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5 pontos para observar ao dimensionar o escoramento de estruturas de concreto

Cálculo do escoramento deve levar em conta cargas permanentes e variáveis, comportamento do solo e esforços horizontais. Saiba mais

Texto: Juliana Nakamura

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O projeto executivo do escoramento deve garantir estabilidade e segurança ao determinar o melhor espaçamento de apoios e vigas em função das cargas atuantes (Crédito: DoublePHOTO studio/ Shutterstock)

Vitais para o desempenho das estruturas de concreto moldado in loco, os escoramentos são responsáveis por suportar temporariamente as cargas da edificação enquanto o concreto não adquire a resistência final.

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A execução bem-sucedida do conjunto ‘escoramento + fôrma’ influencia diretamente a geometria, o acabamento e a qualidade da estrutura final. Deformações, desníveis, acúmulos e vazamento de concreto são alguns problemas que podem resultar do escoramento inadequado. Em casos mais severos, as falhas podem induzir o desabamento da estrutura e gerar acidentes fatais.

A seguir, listamos algumas recomendações para o dimensionamento seguro de escoramentos para estruturas de concreto. Confira:

1) Projeto de escoramentos

O projeto executivo do escoramento deve garantir estabilidade e segurança ao determinar o melhor espaçamento de apoios e vigas em função das cargas atuantes. Ele pode prever a utilização de diversos tipos de apoios, como torres, mesas voadoras metálicas ou escoras.

O dimensionamento precisa levar em conta as cargas permanentes (peso próprio da estrutura) e as cargas variáveis (compostas por equipamentos, pessoas, mangueiras e vibradores, entre outros elementos usados na execução).

A principal referência técnica para subsidiar o trabalho deve ser a ABNT NBR 15.696:2009 – Formas e Escoramentos para Estruturas de Concreto – Projeto, Dimensionamento e Procedimentos Executivos
Nilton Nazar

“A principal referência técnica para subsidiar o trabalho deve ser a ABNT NBR 15.696:2009 – Formas e Escoramentos para Estruturas de Concreto – Projeto, Dimensionamento e Procedimentos Executivos. Essa norma recomenda o mínimo de 2 kN/m², valor que atende a maioria das obras”, comenta o engenheiro Nilton Nazar, diretor da Hold Engenharia.

2) Estabilidade do solo

Para garantir estabilidade aos escoramentos, estudar o solo sobre o qual ele será instalado é fundamental. Tal análise deve ser realizada por engenheiro geotécnico. Vale lembrar que um solo mole resiste menos às cargas aplicadas em comparação ao material mais compacto.

“Nos escoramentos, as cargas geralmente são transmitidas ao solo por meio de fundações superficiais, com placas de base diretamente apoiadas sobre o solo. Em casos especiais pode haver necessidade de se projetar uma fundação profunda, ou utilizar como apoio as fundações existentes da estrutura principal”, explica o engenheiro Lucas Coscia Romagnoli, especialista em projeto e dimensionamento de estruturas em aço e estruturas mistas de aço e concreto da Mills. Segundo ele, para o caso do apoio direto sobre o solo, é importante comparar a tensão superficial admissível do solo com a tensão de compressão atuante proveniente da placa de base.

3) Elementos de ligação

O dimensionamento dos escoramentos deve se atentar, ainda, ao comportamento dos elementos de ligação e dos elementos de apoio. “Uma cunha, por exemplo, pode não ser capaz de transmitir esforços tangenciais por atrito. Uma braçadeira pode ter o comportamento articulado, não transmitindo momentos fletores. Alguns elementos de ligação podem ser excessivamente excêntricos, gerando esforços não previstos”, cita Romagnoli. Ele conta que todas essas situações podem fazer com que a estrutura se comporte de maneira diferente da analisada e trazer sérias deficiências na segurança do escoramento.

4) O contraventamento

O projeto de escoramentos deve prever soluções de contraventamento, obrigatórias em pés-direitos altos, superiores a 4 m. O objetivo é garantir a estabilidade do conjunto e evitar o tombamento lateral das vigas, sobretudo quando não se utilizam torres.

De maneira geral, os escoramentos são constituídos por peças com pouca rigidez à flexão, exigindo um elemento diagonal capaz de resistir a esforços horizontais. “Caso esse elemento não esteja presente, as peças não serão capazes de resistir à flexão e a estrutura entrará em colapso por qualquer esforço horizontal existente, mesmo que proveniente de um desaprumo mínimo”, alerta Romagnoli.

5) A fluidez do concreto

O concreto depositado nas formas influencia o dimensionamento dos escoramentos por três fatores principais:

• Densidade: materiais mais densos geralmente serão mais pesados, aumentado os esforços gravitacionais;
• Módulo de elasticidade: materiais mais flexíveis exigem maior espessura para satisfazer os limites máximos de deslocamentos definidos nas normas;
• Resistência à flexão: materiais menos resistentes devem possuir maior espessura para evitar seu rompimento.

Concretos mais adensáveis resultam em pressões maiores, pois seu comportamento aproxima-se dos líquidos. Concretos menos adensáveis possuem capacidade de resistir a esforços tangenciais internos, exercendo menos pressão sobre a forma
Lucas Coscia Romagnoli

Nesse sentido, segundo Romagnoli, a classe de consistência do concreto irá afetar a pressão hidrostática exercida sobre a parede das formas, sobretudo na concretagem de pilares, paredes ou peças de grande altura. “Concretos mais adensáveis resultam em pressões maiores, pois seu comportamento aproxima-se dos líquidos. Concretos menos adensáveis possuem capacidade de resistir a esforços tangenciais internos, exercendo menos pressão sobre a forma”, comenta o engenheiro.

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Colaboração técnica

 
Nilton Nazar – Engenheiro civil mestre em habitação pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). É diretor Hold Engenharia, empresa especializada no desenvolvimento de projetos de formas e escoramentos
 
Lucas Coscia Romagnoli – Engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, com mestrado na área de Engenharia de Estruturas. Atua na área de projeto e dimensionamento de estruturas em aço e estruturas mistas de aço e concreto da Mills
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