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Artefatos de cimento racionalizam processos construtivos

As peças proporcionam agilidade à obra e homogeneidade ao produto final

Texto: Gabriel Bonafé

Ainda não existe uma definição precisa para artefatos de cimento na indústria da Construção Civil. De forma teórica, qualquer material que utilize cimento como aglomerante pode ser caracterizado como um artefato. Comumente falando, refere-se a produtos decorativos ou peças pré-fabricadas para acabamento de obras.

De acordo com Carlos Petrini, presidente executivo do Sinaprocim (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Cimento) e Sinprocim (Sindicado da Indústria de Cimento do Estado de São Paulo), artefatos de cimento são peças industrializadas que também servem para compor sistemas construtivos de forma total ou parcial.

ARTEFATOS DE CONCRETO

Os artefatos podem ser constituídos de argamassa (cimento, areia e água) ou de concreto (cimento, areia, pedra e água), com fibras, aditivos e pigmentos. Essa possibilidade justifica a troca da palavra cimento por concreto quando se fala em artefatos.


Os artefatos de cimento estão presentes na estrutura da edificação, nas vedações verticais e horizontais e na infraestrutura urbana
Carlos Petrini

Entretanto, essa troca é uma exceção pouco utilizada, uma vez que muitas das peças de concreto enquadram-se como estruturas pré-fabricadas. “O CNAE (Código de Atividades Empresarias) considera que o pré-fabricado de concreto não faz parte dos artefatos de cimento porque os pré-moldados ou pré-fabricados de concreto são, em geral, peças de médio e grande porte que assumem função estrutural na construção, como arquibancadas, lajes alveolares e cortinas de contenção”, revela o engenheiro civil Milton Kerbauy.

APLICAÇÃO

“Os artefatos conferem adorno e acabamento às obras”, afirma Arley Zarattini, proprietário da Artefatos de Cimento Cilage. Dentro dessa concepção, encontram-se molduras, pináculos, ladrilhos, capitéis, bancos, chafarizes, chaminés, balaústres, entre outros. Costumam ser utilizados em paisagismo, jardinagem e edificações multifuncionais, unifamiliares e multifamiliares.

Os artefatos de cimento também podem ser utilizados em obras de portes maiores. “Estão presentes na estrutura da edificação, nas vedações verticais e horizontais e na infraestrutura urbana”, cita Petrini.

Nesse campo de aplicação, destacam-se os elementos estruturais de portes menores, como blocos para alvenaria, pisos intertravados, aduelas, canaletas, caixas de passagem elétrica ou hidráulica, escadas, fossas sépticas, mourões, parapeitos, postes, vigotas maciças ou treliçadas, entre outros.

VANTAGENS E DESVANTAGENS

“A utilização de artefatos de cimento racionaliza a construção, diminuindo desperdícios decorrentes da interferência manual, além de retrabalho para correção de imperfeições que ocorrem na moldagem in loco”, aponta o presidente do Sinaprocim e Sinprocim.

Em síntese, os artefatos proporcionam agilidade à obra e homogeneidade ao produto final. “O controle da pré-fabricação também maximiza a durabilidade da peça”, completa Artur Sartorti, mestre em Engenharia Civil com ênfase em Estruturas.

De acordo com Libânio Pinheiro, professor do Departamento de Engenharia de Estruturas da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP), os artefatos de cimento também possuem suas desvantagens. “Uma é o peso próprio elevado. Outra é o custo de transporte, no caso de obras a grandes distâncias”, considera.

Mesmo assim, as dificuldades apresentadas possuem suas soluções. “A primeira pode ser contornada pelo uso de concretos leves, como o concreto com EPS (poliestireno expandido). E as grandes distâncias podem ser resolvidas com a montagem de fábricas provisórias no canteiro de obra ou perto dela”, recomenda.

Para Pinheiro, aumentar a proximidade entre fábrica e canteiro pode reduzir custos com outras questões além do transporte. “Há situações em que a execução no canteiro da obra pode ser usada para contornar a incidência de impostos, como o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), cuja influência pode ser significativa no custo total de fabricação”, sugere.

A utilização de artefatos de cimento racionaliza a construção, diminuindo desperdícios decorrentes da interferência manual, além de retrabalho para correção de imperfeições que ocorrem na moldagem in loco
Carlos Petrini

Os artefatos de cimento também podem contribuir com o fator sustentável da obra, principalmente pelo fato de racionalizar insumos e mão de obra. “Propiciam, ainda, total reciclagem e promovem o uso racional e consciente de água, energia e demais matérias-primas”, destaca Petrini.

COMO FABRICAR ARTEFATOS DE CIMENTO

O processo de fabricação de um artefato de cimento possui diversas etapas. De forma cronológica, transita por concepção do projeto, controle de matérias-primas, preparação do material (seja argamassa ou concreto), posicionamento das armaduras (quando envolve concreto armado), transporte até as fôrmas, concretagem, adensamento, cura, desforma, controle de qualidade, estocagem e expedição.

Para Zarattini, todos os processos agrupam-se em um tripé de etapas. “Produção, fôrma e fundição”, resume. “Os projetos de artefatos de cimento, quando pensados como elementos decorativos ou de acabamento, são em geral definidos pelo arquiteto ou decorador”, acrescenta Sartorti.

FÔRMAS PARA ARTEFATOS DE CIMENTO

Também chamadas de moldes ou pistas de produção, são equipamentos compostos por madeirite, chapas de aço, plástico ou borracha. “São elas que permitem a execução da peça no tamanho e na forma desejada. Além disso, devem permitir fácil desmoldagem”, esclarece o professor Pinheiro. Dessa forma, caso não exista uma fôrma pronta para o artefato especificado, é necessário produzi-la primeiro.

De acordo com Petrini, existem dois tipos de fôrmas. “Constituídas de chapas dobradas com a conformação desejada ou ajustáveis”. O presidente ainda ressalta que nem todos os artefatos são criados a partir de fôrmas. “Alguns produtos podem ser fabricados em pistas de produção por meio de moldadoras ou extrusoras que dispensam os moldes”, constata.

Embora possa acontecer em fábricas provisórias instaladas em canteiros, o ideal é valorizar a produção em indústrias que assegurem a qualidade do produto final. “As fôrmas são confeccionadas para uso exclusivo em uma unidade de produção fora do canteiro de obras, pois dependem de estrutura específica com rigoroso controle tecnológico para fabricação, além de máquinas e câmaras de cura”, adverte Petrini.

EXPECTATIVA DO MERCADO

Assim como as estruturas pré-fabricadas e pré-moldadas, o mercado dos artefatos de cimento tende a crescer cada vez mais. “Essa expectativa está relacionada com a necessidade de prazos mais curtos, requisitos de qualidade, custos menores, escassez de mão de obra qualificada, diminuição de resíduos, surgimento de novos tipos de concreto (como o autoadensável e o concreto com EPS) e a evolução dos processos construtivos”, justifica Pinheiro.

Colaboraram para esta matéria

 
Arley Bonafé Zarattini – Proprietário da Artefatos de Cimento Cilage.
Artur Lenz Sartorti – Graduado em Engenharia Civil pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo em 2005, mestre em Engenharia Civil com ênfase em Estruturas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 2008, e doutorando em Engenharia de Estruturas na Escola de Engenharia de São Carlos (USP), em fase de conclusão de tese. É professor associado de Engenharia Civil do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP) na área de Estruturas.
Carlos Roberto Petrini – Presidente executivo do Sinaprocim (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Cimento) e Sinprocim (Sindicado da Indústria de Cimento do Estado de São Paulo).
 
Milton José Kerbauy – Engenheiro civil, pesquisador independente e empresário.
Libânio Miranda Pinheiro – Graduado em Engenharia Civil em 1972, com mestrado em 1981 e doutorado em 1988 em Engenharia de Estruturas em São Carlos, todos pela Universidade de São Paulo (USP). É professor do Departamento de Engenharia de Estruturas da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP) desde 1981. Desenvolve pesquisas relacionadas, principalmente, com os seguintes temas: concreto armado, concreto leve com poliestireno expandido - EPS, estruturas de edifícios e estruturas de concreto pré-moldado.
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