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Casas de madeira podem ser até 10% mais baratas que as de alvenaria

Construções com wood frame são mais rápidas, têm baixa geração de resíduos e consumo reduzido de água

Texto: Gabriel Bonafé

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A Residência no Condomínio da Quinta Baroneza, do Candida Tabet Arquitetura, conta diversos elementos estruturais em madeira, como vigas, lajes de cobertura e piso intermediário (Foto: Rômulo Fialdini).

As casas de madeira evocam nobreza, funcionalidade e tradição. O mercado oferece diversas soluções construtivas para atender projetos que buscam o desempenho e a sofisticação da madeira, como o wood frame, a coluna-viga, a madeira estruturada, entre outras. “Hoje o brasileiro tem aceitado mais o sistema wood frame e o número de casas construídas neste sistema cresceu muito nos últimos cinco anos”, afirma Francieli Lucchette, engenheira e gerente técnica da LP Brasil.

As construções em madeira atendem exigências de normas técnicas e podem ser usadas em projetos duráveis, com soluções acústicas e térmicas. Apesar das vantagens e do crescimento da demanda, as casas de madeira ainda são pouco difundidas no Brasil – em comparação à alvenaria – devido às questões climáticas e ao custo-benefício. “O valor da madeira certificada ainda é um pouco elevado e não há mão de obra especializada suficiente para grandes demandas”, revela Lorí Crízel, arquiteto e urbanista, mestre em conforto ambiental.

O que é wood frame?

Em tradução livre, significa 'moldura de madeira'. Trata-se de um sistema construtivo composto por perfis leves de madeira provenientes de reflorestamento. Os perfis, em conjunto com placas de madeira, formam painéis estruturais que suportam cargas e as transmitem até a fundação.

O wood frame pode assumir até três funções na construção: vedação, contraventamento e revestimento. Além disso, pode ser empregado por meio de qualquer tipo de fundação, uma vez que sua estrutura é leve e distribui as cargas de forma uniforme.

MODELOS DE CASAS E APLICAÇÕES

As casas de madeira podem ser pré-fabricadas ou executadas in loco. “O conceito de casas pré-fabricadas mais conhecido no Brasil é aquele que utiliza estrutura de madeira aparente e sistema de encaixes com peças de madeira maciça”, conta Francieli.

Hoje o brasileiro tem aceitado mais o sistema wood frame e o número de casas construídas neste sistema cresceu muito nos últimos cinco anos
Francieli LucchetteI

Com o wood frame, é possível se apropriar de fechamentos e contraventamentos feitos com placas estruturais OSB. “Essa solução, que pode ser utilizada na parte interna ou externa, pode atingir o visual das casas em alvenaria ou mesmo das casas pré-fabricadas de madeira, proporcionando bastante liberdade ao arquiteto”, destaca a gerente técnica.

As casas de madeira podem configurar desde residências isoladas unifamiliares até edificações multifamiliares com mais de cinco pavimentos. Embora não haja muitas restrições para projetar com a madeira, o quesito massa térmica faz com que o material seja utilizado com mais frequência em regiões onde o frio é constante. “Paredes de madeira retêm o calor, ou seja, o seu emprego visa atender regiões geográficas que tipicamente convivem com temperaturas mais baixas. Essa retenção do calor está intimamente relacionada com a espessura e o tipo da madeira, lembrando que ao se produzir calor dentro desta unidade, o mesmo é irradiado por toda a casa, mantendo o ambiente quente”, explica Crízel.

INVESTIMENTO

O preço das casas de madeira é, em geral, mais baixo em comparação às tradicionais de alvenaria. “O custo da construção em wood frame vai variar conforme tamanho e padrão de acabamento da obra. De forma geral, o investimento é 30% menor em relação a construções em alvenaria, quando se fala de grandes empreendimentos. Já em construções particulares – individuais –, o sistema construtivo terá preços equivalentes ou até 10% mais baratos que a alvenaria”, especifica Francieli. “Mas para esse resultado é preciso escolher corretamente o fornecedor, seu modelo de extração, a tipologia de acabamento e até o tipo de madeira que será empregado”, pondera o arquiteto.

Paredes de madeira retêm o calor, ou seja, o seu emprego visa atender regiões geográficas que tipicamente convivem com temperaturas mais baixas. Essa retenção do calor está intimamente relacionada com a espessura e o tipo da madeira, lembrando que ao se produzir calor dentro desta unidade, o mesmo é irradiado por toda a casa, mantendo o ambiente quente
Lorí Crízel

SUSTENTABILIDADE

De acordo com Francieli, o emprego da madeira na construção pode atender os aspectos sociais, ambientais e econômicos – tripé que compõe o conceito de sustentabilidade. “A madeira se encaixa nesse perfil, desde que seja proveniente de uma extração também sustentável em todos os seus parâmetros e métodos”, pontua Crízel.

Ambiental – além da baixa geração de resíduos, a madeira utilizada para construção de casas é renovável e proveniente de áreas de reflorestamento, com plano de manejo sustentável. A emissão de CO² do sistema wood frame é 73% menor comparada com casas em alvenaria e, ainda, reduz o consumo de água.

Econômico – agregando produtividade à construção, o uso da madeira reduz o tempo da obra em até 60%, reduz custos no canteiro em até 30% e garante retorno rápido do investimento. Por ser um sistema inteligente, o orçamento previsto é igual ou muito próximo ao realizado.

Social – permite melhores condições de trabalho devido ao canteiro de obras mais limpo e organizado, eliminando grandes depósitos de materiais (para areia, cimento e brita). Além disso, os materiais são mais leves, ergonômicos e fáceis de manipular e de transportar, garantindo condições de trabalho mais seguras com riscos reduzidos de acidentes.

Além do potencial sustentável, Franciele também reconhece a versatilidade e a fácil compatibilização com soluções de desempenho térmico e acústico como principais vantagens das casas de madeira.

MANUTENÇÃO

A manutenção em casas de madeira deve ser feita periodicamente para preservar as características estéticas e de durabilidade, como pinturas e elementos de impermeabilização. “Em geral, esse cuidado está vinculado a higienizações corretas e aplicações de produtos que evitam a perda da sua aparência original da madeira e evitam o surgimento de problemas como cupins, fissuras e outros. Os mais empregados são vernizes e impregnantes”, diz Crízel.

Segundo Franciele, há ainda uma vantagem no quesito manutenção. “O acesso às instalações é muito mais simples e limpo, bastando o corte de algumas placas e sua posterior substituição, sem o quebra-quebra da alvenaria”, compara.

Projetos de casas de madeira

A Residência na Barra do Sahy é uma casa de praia projetada pelo Nitsche Arquitetos que conta com madeira jatobá em toda a sua estrutura. Montada em cinco dias, destaca-se pela sua funcionalidade e visual rústico.

A Casa Folha, por sua vez, é uma residência inspirada na tradicional oca Kaiamurá. O escritório Mareines + Patalano Arquitetura utilizou bastante madeira para desenvolver o projeto —principalmente no esqueleto da cobertura, onde foi aplicada madeira laminada de eucalipto para vencer vãos de até 25m.

Além desses, projetos como a Residência no Condomínio Quinta da Baroneza e a Residência Angra, dos escritórios Candida Tabet Arquitetura e Indio da Costa, respectivamente, destacam-se pelo emprego da madeira.

Quer ver mais projetos? Acesse a Galeria da Arquitetura – o maior acervo nacional de imagens e informações sobre as realizações da arquitetura brasileira.

Colaboraram para esta matéria

 
Francieli Lucchette – engenheira civil com ênfase em Sistemas Construtivos formada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); com MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV); especialista em Marketing empresarial pela Universidade Federal do Paraná (UFPR); técnica em Edificações pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atualmente é gerente técnica da LP Brasil, onde responde pela coordenação do desenvolvimento de novos produtos, capacitação de profissionais, suporte técnico, apoio a Engenheiros e Arquitetos na especificação e elaboração de projetos, desenvolvimento de estudos de viabilidade técnica-econômica, além do acompanhamento e desenvolvimento de obras no sistema construtivo CES (Construção Energitérmica Sustentável). Atua no mercado da construção civil desde 1998.
Lorí Crízel – arquiteto e urbanista; mestre em Conforto Ambiental; professor e coordenador dos cursos Design de Interiores – Ambientação e Produção do Espaço e Master em Arquitetura e Iluminação do Instituto de Pós-Graduação e Graduação (IPOG). É membro do Comitê Especial Europeu de Pós-Graduação tendo atuado na Inglaterra, Escócia, País de Gales e França; HA e Concept Designer – País de Gales, Inglaterra e França; Sócio-Proprietário do Escritório Crízel & Uren Arquitetos Associados – Cascavel – PR, detentor do Selo CREA/PR de Excelência em Planejamento de Edificações – Projeto Arquitetônico nos anos de 2010, 2011 e 2012.
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