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Goiás vê surgir 280 novos empreendimentos, maioria de médio padrão

Nesse Estado de grandes dimensões, convivem a arquitetura popular e colorida com a imobiliária de alto padrão que acompanha o gosto dos grandes centros urbanos do país

Redação AECweb / e-Construmarket

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Estima-se que o Estado de Goiás tem 6,4 milhões de metros quadrados de área construída (creator12 / Shutterstock.com)

Estudo produzido pela Rede de Obras, ferramenta de pesquisa da e-Construmarket, revela que o Estado de Goiás possui 280 empreendimentos, somando 1.306 blocos. Trata-se de um total estimado de 6,4 milhões de metros quadrados de área construída com 55.522 unidades de apartamentos.

O padrão médio se destaca com 3 milhões de metros quadrados referentes a 116 empreendimentos com 18.859 unidades. As obras de 2,5 milhões de metros quadrados do segmento popular estão distribuídas em 120 projetos de 34.165 unidades. As 44 obras voltadas para o alto padrão somam 2.498 unidades, totalizando 882 mil metros quadrados.

A capital tem 153 projetos reunindo 27.921 unidades. É seguida por Anápolis com 53 empreendimentos num total de 10.497 unidades, enquanto Aparecida de Goiânia constrói 32 projetos de 5.634 unidades.

Os 280 empreendimentos se encontram em diversas fases, sendo que 167 estão em execução – desses, 49 estão na etapa de acabamento e 43 em estrutura. Já as outras 113 edificações estão na fase de lançamento/projeto.

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ARQUITETURA GOIANA

A ocupação de Goiás, no século XVIII, por portugueses, paulistas e outros brasileiros é caracterizada pela reprodução de um modo de construir sedimentado em outros lugares. “Claro que com especificidades, porque as circunstâncias em Goiás eram diferentes, em razão da insularidade – não isolamento, porque Goiás tinha conexões por meio de estradas e rios – provocada pelas grandes distâncias dos maiores centros da colônia”, afirma a arquiteta e doutora em História Adriana Mara Vaz de Oliveira, professora da Universidade Federal de Goiás.

Nos seus primórdios, a arquitetura goiana se caracterizou pela simplicidade e singeleza com que foi produzida. “Nada exuberante, dada a precariedade de meios”, diz, citando a Cidade de Goiás, que foi capital até a década de 1930, e Pirenópolis. Já no século XX, com o fortalecimento das conexões de transporte e comunicação, chegaram a Goiás os avanços da construção em termos de materiais, técnicas e mão de obra. Primeiro em centros maiores como a nova capital Goiânia, e aos poucos foi atingindo todo o Estado.

A arquitetura vernácula goiana ainda prepondera em muitos lugares, principalmente nas áreas rurais e municípios menores. Por vezes, alteram-se os materiais de construção, mas permanece o modo de morar tradicional
Adriana Mara Vaz de Oliveira

“Todavia, a arquitetura vernácula goiana ainda prepondera em muitos lugares, principalmente nas áreas rurais e municípios menores. Por vezes, alteram-se os materiais de construção, mas permanece o modo de morar tradicional. Ou seja, a setorização ainda é a área social, íntima e a de serviços, em ordem de aparecimento da frente da casa para o fundo, sendo que é quase regra receber as visitas com certo grau de intimidade na cozinha ou varanda ou área de serviço”, ensina. A professora ressalva que o Estado é grande e tem regionalidades, portanto, ela se refere de modo genérico à região centro-sul, onde concentrou seus estudos.

DIMENSÕES

Apesar de se tratar de uma região com grande amplidão de terras, a sociedade não mostrou, no passado e nem hoje, preferência por moradias amplas. Tradicionalmente, até os grandes comerciantes ou proprietários tinham casas relativamente pequenas. “Bem verdade que uma casa se desdobrava em inúmeros anexos como cozinhas externas e edículas”, fala.

Com o passar do tempo, do século XX em diante, as dimensões dos ambientes eram muito semelhantes às de qualquer lugar do Brasil e assim permaneceram. “As interlocuções entre a arquitetura goiana e as demais sempre se fizeram presentes. Isso se relaciona à arquitetura de projeto, porque a popular manteve-se dentro das suas possibilidades, ou seja, cômodos pequenos e poucos. Atualmente, as mansões ou grandes apartamentos derivam, como em qualquer lugar, do desejo de demonstração de poder”, observa Oliveira.

É inegável, porém, que em Goiás ainda há um apego muito forte às tradições ligadas à terra ou rurais. Essas referências estão presentes nas casas de qualquer nível social, e são jardins, hortas, pomares e duplicidade de cozinhas (a suja e a limpa).

COMPACTOS

A casa goiana sempre foi um ponto de encontro. Antes dos hotéis e hospedagem formal, as residências abrigavam todos que vinham de fora, parentes ou não
Adriana Mara Vaz de Oliveira

“A casa goiana sempre foi um ponto de encontro. Antes dos hotéis e hospedagem formal, as residências abrigavam todos que vinham de fora, parentes ou não. E, de um modo geral, a cozinha sempre teve papel social, porque é ali que se serve o café e o pão de queijo. Dependendo da classe social, essa área de receber ou de convívio social se estende para varandas ou áreas de serviços, que funcionam como varandas”, conta a professora.

Isso demonstra o quanto lugares abertos são fundamentais para o goiano. Sentar à porta da rua, confraternizar numa varanda, fazer um churrasco no quintal próximo a uma árvore são imprescindíveis. Atualmente, surgem as varandas gourmet em casas ou apartamentos, que congregam diretamente a área social à produção de alimentação.

“Acompanham os projetos de arquitetura das grandes cidades, trazidos pelas incorporadoras ‘estrangeiras’ e pelos modismos das exposições de arquitetura de interiores. No entanto, é produto para visita, porque a cozinha do dia a dia ainda existe e funciona cotidianamente, não só aos finais de semana ou festa”, observa.

Goiânia e cidades maiores do Estado já convivem com os apartamentos compactos. A capital recebe pessoas de diversas cidades do interior e também de outros estados que ali vão para estudar ou trabalhar. “Além disso, já tem configurada uma faixa de população urbana que demanda esse tipo de casa, como jovens, idosos, casais jovens ou maduros”, informa. Em outras cidades, essa circunstância não se apresenta com muita ênfase, com exceção de Anápolis. Soma-se o fato de que, em Goiás, há 11 cursos de arquitetura e urbanismo que ajudam a propagar ideias.

A influência dos padrões imobiliários dos grandes centros do país está presente até mesmo nas cores. Neste momento, por exemplo, predomina o branco nos edifícios de apartamentos ou casas de luxo. “A resistência se encontra na arquitetura popular e alguns exemplos extraordinários da arquitetura de projeto ou erudita. A popular porque os seus moradores são mais livres e expressam seu gosto pelo roxo, pelo amarelo-limão, ou qualquer outra cor desconforme. Apesar de que muitos procuram se aproximar do que veem nos bairros ditos ‘chiques’ ou nas novelas”, completa Oliveira.

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Colaboração técnica

adriana-mara-vaz-de-oliveira
Adriana Mara Vaz de Oliveira – Arquiteta (1985) e Mestre em História pela UFG (1999), doutora em História pela Unicamp (2004). Foi professora na Pontifícia Universidade Católica (1989-2010) e, desde 2010, é professora do curso de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-graduação Projeto e Cidade da Faculdade de Artes Visuais (UFG). Publicou os livros “Uma ponte para o mundo goiano: estudo da casa meia-pontense” (2001) e “Fazendas goianas: a casa como um universo de fronteira” (2010).
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