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Condomínios de casas representam 10% dos lançamentos no interior de SP

Sorocaba, Itu, Jundiaí e Indaiatuba concentram o maior crescimento da oferta de unidades residenciais. Nesses municípios, a demanda por imóveis é maior que a média estadual e nacional

Redação AECweb / e-Construmarket

Condomínios-de-casas

Em levantamento realizado pela Rede de Obras – ferramenta de pesquisa da e-Construmarket – o interior de São Paulo possui 165 condomínios de casas em andamento. São 37.705 casas, sendo que 13.060 estão em lançamento e 24.645 em construção. Ainda para este ano, há a previsão de entrega de 6.440 unidades. “A maioria dos lançamentos são voltados para a classe média alta. Há previsão, porém, de projetos para o próximo ano, 2015, destinados ao programa Minha Casa Minha Vida na região de Ribeirão Preto”, diz Fernando Paoliello Junqueira, diretor da Regional Ribeirão Preto do SindusCon-SP.

De acordo com Junqueira, existem condomínios de casas, em construção ou em lançamento, nas principais cidades da área abrangida pela Regional Ribeirão Preto, como Franca, Araraquara, São Carlos e Sertãozinho, além da própria cidade-sede. “Em nenhuma delas, porém, esses empreendimentos são maioria. Atualmente, apenas 10% do total de empreendimentos lançados representa os condomínios de casas”, acrescenta.

Situação semelhante é relatada por Elias Stefan Junior, diretor da Regional Sorocaba do SindusCon-SP, que abrange 75 municípios da região. “Existem também os loteamentos fechados onde cada morador constrói sua casa. Sorocaba, Itu, Jundiaí e Indaiatuba são as cidades onde ocorre o maior crescimento de oferta de unidades residenciais. Nesses municípios, a demanda por imóveis é maior que a média estadual e nacional. Quando se estimava um crescimento de 4% do PIB, Sorocaba crescia entre 10 e 12%”.

MINHA CASA MINHA VIDA

O impacto do programa MCMV nas cidades atendidas pelo SindusCon-SP Regional Sorocaba surpreendeu o setor. “Esse programa beneficia não somente as pessoas que precisavam de moradia. Ele atendeu também a um pleito, em que o SindusCon participou ativamente com o governo Federal, buscando atender a demanda existente e o aumento do número de contratações. Hoje são cerca de 3,6 milhões de funcionários atuando na construção civil do estado. Houve um crescimento assustador”, diz Stefan Junior.

Atualmente, apenas 10% do total de empreendimentos lançados representa os condomínios de casas
Fernando Paoliello Junqueira

De acordo com ele, existem também conjuntos residenciais para a faixa 1 (renda familiar de até R$ 1,6 mil), mas que não são condomínios e sim bairros. “É uma parceria público-privada, ou seja, a prefeitura, o governo do estado e as incorporadoras formatam o empreendimento para atender a esse público. Mas mesmo na faixa 1 já acontece uma oferta muito grande de apartamentos, e não mais de casas, em função das dificuldades de obtenção de áreas disponíveis”.

Já na região atendida pela regional de Ribeirão Preto, segundo o diretor, o impacto do MCMV foi maior nas cidades com mais de 50 mil habitantes, como Ribeirão Preto, Franca, São Carlos, Araraquara, Barretos, Sertãozinho e Jaboticabal.

VERTICALIZAÇÃO

Stefan Junior comenta que a grande maioria dos lançamentos, para famílias com renda superior a cinco salários mínimos, são apartamentos, empreendimentos verticais. “Está cada vez mais difícil empreender condomínios de casas em função do custo do terreno e do rateio de infraestrutura, taxas condominiais. Mais de 80% dos imóveis em lançamento ou em construção são verticalizados – tendência no mercado”.

De acordo com ele, para as incorporadoras os condomínios de casas são inviáveis, uma vez que o custo fica muito elevado para os compradores. “O índice de aproveitamento do terreno é baixíssimo. É possível colocar o mesmo produto, com a mesma qualidade, e até com um sistema de lazer melhor, porém verticalizado”.

ÁGUA

A falta de água em algumas regiões atendidas pelo SindusCon – Regional de Sorocaba – já reflete na construção de empreendimentos imobiliários com poço artesiano. “A perfuração de poços é prática que se consolida, uma vez que o poder público não tem condições, em algumas situações, de atender a demanda de fornecimento de água para esses empreendimentos. Porém, isso depende de uma análise criteriosa para saber se existe capacidade no subsolo, um lençol freático que dê vazão suficiente para atender a demanda”, comenta Stefan Junior.

Ele explica que no município de Sorocaba, a maioria dos empreendimentos é atendida pelo SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto. “Há uma grande participação do setor privado nos investimentos para melhoria da rede de abastecimento, tanto em termos de água quanto de esgoto. Ou seja, os custos estão sendo pagos pelas duas partes. A iniciativa privada está sendo chamada a comparecer, para minimizar os investimentos do município. O que é justo e saudável”, comenta.

Está cada vez mais difícil empreender condomínios de casas em função do custo do terreno e do rateio de infraestrutura, taxas condominiais. Mais de 80% dos imóveis em lançamento ou em construção são verticalizados – tendência no mercado
Elias Stefan Junior

Em Itu, por exemplo, devido ao racionamento de água desde fevereiro, foi decretado em agosto passado que nenhum empreendimento imobiliário residencial será aprovado no município pelos próximos 120 dias. “O município de Itu não tinha outra opção a não ser tentar inibir o consumo por um período, até que se busque uma normalização do abastecimento. Evidente que isso pode impactar um pouco o mercado, já que novos lançamentos e obras não poderão ocorrer. Em relação às obras em andamento, as incorporadoras estão comprando água de caminhão pipa para abastecer os canteiros”, diz o diretor da regional de Sorocaba. Mas o consumo de água nas obras é muito relativo: dependendo do estágio, o consumo é ínfimo. É maior somente na fase de fundações e estruturas. “Foi uma medida inteligente tomada pelo município de Itu, pois não havia outra alternativa, tanto que a própria prefeitura está importando água para atender aos munícipes”, complementa.

EXPECTATIVAS PARA 2015

“Os primeiros meses de 2015, principalmente, devem ser de ajustes nas contas públicas, com aumentos de combustíveis e energia. Isso deve gerar uma retração nos negócios. Nossas projeções, dentro do SindusCon-SP, são de crescimento do setor entre 1% e 1,5% para este ano e também para 2015”, afirma Junqueira.   

Segundo o diretor da regional de Sorocaba, todos os setores estão apreensivos com a economia. “Sempre que há uma mudança de governo acontecem alterações e adequações, que normalmente são feitas, e impactam o mercado. Mas o mercado está atento e trabalhando para minimizar os impactos. A expectativa é de manter o equilíbrio no número de vendas e de lançamentos. Não podemos deixar de considerar que, crescendo o desemprego, há possibilidade de mudança nas vendas. O grau de endividamento está relativamente alto, mas o mercado imobiliário continua com bastante procura e existe um déficit habitacional muito grande ainda”, conclui.

Colaboraram para esta matéria

Elias Stefan Junior – Administrador de empresas, sócio-proprietário do Grupo Alavanca, e diretor da Regional Sorocaba do Sindicato da Construção Civil – SindusCon-SP. Atua no setor da construção civil há mais de 40 anos. Formado em Administração de Empresas pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, atual Uniso, dirigiu ao lado do pai e do irmão a Construtora 2 Irmãos e a Master Comercial Construtora, construindo unidades residenciais nos anos 1970 e 1980. Em 1986, foi convidado por Fernando Stecca Filho, fundador da Construtora Alavanca, para trabalhar na empresa, onde, atualmente, é sócio.
 
Fernando Paoliello Junqueira – Engenheiro civil e diretor da Regional do Sinduscon-SP Ribeirão Preto. Formado pelo Centro Universitário Moura Lacerda, de Ribeirão Preto, em 1979, é sócio-fundador da CP Construplan, empresa que atua no setor da construção civil desde o início dos anos 1980. Fez parte da última diretoria da Regional, como adjunto de Capital Trabalho, função na qual, entre outras ações, ampliou o funcionamento do CPR – Comitê Permanente Regional, levando o comitê tripartite a outras cidades da região. Com atuação destacada na defesa do setor, Fernando Junqueira também foi o representante da Regional no Condema – Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Ribeirão Preto.
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