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Mercado hoteleiro receberá 600 novos empreendimentos

Em comparação com o período de forte aceleração – por conta da Copa e das Olimpíadas –, o setor indica fase de desaquecimento

Redação AECweb / e-Construmarket

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Empreendimentos hoteleiros em construção (Syda Productions/ Shutterstock.com)

O mercado hoteleiro nacional receberá 600 novos empreendimentos, sendo que 206 já estão na etapa de construção e os outros 394 em fase de desenvolvimento. A informação consta de levantamento realizado pela Rede de Obras, ferramenta de pesquisa da e-Construmarket. Segundo o estudo, a região Sudeste do país concentra 49% do total de projetos. O ranking revela que o Sul tem 22%; o Nordeste 15%; o Centro-Oeste 11%; e o Norte, 3% do total. Comparando os dados com aqueles coletados no mesmo período de 2015, há uma retração de 22% no total de empreendimentos mapeados. Enquanto no ano passado eram 731 novos hotéis, atualmente são 600.

Parte dessa desaceleração pode ser explicada com base no término dos grandes eventos esportivos. Nos últimos anos, o setor hoteleiro angariou importantes investimentos para que estivesse apto a acomodar visitantes do mundo inteiro que vieram ao Brasil para acompanhar de perto a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

O CASO DO RIO DE JANEIRO

Nesse contexto, o estado do Rio de Janeiro, sede de ambas as competições, foi o que recebeu maior atenção. “No início de 2015, o Rio contava com cerca de 35 mil quartos em operação, incluindo todas as modalidades de hospedagem. Durante as Olimpíadas, o mercado atingiu a marca de 56 mil quartos. Terminado o evento, algumas unidades temporárias foram desativadas, como aquelas localizadas nas vilas olímpicas. Com isso, temos 50 mil quartos em operação atualmente”, detalha Alfredo Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado do Rio de Janeiro (ABIH-RJ), complementando: “Na fase de preparação, foram construídos, pelo menos, 60 novos hotéis e o setor recebeu R$ 10 bilhões em investimentos”.

Contamos com forte trabalho da Embratur para a divulgação do país como destino turístico, além de iniciativas privadas e de outras entidades ligadas ao setor
Alfredo Lopes

Os investimentos realizados no Rio de Janeiro colaboraram para importantes ganhos em infraestrutura e renovação de todo o parque hoteleiro. “Grandes bandeiras internacionais aqui se instalaram, trazendo seu potencial global de vendas e diversificamos nossa oferta de acomodações”, comenta o engenheiro. No passado, a cidade contava, basicamente, com empreendimentos de categorias entre três e cinco estrelas. Agora, o hóspede tem uma oferta muito maior, que vai desde pousadas e albergues até hotéis com padrão internacional de cinco estrelas, de bandeiras como Hilton e Hyatt.

O aumento no número de hotéis cariocas foi suficiente para atender à demanda dos grandes eventos. “A rede operou com excelente ocupação, mas conseguimos atender bem todos os visitantes”, destaca o profissional. A média de quartos ocupados durante as três semanas das Olimpíadas ficou acima de 90%, sendo que em alguns bairros, como na Barra da Tijuca, o número chegou a 100%. Olhando para o futuro, a expectativa é que os projetos de novos hotéis devam perder o fôlego. “Afinal, duplicamos o número de acomodações nos últimos cinco anos”, complementa.

SUPEROFERTA

O risco de superoferta é um dos principais desafios que deverá ser superado pelo setor da hotelaria. “Contamos com forte trabalho da Embratur para a divulgação do país como destino turístico, além de iniciativas privadas e de outras entidades ligadas ao setor que já estão somando forças para, desde já, revertemos esse quadro”, afirma Lopes, analisando que futuros investimentos nesse mercado devem ser, prioritariamente, voltados para a promoção turística e a captação de eventos. Dados do Rio Convention & Visitors Bureau, por exemplo, indicam que já estão confirmados para a cidade 90 eventos nacionais e internacionais, que acontecerão entre 2017 e 2020.

CRISE ECONÔMICA

A situação econômica atual do país não colabora para o otimismo no setor hoteleiro. O Rio de Janeiro, particularmente, depois de viver um bom momento impulsionado pelos grandes eventos, hoje enfrenta graves problemas socioeconômicos. A preparação foi importante, no entanto, para que os desafios futuros sejam enfrentados. “Aproveitamos a oportunidade de nos reposicionar no cenário turístico mundial e nos reinventar em tempo recorde, incluindo infraestrutura de transportes, revitalização cultural e serviços, além de duplicar a oferta de leitos”, recorda o profissional.

Entre os problemas que o desaquecimento econômico causa ao segmento hoteleiro estão a diminuição na quantidade de novas obras e de modernização de empreendimentos, a queda nas médias de ocupação e eventuais reajustes de tarifa. “Assim como para todos os outros setores, trata-se de um momento de grandes desafios”, finaliza Lopes.

Colaboração técnica

Alfredo Lopes – Tem formação em Administração de Empresas e Engenharia Civil pela Universidade Gama Filho. Pós-graduado em Engenharia Sanitária e de Segurança do Trabalho, é hoje diretor da Protel Administração Hoteleira, empresa integrante do Grupo Santa Isabel. Ocupa, ainda, o cargo de presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado do Rio de Janeiro (ABIH-RJ) e também do Rio Convention & Visitors Bureau.
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