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Aproveitar água da chuva é solução para economia e redução de enchentes

O recurso coletado pode ser utilizado para a irrigação de áreas verdes, lavagem de piso e descarga de vaso sanitário

Redação AECweb / e-Construmarket

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O aproveitamento da água da chuva traz benefícios que vão além da economia de água potável. Segundo o consultor Jack Sickermann, a solução também contribui para reduzir as enchentes. “Com o aproveitamento, evitamos que toda a chuva que cai sobre um lote ou construção saia de lá. Cada 10 mm de chuva por metro quadrado equivale a um balde cheio de água e, se temos 100 m², temos 100 baldes cheios de água para usar – ou 1 m³”, reflete o profissional que já atuou em obras de tratamento e aproveitamento de água pluvial na Cidade do Samba, na nova ala do Aeroporto Santos Dumont e no estádio do Engenhão.

Via de regra, a água da chuva é usada para fins não potáveis, preferencialmente para irrigação de áreas verdes, lavagem de piso e descarga de vaso sanitário. Há, por outro lado, equipamentos no mercado que permitem a potabilização da água de chuva, mas esta solução só deve ser utilizada em situações extremas.

A tecnologia de aproveitamento de água pluvial deve ser combinada com outras soluções de reúso
Jack Sickermann

O sistema de coleta e tratamento é o mesmo para uma residência – onde a economia pode chegar a 50% do consumo de água – ou uma indústria. O que muda é que empreendimentos como fábricas, centros de distribuição, shopping centers e hipermercados se caracterizam pela construção horizontal, e suas centenas ou até milhares de metros quadrados de cobertura permitem a coleta de elevado volume de água. Segundo ele, as indústrias também se beneficiam do aproveitamento de água de chuva no seu processo produtivo, em grandes caldeiras, por exemplo.

A condição ideal para implantação do sistema é em projetos novos. Porém, nada impede de fazê-lo em obras preexistentes. “Em uma residência já pronta não recomendo quebrar paredes para a criação de um sistema mais amplo. Nesses casos, podem ser usados os reservatórios já disponíveis no mercado, com aspecto decorativo, para colocação no jardim, por exemplo. É só instalar o filtro e uma torneira para uso na irrigação. Um sistema mais completo pode ser implantado quando o imóvel for submetido a uma reforma”, sugere Sickermann.

Como nos edifícios residenciais a demanda de descarga, rega de jardim e lavagem de piso é muito elevada em relação à pouca área de cobertura para coleta da água de chuva, a solução é instalar o reservatório em pavimento inferior (do primeiro ao terceiro), e a água descerá por gravidade para o jardim e sanitários de serviços do térreo. “Para a obtenção de uma economia importante, a tecnologia de aproveitamento de água pluvial deve ser combinada com outras soluções de reúso”, alerta.

NORMA TÉCNICA REGE A IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA

A ABNT NBR 15527 – Água de Chuva entrou em vigor no Brasil em 2007, possibilitando que o mercado de arquitetura e construção civil se sentisse mais seguro na aplicação da solução, uma vez que a norma rege o sistema de tratamento e aproveitamento de água pluvial no país. Segundo Sickermann, que participou da sua elaboração, a norma tem um texto bem genérico e, entre outras coisas, diz que é preciso empregar um filtro ou uma tela para evitar que sólidos orgânicos contaminem o líquido.

CAPTAÇÃO DE ÁGUA DE CHUVA

A norma indica que a água de chuva só deve ser captada da cobertura e do telhado, de maneira a evitar contaminação por resíduos do tipo gasolina e óleo. “A água da chuva se dirige para as calhas, desce pelo condutor e passa por um filtro. A capacidade de filtração desses equipamentos vai de telhados de 50 m² até aqueles de milhares de metros quadrados, como os que filtram a água de grandes coberturas de fábricas”, exemplifica o consultor.

FILTRAGEM

Depois da coleta, a filtragem é a primeira etapa do tratamento (veja Fluxograma de funcionamento de um sistema de aproveitamento da água da chuva em edificações). O filtro pode ser inserido no condutor da água da chuva. Porém, a maneira ideal de estocagem da água coletada é em cisterna enterrada, com a instalação do filtro antes ou mesmo dentro do reservatório.

A água da chuva se dirige para as calhas, desce pelo condutor e passa por um filtro
Jack Sickermann

Sickermann, que trabalha com filtros de origem alemã, detalha o funcionamento da tecnologia. A água perde velocidade ao cair em uma espécie de bacia e, dali, jorra em cascata, eliminando a sujeira mais grossa. Na parte posterior da cascata, uma tela fina de aço inoxidável impede a passagem de resíduos sólidos. Do filtro, a água desce para o fundo da cisterna através de um tubo, evitando que bata na superfície fazendo marolas. Na base da cisterna tem um freio de água – um cano de 100 mm para uma saída de água de 200 mm. "Ou seja, a água fica quieta ali, porque, quanto mais inerte, mais rápida é a decantação”, explica, lembrando que o freio de água configura a segunda etapa do processo.

RETIRADA

A retirada da água da cisterna é feita por mangueira flexível e uma boia, que faz com que a entrada da mangueira fique 10 ou 15 cm abaixo da superfície – é a chamada água viva. Na quarta fase, entra o sifão ladrão com o papel de evitar a contaminação da água filtrada por elementos da galeria pluvial. O consultor utiliza sistema de sifão com duas aletas que cumpre papel similar ao do skinner na piscina, limpando eventuais resíduos que tenham passado pelo filtro. “A água já tratada pode ser clorada através de dosadores, porém, fora da cisterna”, recomenda Jack Sickermann.

TUBULAÇÕES

As tubulações de água potável e de água da chuva devem ser totalmente separadas e identificadas com cores diferentes. Durante o período de estiagem, a água da chuva reservada se reduz ou acaba. É possível, no entanto, desviar parte da água fornecida pela concessionária para alimentar a caixa de água pluvial, instalando a caixa d’água um pouco acima daquela reservada para a água de chuva. Com boias sempre haverá água suficiente para manter o sistema funcionando.

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Colaborou para esta matéria

Jack M. Sickermann – Graduado em Pedagogia Social pela Escola Superior de Assistência Social e Pedagogia de Berlim, Alemanha. No Brasil desde 1979, foi gerente do Departamento Comercial da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha (RJ) e gerente da BT Consulting. Realiza palestras em diversas cidades do país como convidado do SEBRAE. É gerente da 3P Technik do Brasil, nacionalização e fabricação de equipamentos para captação e aproveitamento da água de chuva, em parceria com a BellaCalha, fabricante de calhas de alumínio de Florianópolis (SC).
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