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Arquitetura pode aumentar a produtividade de equipes em empresas

Projetos corporativos que dedicam atenção a itens como ergonomia, iluminação, acústica e climatização ajudam a garantir o bem-estar dos funcionários, impactando nos resultados do trabalho

Texto: Juliana Nakamura

A percepção de que o bem-estar dos funcionários está diretamente relacionado a ganhos de produtividade tem provocado transformações profundas nos ambientes de trabalho. O objetivo é oferecer aos usuários espaços mais acolhedores, salubres e estimulantes, lançando mão de estratégias arquitetônicas específicas para projetos corporativos. “Satisfeitas e felizes, as pessoas tendem a produzir mais e melhor”, afirma a arquiteta Mariana Guedes, sócia do escritório Arealis.

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Ergonomia do mobiliário merece atenção (Sede da Cetelem – Arealis, Foto: Maíra Acayaba)

CONFORTO AMBIENTAL EM ESCRITÓRIOS

Entre os itens que merecem a atenção dos arquitetos em projetos corporativos destaca-se a ergonomia do mobiliário, sobretudo em peças de intensa utilização, como mesas e cadeiras. O mobiliário deve ser escolhido de modo a facilitar sua utilização e prevenir danos à saúde das pessoas. Para atender às necessidades atuais de mobilidade e alta densidade de ocupação, o projeto pode se valer de estações de trabalho que se ajustem à altura dos usuários, bem como de estações plug-and-play, nas quais não há um lugar fixo para cada funcionário. Também pode contar com cadeiras que se adaptam ao corpo do indivíduo e oferecem liberdade de movimento para profissionais com diferentes portes físicos.

Satisfeitas e felizes, as pessoas tendem a produzir mais e melhor
Mariana Guedes

Igualmente importante é o conforto acústico nos ambientes. “Os ruídos são altamente prejudiciais ao trabalho, pois, além gerarem um ambiente disperso e pouco produtivo, atrapalhando a concentração, são indutores de desgaste e estresse”, comenta a arquiteta Heloisa Dabus.

Conforto térmico é outro requisito essencial para se criar um ambiente de trabalho salubre e confortável, com renovação constante do ar. “Visando a maximizar a produtividade, a temperatura deve ficar entre 20 °C e 23 °C, com umidade do ar oscilando entre 50% e 70%”, diz Guedes.

Para obter essas condições, os recursos utilizados pela arquitetura podem ser os mais variados, como a instalação de anteparos nas janelas para controlar a insolação e a implantação de sistemas de condicionamento de ar com controles individualizados. Em especial para a absorção de ruídos, é indicado o uso de forros especiais, carpetes sobre pisos elevados e divisórias de drywall com recheio de lã mineral.

Leia também: Lã de rocha é solução para conforto acústico de edificações

ILUMINAÇÃO EM ESPAÇOS CORPORATIVOS

Em escritórios e áreas de trabalho em geral, um desafio especial é equacionar as questões ligadas à iluminação. Nesse tipo de ambiente, não basta cumprir os índices mínimos de iluminância indicados nas normas técnicas. “Além dos requisitos técnicos para evitar a fadiga visual, há outros critérios de enorme importância para definir a atmosfera de trabalho e a identidade do espaço”, destaca Guedes, citando como exemplos a cor da luz, as nuances de luminosidade entre as várias áreas de um escritório e o diálogo entre a luz e o partido arquitetônico.

Heloisa Dabus conta que, nesse ponto, uma prática cada vez mais recorrente é o aproveitamento da luz natural, reconhecidamente importante por ajudar a ativar e regular funções básicas do organismo e potencializar a disposição das equipes. O projeto, porém, precisa se aproveitar desse recurso com sabedoria, para não gerar ofuscamentos que atrapalhem os usuários e manter o equilíbrio com a carga térmica no interior do escritório.

Os ruídos são altamente prejudiciais ao trabalho, pois, além gerarem um ambiente disperso e pouco produtivo, atrapalhando a concentração, são indutores de desgaste e estresse
Heloisa Dabus

ÁREAS DE DESCOMPRESSÃO

A criação de ambientes informais e de descompressão é outra tendência que vem se consolidando em espaços corporativos. Esse movimento se baseia na ideia de que o conforto psicológico dos colaboradores é um fator relevante para a retenção de talentos. “Os locais de descompressão ilustram o contrato de confiança celebrado entre a empresa e o funcionário, que pode descansar, refletir e até se divertir, se cumprir suas tarefas e alcançar os resultados exigidos”, afirma Mariana Guedes, ressaltando que, além de valorizar a autonomia do colaborador, os espaços de descompressão favorecem a integração e a troca de ideias e informações.

A nova sede do Mercado Livre, em Osasco (SP), é um projeto que confirma essa tendência. Realizado por athié wohnrath em parceria com Estudio Elia / Irastorza (EEI), foi concebido com base em uma pesquisa que ouviu os principais desejos dos funcionários. Conta com uma série de espaços informais para relacionamento e trabalho, como um jardim com deck de madeira e espreguiçadeiras, academia, salão de jogos e quadra poliesportiva. Já o Corujas, desenvolvido pelos arquitetos do escritório FGMF, deixa o dia a dia dos funcionários mais agradável ao tirar partido de áreas externas como varandas e jardins privativos.

Flexibilização para reter talentos

Em sintonia com uma arquitetura mais humanizada, uma série de políticas vem sendo adotada por grandes corporações para melhorar o bem-estar e, por consequência, a produtividade de seus colaboradores. A intenção é melhorar o clima organizacional, integrar as equipes e reduzir o estresse. Os pet days (dia em que os funcionários podem levar seus animais de estimação para o trabalho) e a instalação de salas de jogos e áreas de relaxamento são alguns exemplos.

A flexibilização dos ambientes corporativos com a expansão do trabalho remoto também vem sendo oferecida como uma oportunidade para os funcionários elevarem sua produtividade e conquistarem melhor qualidade de vida. “Nos Estados Unidos e em alguns países europeus, é cada vez mais comum as empresas oferecerem o trabalho remoto para seus funcionários. O que conta nos tempos atuais é a produtividade, não importando muito se o funcionário trabalha em um escritório formal, em casa ou em qualquer lugar com Wi-Fi”, conclui Guedes.

Para saber mais:
Acessibilidade corporativa já é um direito de todos
Projetos exploram soluções para atender novas demandas de empresas

Colaboração técnica

Heloisa Dabus – arquiteta, titular do escritório Dabus Arquitetura, especializado em arquitetura corporativa.
Mariana Guedes – arquiteta, sócia do escritório Arealis, especializado em arquitetura corporativa.
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