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João Pessoa tem os lançamentos com maior área do país

Preço do terreno em áreas populares, calculado em R$ 2 mil/m², e o custo da construção abaixo da média nordestina são fatores que justificam o cenário construtivo na capital paraibana

Redação AECweb / e-Construmarket

predios

No ranking das dez capitais brasileiras que fizeram, este ano, o maior número de lançamentos imobiliários, João Pessoa se destaca pelos apartamentos de área média superior às demais, apesar de ser a lanterninha em unidades ofertadas. Enquanto São Paulo lidera com 228 lançamentos e um total de 28.675 unidades distribuídas por 312 blocos, a capital paraibana não passou dos 34 empreendimentos, com 2.608 apartamentos alocados em 49 prédios. Mas a área média das unidades paulistanas ficou em 79,55 m² contra 87,14 m² dos apartamentos de João Pessoa.

Dados do estudo da Rede de Obras – ferramenta de pesquisa da e-Construmarket – revelam que o Rio de Janeiro vem em seguida com 11.234 unidades também espaçosas de 83,89 m², distribuídas em 78 lançamentos, seguido por Fortaleza onde foram lançados 59 prédios com 10.306 apartamentos de, em média, 78,10 m². A construção em larga escala de imóveis populares, em São Luís, justifica a menor área média de 48,61 m². É, também, a capital na qual ocorreu o menor número de lançamentos: os 28 empreendimentos do ano totalizam 6.710 unidades. O ranking mostra Belo Horizonte na segunda posição no número de lançamentos com 81 empreendimentos, em um total de 22.190 unidades e 69,15m², em média, cada.

PREÇO DA TERRA

Para Fabio Sinval Ferreira, presidente do SindusCon-JP, a média de 87,14 m² por unidade construída dos empreendimentos lançados em 2014, é explicada pelo fato de que o metro quadrado em João Pessoa é, ainda, muito baixo, se comparado a outras capitais nordestinas. “Imóveis de bairros nobres alcançam entre R$ 4 e R$ 5 mil/m². No segmento popular, o valor cai para R$ 2 mil/m². É claro que existem os de alto luxo, que chegam a R$ 10 mil/m², mas não impactam a conta. Em centros como São Paulo, o custo do terreno é muito alto, assim como o custo de construção. Enquanto os novos apartamentos paulistanos têm área reduzida para serem comercialmente viáveis, aqui conseguimos produzir apartamentos para a baixa renda entre 50 e 100 m²”, revela.

O mercado imobiliário de João Pessoa ainda se mostra bastante aquecido, apesar dos sinais apontarem para uma redução nos lançamentos de novos empreendimentos. “Minha empresa, por exemplo, está adiando novos projetos porque a velocidade de vendas começou a cair em razão da insegurança do mercado neste ano incomum de eventos como a Copa do Mundo e eleições. As pessoas estão pensando duas vezes antes de contratar uma dívida imobiliária, por se tratar de valor mais elevado”, diz Ferreira.

Em João Pessoa, a média de 87,14 m² por unidade construída dos empreendimentos lançados, em 2014, é explicada pelo fato de que o metro quadrado em João Pessoa é, ainda, muito baixo se comparado a outras capitais nordestinas
Fabio Sinval Ferreira

A expectativa, segundo ele, é que o próximo presidente da República precise fazer “fortes ajustes na economia, que poderão levar o país a uma recessão e à decadência do mercado imobiliário”. Apesar de mantidos os elevados volumes de crédito para a compra de imóveis e da disposição dos empresários de realizarem novos lançamentos, há um clima de pessimismo somado ao endividamento das famílias, principalmente na classe média baixa. “As famílias na faixa de três a seis salários mínimos têm renda, mas compraram diversos bens financiados e não conseguem aprovação para o crédito imobiliário. Esse cenário tem dificultado a comercialização”, revela.

Ferreira se refere ao segmento atendido pelo Minha Casa Minha Vida, que ajudou e, ao mesmo tempo, atrapalhou o setor da construção civil paraibano. De um lado o programa criou novas oportunidades, elevando o volume de negócios, mas, de outro, o estado não estava preparado, revelando-se carente de mão de obra. “A partir de 2009 empresários de outros setores da economia se sentiram atraídos pela boa performance do mercado imobiliário, inflacionando os salários e elevando os custos da construção e dos imóveis. O mercado foi prejudicado, mas esses aventureiros já começam a se retirar, pois estão sentindo as dificuldades”.

NOVA DEMANDA

O presidente do SindusCon-JP comemora a chegada dos polos industriais da Fiat Chrysler e da Hemobrás, na zona da Mata de Pernambuco, na divisa com a Paraíba. “Esses complexos vão atrair outras centenas de empresas. Os funcionários – e muitos virão de outros estados – precisarão de casas para morar, desde os operários, potenciais usuários do Minha Casa Minha Vida, até os executivos. E os profissionais de médio e alto escalão vão preferir morar na praia, o que deve ocorrer nos municípios que fazem parte da Região Metropolitana de João Pessoa – a própria capital está a menos de uma hora de Goiânia. Isso vai gerar uma demanda adicional muito grande, favorecendo o mercado imobiliário, que está se preparando”, comenta Ferreira, destacando que esse crescimento no litoral já acontece, mas deve crescer, e muito, no próximo ano. Além disso, diz ele, três fábricas de cimento estão se instalando na Paraíba, que deverá se consolidar como o segundo polo de cimento do país. “Nova oportunidade de demanda por novos empreendimentos imobiliários”.

A expansão do setor imobiliário de João Pessoa nos últimos seis anos impactou o sistema viário, que registra congestionamentos diários. Ferreira explica que esse quadro – próprio das grandes metrópoles, mas antes incomum ali – decorre da defasagem de ruas e avenidas “que são as mesmas de 30 anos atrás”. Os investimentos públicos estaduais e municipais em mobilidade urbana não acompanharam o crescimento da cidade, segundo ele. “Da mesma forma, há um grande número de edifícios antigos abandonados na região central da capital, que poderia ser retrofitado e voltar a ter função e uso”, ressalta o presidente, dizendo que o SindusCon-JP defende que a prefeitura crie estímulos aos proprietários, para que esse passo seja dado.

Edifícios Residenciais - Capitais/Lançamentos - 2014
UF Cidade Unidades Lançamentos Blocos Banheiros Área útil apto. (m²)
SP São Paulo 28.675 228 312 54.664 79,55
RJ Rio de Janeiro 22.190 81 989 45.744 69,15
MG Belo Horizonte 11.234 78 327 22.180 83,89
CE Fortaleza 10.306 59 121 20.787 78.10
PR Curitiba 3.366 52 125 6.303 76,76
PE Recife 4.868 46 52 10.137 63,98
GO Goiânia 10.087 40 362 17.045 60,38
PB João Pessoa 2.608 34 49 6.424 87,14
AL Maceió 5.246 33 69 8.440 64,52
MA São Luis 6.710 28 156 7.660 48,61

Colaborou para esta matéria

Fabio Sinval Ferreira – Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). É sócio-diretor da Unidade Engenharia, empresa com atuação em Mossoró (RN); Campina Grande e João Pessoa (PB). Com passagens pelo mercado da Construção Civil do Maranhão, foi um dos criadores do SIM Paraíba – Salão Imobiliário da Paraíba, que chega à sua sétima edição em novembro próximo. Está na presidência do Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa (SindusCon-JP) desde novembro de 2012.
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