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Calhas e rufos podem evitar infiltrações

Coleta de águas pluviais feita de maneira errada pode danificar a edificação

Redação AECweb / e-Construmarket

Calhas

Calhas e rufos têm grande importância nas edificações, sendo que o objetivo das calhas é coletar as águas de chuva que caem sobre o telhado e encaminhá-las aos condutores verticais (prumadas de descida), enquanto os rufos servem para proteger paredes expostas (rufo tipo pingadeira) ou evitar infiltrações nas juntas entre telhado e parede (rufo interno). “Com calhas e rufos em bom estado, evitam-se diversos danos causados pelas águas pluviais, como o apodrecimento dos beirais das construções e a umidade excessiva nas paredes, que acelera o desgaste da alvenaria e da pintura”, explica o engenheiro Roberto de Carvalho Júnior, autor do livro ‘Instalações Hidráulicas e o Projeto de Arquitetura’.

Entre outras funções cumpridas pelas calhas e rufos também é possível destacar a proteção do reboco externo da edificação, evitar rachaduras e corrosões nas fundações – já que encaminham a água para a captação da rua – e impedir a umidade nas paredes, o que causa estragos e bolhas na pintura. “Entretanto, há controvérsias em relação à utilização das calhas. Algumas pessoas acreditam que esse material é imprescindível para o bom escoamento e encaminhamento da água da chuva, já outras preferem os telhados sem calha, porque demandam menos manutenção”, afirma o profissional. Roberto ressalta, ainda, que para dispensar o uso de calhas, o telhado não deve estar muito alto em relação ao terreno – isso evita respingamento excessivo e prejudica o acabamento das paredes da construção junto ao chão. “É necessário ter uma área de drenagem e captação da água da chuva (de preferência com pedriscos) para receber a água que vai cair direto de toda a extensão do telhado”, complementa.

No projeto arquitetônico, destacam-se dois tipos de calhas: de beiral e de platibanda. Já as seções das calhas possuem as mais variadas formas, depen­dendo das condições impostas pelo projeto e dos materiais empregados em sua confecção. Há, ainda, o modelo de concreto, mais conhecido como viga-calha. “O projetista deve especificar o tipo de solução que será utiliza­da – com ou sem platibanda, com ou sem beiral, com condutores embutidos ou externos – ou se será dispensado seu uso, deixando que as águas pluviais caiam sobre a superfície do terreno. Calhas e rufos devem sempre ser escolhidos segundo o local de instalação, por exemplo, para o beiral do telhado é um tipo de calha, já se este mesmo beiral for muito próximo a uma parede será preciso escolher outro tipo”, diz o engenheiro.

Com calhas e rufos em bom estado, evitam-se diversos danos causados pelas águas pluviais, como o apodrecimento dos beirais das construções e a umidade excessiva nas paredes, que acelera o desgaste da alvenaria e da pintura

O projeto arquitetônico também definirá a escolha dos materiais das calhas e dos rufos, dentre as quais estão a chapa galvanizada, muito utilizada quando a calha fica protegida por platibandas – ou seja, de forma invisível e sem a possibilidade de receber esforços, pois são frágeis. Também pode ser usada a chapa de cobre, com uso bastante difundido em épocas anteriores quando esse material era de fácil aquisição e apresentava preços relativamente baixos – a solução, porém, está caindo em desuso em face de seu custo elevado. Há, ainda, a de PVC, mais utilizada no sul do país onde existe o hábito de colocação de forma aparente, presa às bordas dos telhados; a de cimento-amianto, que são tubos partidos ao longo de sua geratriz e de uso menos comum; e as de concreto, geralmente escolhidas quando a própria calha trabalha também como elemento de sustentação de estrutura.

GRANDES OBRAS

Em grandes edificações a coleta de águas pluviais é feita basicamente da mesma forma que nos edifícios comuns. “Porém, neste caso, as águas são conduzidas aos condutores verticais (prumadas de descida) aparentes de maiores diâmetros. Esses condutores são ligados às caixas detentoras de areia e/ou inspeção, que permitem a inter­ligação de coletores e a limpeza e desobstrução das canalizações horizontais. Essas caixas também devem ser executadas sempre que houver mudança de direção, de diâmetro e de declividade nas redes coletoras. Em alguns casos, também é feita a reutilização das águas pluviais, particularmente, quando o volume captado for considerável”, diz Carvalho, lembrando que o sistema de aproveitamento de água das chuvas deve ser plane­jado durante a elaboração do projeto e chega a gerar uma economia de 50% a 65% da água fornecida pela empresa de abastecimento.

O engenheiro ressalta que por não serem indicadas para o consumo, as águas pluviais devem ser armazenadas em reservatório independente, preferencialmente aqueles subterrâneos, tipo cisternas. “O sistema predial de aproveitamento de água pluvial para usos domésticos não potáveis é formado pelos seguintes subsistemas ou componentes: captação, condução, tratamento, armazenamento, tubulações sob pressão, sistema automático ou manual de comando e utilização. Entende-se por usos domésticos não potáveis aqueles que não requerem características de qualidade tão exigentes quanto à potabilidade tais como: descarga de bacias sanitárias e mictó­rios, limpeza de pisos e paredes, rega de jardins, lavagem de veículos e a água de reserva para combate a incêndio”, fala.

PROJETO E CONSTRUÇÃO

Há controvérsias em relação à utilização das calhas. Algumas pessoas acreditam que esse material é imprescindível para o bom escoamento e encaminhamento da água da chuva, já outras preferem os telhados sem calha, porque demandam menos manutenção

Para garantir a qualidade na aquisição e recebimento dos materiais do sistema de calhas, deve-se considerar a integração dos departamentos de projeto, compras e produção nas etapas de especificação de produtos, seleção e avaliação de fornecedores, recebimento, armazenamento e transporte de materiais. “As especificações técnicas para a compra dos materiais devem ser claras, com requisitos bem definidos e documentados, garantindo que o pessoal de compras tenha uma comunicação eficiente com os fornecedores. Qualquer que seja o item empregado deve-se sempre consultar a ABNT NBR 10844 – Instalações Prediais de Águas Pluviais”, comenta o profissional.

Em seu projeto, o arquiteto deve posicionar e pré-dimen­sionar as calhas e os condutores verticais. “A declividade das calhas é de extrema importância para que não ocorra o empoçamento de águas em seu interior. Quando acontecem chuvas intensas, não é raro ocorrer transbor­damento em algumas edificações. Normalmente, isso acontece devido à ausência de declividade, dimensionamento incorreto das calhas ou da pouca capacidade dos condutores verticais”, destaca Carvalho, explicando que a forma da seção das calhas vai depender exclusivamente da arquitetura e dos materiais empregados em sua confecção, sendo que as mais usuais são as retangulares, em formato de ‘U’ ou de ‘V’, circular e semicircular.

“Além de aumentar a durabilidade das calhas, uma inclinação correta evita também o surgimento de focos de criação do mosquito da dengue. A inclinação mínima deve ser de 0,5% no sentido do caimento para os bocais (descidas de água). Apesar de leves, as calhas precisam de suportes resistentes e dimensionados para quando estiverem cheias de água, já que não podem ‘envergar’. Esses suportes devem ter, entre si, 90 centímetros de distância”, explica o engenheiro.

Para montar e instalar as calhas também são necessários rebites e rebitadeira, veda-calha, furadeira e brocas. Também é importante colocar nos bocais (descidas) grelhas protetoras que não permitam a passagem de folhas e outros tipos de materiais, evitando assim o entupimento. “Os rufos geralmente são feitos com chapa metálica fixada, com rebites ou com pregos. Também é sempre positivo aplicar argamassa na borda para vedar e, em caso de fixação, em telhas de cimento-amianto tem que ser usado rebite ou parafuso. Uma instalação de rufo mal feita pode implicar em escorrimento na parede externa, danificando o reboco e causando infiltração”, afirma o profissional.

As calhas e condutores conectados ao telhado devem ter inspeção e manutenção periódicas para estarem sempre limpos, a fim de evitar o extravasamento ou o retorno da água. “Calhas obstruídas podem causar erosão em torno da casa, danos nas paredes exteriores, infiltra­ção de água na estrutura do telhado e, algumas vezes, recalques diferenciais na fundação. A limpeza deve ser feita duas vezes por ano, no mínimo, no final da estação seca e no final da estação das chuvas. Em áreas onde existem muitas árvores a limpeza deve ser feita com maior frequência”, finaliza Carvalho.

Colaborou para esta matéria

Roberto de Carvalho Júnior – Engenheiro civil, licenciado em Matemática, com habilitação em Física e Desenho Geométrico. Pós-graduado em Didática do Ensino Superior. Mestre em Arquitetura e Urbanismo na área de Projeto e Planejamento de Assentamentos Humanos. Projetista de Instalações Prediais desde 1982, já elaborou inúmeros projetos de edificações de médio e de grande porte, executados em várias cidades do Brasil. Desde 1994, atua na área acadêmica, em faculdades de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil, como professor universitário das disciplinas de instalações prediais. É palestrante e autor dos livros “Instalações Hidráulicas e o Projeto de Arquitetura”; “Instalações Elétricas e o Projeto de Arquitetura”; “Patologias em Sistemas Hidráulico-Sanitários” e “Instalações Prediais Hidráulico-Sanitárias – Princípios básicos para elaboração de projetos”. Todos os livros editados pela Blucher. É autor de diversos artigos e publicações em vários jornais e revistas do país voltadas a construção civil, falando especificamente sobre assuntos relacionados a sua área de atuação.
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