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Cresce número de shoppings centers no interior

Empreendimentos correspondem a 75% dos lançamentos previstos para 2014

Redação AECweb / e-Construmarket

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De 2012 para 2014 o número de shoppings centers no Brasil aumentou cerca de 30%, passando de 515 para 668, contabilizados os empreendimentos já em funcionamento ou em diferentes fases de projeto. O levantamento realizado pela Rede de Obras, ferramenta de pesquisa da e-Construmarket, mostra que São Paulo lidera o ranking nacional com 222, seguido por Minas Gerais que tem 70 centros de compras e o Rio Grande do Sul com 52. Já o Rio de Janeiro dispõe de 47, o Paraná de 39, Santa Catarina de 31 e a Bahia de 26. O estado de Pernambuco soma 23 shoppings, Espírito Santo 21, Ceará 19 e Pará 14. São 12 no Amazonas, assim como em Goiás e Maranhão. Enquanto o Distrito Federal tem nove centros de compras, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul têm oito cada um. Piauí, Rondônia e Sergipe acumulam seis shopping centers em cada estado, e o Rio Grande de Norte tem cinco. Na lanterna, com quatro empreendimentos em cada um, aparecem Alagoas, Paraíba e Tocantins, e dois no Acre, assim como no Amapá e em Roraima.

Agora, na quarta geração, os empreendimentos estão alcançando as pequenas cidades. O que consideramos uma evolução natural do expansionismo da indústria de shopping centers, à medida que a demanda pelo consumo qualificado e, consequentemente, a demanda dos consumidores por lojas de renome e/ou marcas conhecidas passa a ser um polo de atração para novos investimentos
Michel Cutait

De acordo com Michel Cutait, diretor Executivo da Make it Work, a indústria de shopping centers está passando pela sua quarta geração de expansão no país. “De forma geral, os primeiros empreendimentos começaram no final da década de 60 e, durante a década de 70, especialmente, nas grandes capitais. Na segunda geração, os centros de compras alcançaram as grandes áreas metropolitanas dessas capitais e, na terceira geração, ganharam as cidades médias, que costumam ser pólos regionais nos seus estados. Agora, na quarta geração, os empreendimentos estão alcançando as pequenas cidades. O que consideramos uma evolução natural do expansionismo da indústria de shopping centers, à medida que a demanda pelo consumo qualificado e, consequentemente, a demanda dos consumidores por lojas de renome e/ou marcas conhecidas passa a ser um polo de atração para novos investimentos”, explica.

PERFIL

Em 2014, segundo Cutait, o perfil dos novos shopping centers está bastante fundamentado no vetor de crescimento em direção às cidades menores, com população entre 100 a 500 mil habitantes, e que nem sempre estão próximas às capitais. “Esses empreendimentos correspondem a 75% dos lançamentos previstos para 2014. Em geral, são considerados de médio porte, com uma média de Área Bruta Locável (ABL) entre 20 mil m² e 26 mil m². Neste momento da indústria, os empreendimentos ainda são, predominantemente, shopping centers tradicionais, com grande variedade de lojas, projetos de um ou dois pavimentos, normalmente fechados, com estacionamento aberto, e ancorados por supermercados, cinemas e lojas grandes e renomadas”.

A Abrasce - Associação Brasileira de Shopping Centers – segundo suas definições e convenções, considera shopping center o empreendimento com ABL normalmente superior a 5 mil m², formados por diversas unidades comerciais, com administração única e centralizada, que pratica aluguel fixo e percentual. Na maioria das vezes, os empreendimentos dispõem de lojas âncoras e vagas de estacionamento compatíveis com a legislação da região onde está instalado.

Em 2014, de acordo com a associação, foram inaugurados no Brasil 11 shoppings e estão previstos até o final do ano mais 14. O setor deve crescer 8,5% em relação ao ano passado, o que corresponderá a um total de R$ 140 bilhões em faturamento. Em 2013, o setor registrou um total de 38 inaugurações e faturamento de R$ 129,9 bilhões, crescimento de 8,6% sobre 2012.

TENDÊNCIA

Especialmente nos grandes centros urbanos, principalmente nas capitais, há uma tendência que o modelo tradicional de shopping center seja complementado por outros, como strip malls, outlets, open malls, lifestyle ou temáticos. “Além daqueles que são incorporados a aeroportos, estações de metrô e demais espaços públicos. O que é muito bom, já que possibilita ao consumidor várias opções de compras, lazer e entretenimento, além de proporcionar aos empreendedores diversificarem seus investimentos, minimizando os efeitos da concorrência e gerando mais valor para seus ativos e parceiros de negócio”, diz o especialista.

Ele comenta que essa tendência começa a mostrar um forte apelo em cidades importantes como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Curitiba, Salvador e Fortaleza. “E ainda não se pode dizer que ganhou expressão em cidades médias e muito menos nas pequenas. Isso porque, nesses municípios, o modelo tradicional ainda está em desenvolvimento, mantendo o poder de atração aos consumidores locais”.

CLASSE C

O aumento de poder de consumo da Classe C, de acordo com o diretor, foi um fator determinante para a expansão da indústria de shopping centers. “Principalmente nos últimos cinco anos, exatamente quando começaram a ser lançados e inaugurados os novos shopping centers em locais mais distantes das grandes capitais e em cidades médias e pequenas. Isso ocorreu devido à entrada de um contingente significativo de novos consumidores, que foram estimulados pela facilidade de crédito e também pela democratização da informação puxada pela internet, permitindo que a demanda aumentasse e, consequentemente, a oferta do varejo também crescesse. O que gerou uma forte expansão no mercado varejista em busca de novos pontos comerciais, que, então, criaram as condições ideais para que novos investidores e shopping centers fossem lançados e construídos”, afirma Cutait.

A relação da oferta e da procura é uma regra que se mostra muito apropriada ao setor. As atividades de varejo são um termômetro aguçado para identificar as necessidades dos consumidores e, de acordo com essas necessidades, terão maior ou menor relevância para aquela localização
Michel Cutait

CAPITAL PAULISTA

A cidade de São Paulo tem hoje o maior número de shopping centers do Brasil. “Porém, se for feita uma análise mais detalhada sobre a localização desses empreendimentos, é possível afirmar que boa parte deles está em áreas cujas taxas de adensamento populacional são grandes e, mais do que isso, são muito qualificadas. Ou seja, em São Paulo os shopping centers estão localizados onde há uma circulação maior de pessoas e de capital e, portanto, acabam ficando muito concentrados em regiões ricas da cidade. Apesar de existirem shopping centers enormes em regiões mais descentralizadas da capital, como o Aricanduva e o Interlagos, ainda existem grandes áreas de crescimento na capital que podem receber novos empreendimentos. Mas esses eventuais lançamentos dependem de uma análise bastante rigorosa em termos de viabilidade econômica, financeira e das necessidades do mercado consumidor local”, comenta o diretor.

Para ele, certamente, até mesmo pela grande distância que existe entre os bairros e regiões da capital, quanto mais perto um shopping center estiver localizado dos seus possíveis consumidores, mais atrativa será a sua implementação. “A relação da oferta e da procura é uma regra que se mostra muito apropriada ao setor. As atividades de varejo são um termômetro aguçado para identificar as necessidades dos consumidores e, de acordo com essas necessidades, terão maior ou menor relevância para aquela localização”.

Colaborou para esta matéria

Michel Cutait – especialista em Shopping Center e Varejo. Atualmente, é Diretor da Make it Work - Shopping & Varejo. Além disso, é advogado no Brasil e Portugal, escritor, professor de cursos de extensão e pós-graduação em Shopping Center e Varejo. Formado em Mercado de Ações pela BMF&Bovespa. Fez curso de Empreendedorismo no Varejo na Babson College em Boston/USA. Fez Mestrado em Marketing pela Curtin University na Austrália e Mestrado em Relações Sociais pela PUC/SP. Formado em Direito pela UNESP/SP, também estudou Doutorado em Economia de Consumo na Universidade de Lisboa em Portugal e MBA em Gestão de Shopping na FGV/SP.
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