Além disso, a estrutura é executada aos poucos e financeiramente não compensa construir uma grande estrutura que demorará 30 anos para ser totalmente preenchida. Assim, o minerador acaba fazendo um primeiro dique de cinco metros e, quando este estiver cheio, começa a construção de outro e, assim, sucessivamente. “A obra vai acontecendo aos poucos, o que dificulta a instalação de sistemas adequados de drenagem”, comenta o professor.

O próprio método construtivo utilizado em barragens de rejeitos de minérios colabora para torná-las inseguras. A estimativa é que 90% dessas estruturas tenham sido executadas sobre o próprio material de rejeitos. Esse era o caso da barragem de Fundão, em Mariana (MG), que rompeu em novembro de 2015 provocando o maior desastre ambiental da história do Brasil. “A alternativa é escolhida por proporcionar menor custo”, indica o docente.

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Barragem da Usina Hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu, Paraná (Samuel Kochhan/ Shutterstock.com)

SEM MUDANÇAS

Mesmo após a tragédia de Mariana, efetivamente não houve grandes mudanças na execução das barragens de rejeitos de minérios. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) – órgão federal responsável por cuidar da mineração – passou a exigir relatórios detalhados sobre as condições das estruturas em todo o país. “Porém, essa ação não é muito efetiva, somente obrigando o minerador a apresentar a documentação técnica e a lidar com alguma burocracia”, analisa Pissato.

A construção precisa seguir à risca o projeto e tudo deve ser feito levando em consideração as condições do entorno
Edilson Pissato

Prova é que a estrutura de Mariana estava em conformidade com o manual de vistorias. O relatório pede somente uma inspeção externa da barragem. Mas, em Minas Gerais, foram as pressões internas que se elevaram e causaram o rompimento.

As revisões das técnicas construtivas, que deviam ser consideradas as iniciativas mais importantes, acabaram ficando de lado. “O assunto chegou a ser debatido com o impacto inicial causado pela tragédia. No entanto, a discussão esfriou e caiu no esquecimento. Com isso, as coisas permanecem da mesma maneira que estavam antes do ocorrido”, diz o geólogo.

INSTRUMENTAÇÃO

Um dos principais cuidados para evitar a reedição da tragédia de Mariana é o monitoramento constante e adequado. Essa verificação deve ser realizada com base em instrumentos específicos, que têm a função de aferir as reais condições das barragens. “O procedimento já ocorre nas estruturas convencionais, mas, nas de rejeitos de minérios, as vistorias ficam restritas a análises visuais”, fala o especialista.

MAIS SEGURANÇA

A construção de uma barragem considerada segura começa com a elaboração de um estudo do meio físico. Nesse levantamento são classificados os tipos de solo e subsolo, estruturas geológicas, condições de água, entre outros elementos. “Também é preciso realizar investigação geotécnica, atividade fundamental para qualquer obra e, em especial, para as barragens. Afinal, são grandes obras que impõem tensões elevadas no solo”, diz o docente.

Independentemente da tipologia, a execução deve ser feita de acordo com as diretrizes das normas técnicas e sempre empregando os materiais adequados. “A construção precisa seguir à risca o projeto e tudo deve ser feito levando em consideração as condições do entorno”, recomenda o professor.

NORMAS TÉCNICAS

Não existem normas técnicas específicas para essas construções. O que há é uma vasta coletânea de diretrizes para cada etapa do projeto e execução. “Mais de 50 normas precisam ser seguidas, como as que norteiam o processo de sondagem e de realização do aterro”, acrescenta Pissato. Estão disponíveis, também, publicações e livros sobre os procedimentos adequados.

Colaboração técnica

Edilson Pissato – Graduado em Geologia pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP). Tem os títulos de mestre e doutor pela Escola Politécnica da USP. É professor no Departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental do Instituto de Geociências da USP. Exerce atividades de pesquisa e ensino direcionadas à área de geologia de engenharia, com ênfase em cartografia geotécnica, estabilidade de taludes em solo e rocha e caracterização de maciços. Responsável pelas disciplinas: Geologia de Engenharia, Metodologias de Mapeamento Geotécnico, Geologia e Urbanização e Cartografia Geotécnica.
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