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Cimento queimado tem excelente custo-benefício

Versátil e prático, material demanda boa execução e deve seguir um passo a passo cuidadoso

Por Graziela Silva


Cimento queimado foi usado no piso e nas paredes do Vila Leopoldina Loft, do Diego Revollo Arquitetura
(Foto: Alain Brugier)

O cimento queimado foi o piso mais utilizado nas residências brasileiras durante décadas devido ao seu baixo custo. E continua sendo uma opção econômica e cheia de estilo – sua versatilidade permite, por exemplo, que seja utilizado tanto em projetos com referências rústicas, quanto contemporâneas.

O preço do cimento queimado deriva sobretudo dos insumos utilizados na sua execução: são necessários basicamente cimento, areia, água e aditivos. “Essa argamassa, com espessura média de 30 mm, é aplicada sobre um contrapiso de concreto”, explica Rubens.

Além dessas vantagens, ele é tido como resistente e de fácil conservação. Sua aplicação, pondera Rubens Curti, especialista em concreto da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), só não é indicada em áreas submetidas a molhamento constante, pois pode provocar escorregamentos. “O piso queimado é muito liso”, lembra o profissional.

CIMENTO QUEIMADO PRONTO

Há no mercado misturas semiprontas, geralmente à base de cimento, agregados e aditivos. Para essas opções a dosagem e a execução devem seguir as recomendações do fabricante. Além da aplicação como revestimento em pisos, alguns desses produtos são voltados para utilização em paredes e fachadas. Com relação às cores, a gama oferecida pelos fabricantes vai dos coloridos tradicionais a tons mais claros.

Quer saber mais? Veja o estudo de caso do Real Parque Loft.

COLORIDO

Uma característica que agrada no cimento queimado é a possibilidade de acrescentar cores ao revestimento. Para chegar aos tradicionais vermelho, amarelo, azul e verde – muito comuns em casas do interior –, é preciso adicionar pigmentos à base de óxido de ferro, como pó xadrez e Bayferrox. Já pó de mármore e o pó de granito costumam ser incorporados à massa quando se deseja tons mais sóbrios ou claros.

O processo de pigmentação com corantes à base de óxido de ferro pode ser feito de duas formas, dependendo do resultado pretendido. A primeira é acrescentar o pigmento quando do preparo da argamassa, na porcentagem de 2% a 6% sobre a massa de cimento. Outra possibilidade é salpicar o pigmento sobre a argamassa antes de executar o processo de queima. Neste último caso, o efeito obtido será de um piso manchado, com ar um pouco mais rústico.

Para evitar alterações na cor desejada, o ideal é usar cimento branco e areia branca, afirma o arquiteto Luís Fábio Rezende de Araújo, do escritório de mesmo nome. “Uma dica que aprendi e executei na minha residência, onde o piso é inteiramente de cimento queimado, é misturar o cimento com a mesma quantidade de pó de mármore. Além de o resultado final ficar um pouco mais claro (devido ao pó ser branco), essa opção retarda a cura do material, garantindo maior tempo de trabalho e com maior qualidade, já que a argamassa ficará mais molhada e a secagem será mais lenta”, sugere.

EXECUÇÃO

A ‘queima’ do piso é o nome dado ao processo de jogar pó de cimento sobre a argamassa ainda mole e úmida. “A superfície é então desempenada com uma desempenadeira de aço, espalhando-se o pó de cimento sobre a massa e deixando o conjunto bem liso”, detalha o arquiteto Luís Fábio. Segundo o profissional, caso a base esteja muito lisa, pode-se utilizar chapisco sobre o contrapiso para aumentar a aderência.

Outro ponto importante é estar atento ao aparecimento de bolhas de ar na massa. Nesse caso, a orientação é alisar a superfície com a desempenadeira até o total desaparecimento das bolhas. O objetivo é evitar excesso de porosidade. Veja o passo a passo aqui.

Um dos fatores que influencia a qualidade final do revestimento é a ‘cura do concreto’. Esse processo deve ser feito molhando-se a superfície logo após a execução do piso, diz Rubens, da ABCP. “Todo material cimentício requer água para a hidratação do cimento. Portanto, é imprescindível que não ocorra perda de água por evaporação.” A secagem incorreta da massa pode levar à fissuração generalizada do piso, alerta o profissional.

O arquiteto Luís Fábio lembra que podem ser acrescentados aditivos à argamassa, para dar características especiais ao revestimento. Ele cita como exemplos os impermeabilizantes, os aceleradores de pega (para uma cura mais rápida) e os retardadores de pega, que permitem uma cura mais uniforme em extensas áreas com cimento queimado simultaneamente.

Após a secagem e antes do uso, é recomendada a aplicação de resina sobre o cimento queimado. Como se trata de um revestimento poroso, a selagem ajuda a evitar manchas de óleo ou bebidas, por exemplo. “A resina pode ser fosca, acetinada ou brilhante, de acordo com o efeito esperado”, lista o arquiteto que ainda complementa: “Deve-se lixar o piso, regularizando pequenas imperfeições, e logo após a limpeza, retirando todo o pó, passar a resina, em duas demãos”.

É bom saber

Apesar de a execução parecer simples, a aplicação do revestimento é delicada. Por isso, para obter resultados satisfatórios recomenda-se a contratação de mão de obra experiente.

PROBLEMAS COMUNS

Pequenas trincas e manchas são características do cimento queimado e conferem rusticidade ao revestimento. Além da cura bem executada, trincas de maior proporção são evitadas com a colocação de juntas de dilatação de plástico, madeira, metal ou material cerâmico, informa Rubens Curti. “Todo material sofre retração e dilatação. Com o piso queimado não é diferente. Essa movimentação pode provocar fissuração no piso”, diz. O espaçamento recomendado entre as juntas é de, no máximo, 1,5 m nos dois sentidos.

A qualidade do substrato também influencia no resultado final, pontanto é importante verificar sua integridade. Caso esteja em condições adequadas, alinhado e sem trincas, o contrapiso deve ser limpo, desengordurado e ter o pó retirado para receber a argamassa do cimento queimado.

Colaboraram para esta matéria

Rubens Curti – Engenheiro civil da Área de Tecnologia da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), com atuação em tecnologia de concreto e argamassa. Ministra cursos de formação, atualização e gerenciamento na área de tecnologia de materiais.
Luís Fábio Rezende de Araújo – Formado em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Fumec, em Belo Horizonte (MG), trabalhou por 14 anos em grandes escritórios de arquitetura da capital mineira até 2010, quando fundou o escritório que leva seu nome. Desenvolve projetos residenciais, empresariais e comerciais, tanto na área da arquitetura quanto de decoração.
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