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A industrialização como caminho

Parcerias com fornecedores garantem ao setor da construção civil modernização e qualidade das obras

Redação AECweb / e-Construmarket

suprimento

Antes mesmo de falar em logística de suprimentos, é importante ressaltar que suprimento inclui, além dos materiais, os serviços e a mão de obra. “Os materiais têm que ser supridos por mão de obra e a mão de obra tem que ser suprida por áreas de serviços. A logística de suprimentos é um conjunto de atividades de fundamental importância em qualquer sistema produtivo. É ela que vai direcionar a produtividade, qualidade e nível de serviço ao cliente, ou seja, qualidade de materiais e serviços e cumprimento de prazos. Para tornar mais eficaz o suprimento, é importante um sistema de parcerias com os fornecedores, seja de materiais ou de mão de obra”, afirma Helio Flavio Vieira, professor do Departamento de Engenharia Civil da FURB - Fundação Universidade Regional de Blumenau.

A logística vai direcionar a produtividade, qualidade e nível de serviço ao cliente, ou seja, qualidade de materiais e serviços e cumprimento de prazos. Para tornar mais eficaz o suprimento, é importante um sistema de parcerias com os fornecedores, seja de materiais ou de mão de obra
Helio Flavio Vieira

O critério ideal para o plano de logística de suprimentos é o planejamento, segundo Vieira. “É a palavra-chave da concepção logística e, infelizmente, tão pouco empregada no setor de construção civil. Não é por acaso que a construção civil é o setor manufatureiro com mais problemas relacionados com perdas e desperdícios, geração de entulhos e acidentes de trabalho. Posso destacar um fator muito pouco empregado no setor que poderá contribuir, e muito, para minimizar estes problemas citados que é a ‘industrialização da construção’. Existe ainda uma barreira muito grande dentro do setor para implementação de estruturas metálicas, alvenaria estrutural, formas metálicas ou reaproveitáveis, escoras metálicas, dry wall, steel frame, painéis arquitetônicos. Ou seja, deixar de cortar madeira e ferragem, montar, concretar, colocar tijolo sobre tijolo. Em outras palavras, modernizar a construção, se industrializar mais e, com isso, reduzir todos os problemas decorrentes. Industrializando, irá se chegar onde outros setores chegaram, delegando aos especialistas os componentes do produto final”, explica.

O maior desafio da logística de suprimentos em construtoras é, sem sombra de dúvida, a conscientização da implementação da logística por parte do empresário da construção. “Ele antes de tudo deve ter a vontade de melhorar o seu desempenho, posteriormente, conhecer e entender a logística com todos os seus conceitos, técnicas, princípios e procedimentos. O setor de construção é o único, entre todos os outros setores manufatureiros, que pouca preocupação apresentou, ao longo dos anos, com a logística”, alerta o professor que completa: “A logística de suprimentos não muda com o material, mão de obra e nem com fornecimento de áreas de trabalho. Todos devem ser supridos de forma adequada e muito bem planejada, seja com fornecedores internos, vinculados à empresa, ou com fornecedores externos – parceiros”.

ESTOQUE

De acordo com Vieira, o melhor estoque é aquele que não existe. “Estoque somente gera custos e, no caso da construção civil, a situação se agrava ainda mais pela falta de espaços físicos nos canteiros. Porém, como qualquer sistema produtivo, necessita obrigatoriamente de estoques, e o que se deve fazer é reduzi-los o quanto possível. Para isso, é necessário um equilíbrio muito bem calculado entre o estoque mínimo possível e o atendimento pleno da demanda. Mais uma vez devemos falar em ‘sistema de parceria com fornecedores’ e ‘planejamento’. Ou seja, se todo suprimento - materiais, serviços e mão de obra - for muito bem planejado antes do início da obra, seguramente poderá ser efetuado o sistema de parceria com o fornecedor, principalmente de materiais. O fornecedor se compromete a entregar no prazo estabelecido e, em troca, tem seu produto, garantidamente, colocado no mercado – mutualismo”, afirma.

Industrializando, chegaremos onde outros setores chegaram, delegando aos especialistas os componentes do produto final
Helio Flavio Vieira

Com um perfeito planejamento prévio e levantados todos os suprimentos envolvidos no sistema construtivo, é possível programar o fluxo dos mesmos. “Conhecer a produtividade da mão de obra é outro fator importante. É preciso estabelecer o cronograma de atividades e, consequentemente, o fluxo de materiais envolvidos. Feito isso previamente, o próximo passo é o dimensionamento dos equipamentos de movimentação - vertical e horizontal - e sua aquisição, procurando de todas as formas minimizar a ociosidade dos mesmos”, explica o professor.

DESCARTE DE MATERIAIS

Não é função da logística dar um correto descarte aos materiais. A sua função é prioritariamente reduzir os descartes. “Quando não é possível a eliminação do descarte, e isso quase sempre não é possível, deve-se procurar classificá-lo e dar o destino correto para reaproveitamento. A construção civil ainda é o setor que menos se preocupa com o destino dos seus rejeitos, apesar de toda preocupação que existe hoje com o meio ambiente e também os muitos estudos relacionados ao reaproveitamento de entulhos”, afirma Vieira.

Estoque somente gera custos e, no caso da construção civil, a situação se agrava ainda mais pela falta de espaços físicos nos canteiros
Helio Flavio Vieira

Segundo o professor, uma das novidades que colaboram com a logística de suprimentos é o sistema de parcerias. “Na verdade, não é nenhuma novidade para a logística. Esse sistema já vem sendo empregado em outros setores há muitos anos. Por exemplo, atualmente, não falamos mais em fábrica de carros, mas sim em montadoras. Ou seja, todas as marcas como Fiat, Ford, Volkswagem, preocupam-se apenas em fazer com que seu produto final, o carro, tenha a melhor qualidade possível. Para isso, delegam a fabricação de, praticamente, todos os seus componentes para especialistas. É o que chamamos de industrialização, já mencionado anteriormente. Sendo especialistas na fabricação de um determinado componente, acredita-se, obrigatoriamente, que devesse fazer bem. Desta forma, todos os componentes são, teoricamente, de qualidade e, consequentemente, quando montados certamente gerarão um produto de alta qualidade. Resumindo, as indústrias manufatureiras trabalham com o sistema de parcerias, não necessitando de tomadas de preços, concorrências etc, a cada necessidade de materiais e serviços”, conclui.

Colaborou para esta matéria

Helio Flavio Vieira – Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Rio Grande, pós-graduado em Engenharia de Produção com Mestrado e Doutorado na área de Logística e Transporte pela Universidade Federal de Santa Catarina. Com mais de 35 anos de experiência profissional, tendo exercido sua profissão no setor de construção civil na área de infra-estrutura portuária, rodoviária e de edificações e também em operações portuárias. Possui livros publicados e várias publicações em revistas e sites especializados sobre os temas logística e transporte. Exerce atividades docentes em nível universitário de graduação e pós-graduação. Integra comitê científico da Revista GEPROS do Departamento de Engenharia de Produção da UNESP/SP. Faz parte do comitê de pareceristas da Revista FAE de divulgação de produção científica e acadêmica. Integra comissão científica do SIMPEP - Simpósio de Engenharia de Produção (UNESP); a comissão científica de avaliadores do SIMPOI - Simpósio de Administração da Produção, Logística e Operações Internacionais (FGV-SP); o Comitê de Avaliação do Congresso Nacional de Excelência em Gestão (CNEG); o Comitê Científico (Avaliador) do Encontro Nacional de Engenharia de Produção (ENEGEP). Faz parte do Conselho Técnico da Revista Eletrônica Produção & Engenharia (FMEPRO). Consultor ad hoc da FAPESC; ad hoc do MCT/FINEP; e do MEC/SINAES/INEP.
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