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Cresce o número de hospitais no Brasil

A diminuição de clientes nos planos de saúde tem influenciado os projetos de novos centros médicos

Redação AECweb / e-Construmarket

Um estudo elaborado pela Rede de Obras, ferramenta de pesquisa da e-Construmarket, revela que existem 214 novos empreendimentos na área da saúde distribuídos por todo o Brasil, sendo que 112 estão na fase de execução e os outros 102 em desenvolvimento. São Paulo é o estado que concentra a maior quantidade de projetos de hospitais, com 74. Logo na sequência, aparecem Minas Gerais (26), Rio de Janeiro (18), Rio Grande do Sul (17) e Paraná (11).

Diante da atual crise que afeta a economia nacional, o segmento tem investido em nichos de mercado, e em empreendimentos hospitalares. “Recentemente, os planos de saúde perderam milhares de clientes. Por isso, outros formatos de negócios têm surgido, como as clínicas populares, que oferecem consultas e alguns exames a preços mais acessíveis”, explica o arquiteto Antonio Carlos Rodrigues, sócio-diretor da ACR arquitetura.

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Corredor vazio com cadeiras de um projeto hospitalar (beerkoff/ Shutterstock.com)

Os projetos de empreendimentos de saúde têm características próprias. “A diminuição de pacientes no setor privado aumenta ainda mais o fluxo de pessoas nos hospitais públicos, que devem ser projetados para esse alto tráfego de pacientes. Por exemplo, optando por materiais que sejam robustos e resistentes. Outra solução importante é prever corredores e salas amplas”, recomenda o profissional.

Já nos hospitais privados, o uso de alta tecnologia é um dos principais aspectos que interferem no projeto arquitetônico. “Esses equipamentos exigem adequações dos espaços em relação ao consumo de energia, à área de locomoção e ao controle de temperatura, entre outros detalhes técnicos”, complementa Rodrigues.

PROJETANDO HOSPITAIS

Os principais eixos de um projeto hospitalar são uma edificação esteticamente atraente; operacionalmente funcional e confortável; alinhada com as normas vigentes para o setor; e, sobretudo, segura. “Se compararmos as salas de cirurgia com os centros de diagnósticos, teremos configurações arquitetônicas bem diferentes e com estruturas totalmente distintas”, ressalta o profissional.

A diminuição de pacientes no setor privado aumenta ainda mais o fluxo de pessoas nos hospitais públicos, que devem ser projetados para esse alto tráfego de pacientes
Antonio Carlos Rodrigues

O responsável pelo projeto arquitetônico deve ter ciência sobre o funcionamento de cada ambiente hospitalar, pois assim conseguirá planejar a infraestrutura necessária. “Em nossa experiência de 16 anos nesse mercado, temos percebido que é essencial o conhecimento dos procedimentos da saúde para se desenvolver qualquer trabalho”, fala Rodrigues.

O arquiteto tem liberdade para optar por qualquer sistema construtivo, desde que a solução especificada não restrinja a possibilidade de alterações na configuração da edificação. Reformas e obras acontecem com certa frequência em hospitais, adequando o empreendimento às demandas de mercado e novas tecnologias. “É preciso que o sistema construtivo apresente um layout flexível”, destaca o profissional. O pé-direito alto é outra recomendação que vale para todos os centros de saúde, pois viabiliza a passagem de grandes máquinas usadas na realização de exames.

Apesar de não ser uma regra, alguns hospitais têm suas lajes e estruturas reforçadas para que suportem os pesados equipamentos médicos. “Diria que prever um peso de 500 kg/m2 está ótimo. Já as exceções são tratadas individualmente”, diz Rodrigues.

Os sistemas de automação também são elementos importantes, que precisam estar no projeto. Além de especificar soluções que automatizam portas, iluminação, ar condicionado, entre outros, também é recomendável pensar como essas tecnologias serão monitoradas. “Funcionando adequadamente, elas ajudam muito na operação diária do edifício e diminuem consideravelmente os custos de operação”, complementa o arquiteto.

Um cuidado obrigatório nesses projetos é com a acessibilidade, já que recebem grande quantidade de pacientes com dificuldades de locomoção. “Qualquer edificação tem de atender à ABNT NBR 9050 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Nos centros de saúde, a preocupação deve ser ainda maior”, ressalta Rodrigues.

O olhar multidisciplinar de toda a equipe que traça o projeto, junto com o cliente, é de suma importância quando se trabalha com uma arquitetura tão especializada
Antonio Carlos Rodrigues

OLHAR MULTIDISCIPLINAR

A sustentabilidade também deve ser prioridade nesses empreendimentos. “A edificação não pode fazer mal à saúde ou à sociedade, afinal é um edifício voltado para o cuidado. Há quatro aspectos que precisam ser abordados: sustentabilidade cultural, social, econômica e do meio ambiente”, fala o arquiteto.

Os espaços devem ser pensados para o paciente se sentir acolhido a partir da recepção. São complexidades inerentes ao setor de saúde: tecnológicas, operacionais e humanas, que necessitam ser equacionadas desde a concepção do projeto, mesmo que depois sofram ajustes. “Na arquitetura de empreendimentos de saúde, as soluções são muito peculiares. Não basta que funcionem bem: deve existir uma integração de várias áreas em uma engrenagem. Afinal, falhas podem ser irreversíveis, pois envolvem vidas”, afirma o profissional.

O sistema de ar condicionado, por exemplo, não deve ser projetado objetivando-se somente o conforto térmico, mas sim planejado para minimizar os riscos de potenciais contaminações. “O olhar multidisciplinar de toda a equipe que traça o projeto, junto com o cliente, é de suma importância quando se trabalha com uma arquitetura tão especializada”, finaliza Rodrigues.

Colaboração técnica

Antonio Carlos Rodrigues – Arquiteto formado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP), fundou, em 1998, a ACR Arquitetura. Atualmente, comanda o escritório junto com outros dois sócios, os arquitetos Rafael Tozo e Pablo Polop. A empresa tem expertise em arquitetura hospitalar e de saúde, como centros de diagnóstico, laboratórios e clínicas de reprodução humana. Em seu portfólio, estão clientes como Fleury Medicina e Saúde, Clínica Huntington, Hospital do Coração, Dr. Consulta, Hospital das Clínicas de São Paulo e Colégio Miguel de Cervantes.
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