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Empreendimentos em obras no Brasil crescem 3%

Contudo, mercado imobiliário ainda apresenta desaceleração, com altos índices de vacância nas grandes cidades do país

Redação AECweb / e-Construmarket

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As edificações catalogadas no estudo são de diferentes categorias (komisar/ Shutterstock.com)

Levantamento realizado pela Rede de Obras, ferramenta de pesquisa da e-Construmarket, indica que existem 926 projetos de empreendimentos sendo executados em todo o Brasil. A região Sudeste concentra a maior quantidade de edificações, com 479. Na sequência aparecem Sul (182), Nordeste (136), Centro-oeste (83) e Norte (43). Há, ainda, outros três projetos que não têm local definido. Comparando os dados com aqueles coletados em outubro de 2015, é possível verificar um aumento de 3% no total de empreendimentos mapeados, já que no ano passado estavam sendo executados 903 projetos.

As edificações catalogadas no estudo são de diferentes categorias. Na classificação por tipo de projeto, os hotéis aparecem no primeiro lugar do ranking, com 206 projetos. A lista continua com empreendimentos comerciais (153), centros educacionais (130), hospitais (120), edificações corporativas (85), shopping centers (60), galpões (43) e centros culturais (31). O levantamento também considerou 31 centros de detenção, 29 centros esportivos, 26 supermercados e 12 prédios públicos.

O atual mercado apresenta uma grande oferta de imóveis comerciais disponíveis, o que resulta em altos índices de vacância nas maiores cidades do país. “Esse número está acima do que é considerado normal”, destaca Luiz Fernando Moura, diretor da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). Apesar de o cenário apresentar características próprias em cada região brasileira, de maneira geral, o mercado ainda deve ficar desaquecido, até que volte a apresentar espaço para os novos lançamentos. “Entretanto, ainda não conseguimos afirmar com precisão de quanto será esse tempo de desaceleração”, complementa.

A quantidade de obras tende a ser maior nos estados em que a economia é baseada no agribusiness, setor que vem registrando resultados positivos mesmo com a crise
Luiz Fernando Moura

Mesmo com o país inteiro caminhando em ritmo semelhante, às vezes, algumas situações específicas podem contribuir para que mais ou menos projetos sejam executados. “Por exemplo, a quantidade de obras tende a ser maior nos estados em que a economia é baseada no agribusiness, setor que vem registrando resultados positivos mesmo com a crise. Por outro lado, há casos, como o do Rio de Janeiro, que dependem bastante do segmento de óleo e gás, que está sofrendo muito nesse momento. Com isso, a construção civil acaba tendo seu ritmo influenciado negativamente”, explica Moura.

O MOMENTO DE CRISE

A crise econômica interfere em todos os aspectos do mercado. O estoque que existe hoje é, basicamente, decorrente do momento que o país atravessa. Quando as empresas estão em período de dificuldades, uma das alternativas é deixar o empreendimento que ocupam e migrar para opções financeiramente mais viáveis. “Esse movimento acaba até aumentando o nível de vacância, já que não existe crescimento da demanda”, diz.

O momento também faz com que as empresas optem por diminuir a quantidade de áreas ocupadas e façam o possível para concentrar toda sua operação em um único local. Algumas companhias ainda aproveitam para se mudar para espaços melhores e mais atuais, já que os preços de locação acabam sendo reduzidos devido ao desaquecimento do mercado.

Algo que está se tornando bastante comum é o home office, resultado da combinação do momento econômico com o desenvolvimento da tecnologia no mundo
Luiz Fernando Moura

“Algo que está se tornando bastante comum é o home office, resultado da combinação do momento econômico com o desenvolvimento da tecnologia no mundo. As culturas se modificam, e hoje é uma realidade trabalhar de casa”, fala o profissional. Levar o escritório para dentro da residência contribui, ainda, para a mobilidade nos centros urbanos, porém traz como aspecto negativo o aumento do número de empreendimentos comerciais desocupados.

Segundo Moura, as perspectivas para o futuro dependem bastante do que acontecerá com a economia nacional. “Acreditamos que, superado o atual momento, as obras comerciais serão retomadas. Mas ainda não conseguimos precisar qual o tamanho do lapso que teremos de viver para iniciar a retomada”, analisa.

RESIDENCIAIS X COMERCIAIS

Diferentemente do setor comercial, há demanda no mercado residencial. “Independentemente da situação financeira do país, a vida das pessoas continua. Sempre existirão nascimentos ou casamentos, o que mantém a procura por imóveis novos. A própria troca de emprego e mudança da região onde se trabalha é outro motivo que acaba gerando movimento no mercado residencial”, ressalta o profissional, lembrando que, mesmo nos momentos em que a economia está andando em velocidade baixa, parte desse setor é sustentada pelas necessidades constantes. “Já o mercado comercial sofre mais em períodos de economia em baixo ritmo”, finaliza Moura.

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Colaboração técnica

Luiz Fernando Moura – é diretor da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e diretor executivo da LFM Negócios Imobiliários. Tem MBA em Real State e Desenvolvimento Urbano pela Fundação Armando Alvares Penteado. Possui longa trajetória no mercado imobiliário, tendo atuando em cargos de liderança em importantes companhias do setor por mais de 35 anos. Foi diretor e um dos fundadores da Brazilian Mortgages Cia. Hipotecária até 2004, Presidente da Brookfield no Rio de Janeiro até julho de 2014, e vice-presidente da Ademi-RJ até 2014.
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