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Com ar incorporado, concreto celular proporciona isolamento termoacústico

Material substitui concreto convencional em aplicações em que a leveza e o conforto são aspectos importantes para o projeto

Texto: Gabriel Bonafé

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Em peças pré-fabricadas, o concreto celular pode ser empregado como matéria-prima de blocos de vedação
(Kuchina/ Shutterstock.com)

Embora não seja indicado para estruturas armadas robustas, o concreto celular – material utilizado no Brasil desde a década de 1980 – é uma alternativa ao concreto convencional em uma série de outras aplicações na construção civil. Também conhecido como poroso e espumoso, o material possui vazios que o tornam mais leve. “A massa específica do concreto celular varia de 300 kg/m3 a 1.900 kg/m3, enquanto a do concreto convencional é de aproximadamente 2.350 kg/m3”, compara o geólogo Arnaldo Forti Battagin, gerente dos laboratórios da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

Quando moldado in loco, o concreto celular é utilizado na composição de paredes, lajes, pisos, contrapisos, preenchimento de vazios em obras de infraestrutura, entre outros. O material ainda pode ser usado como isolante térmico e acústico de coberturas, formando uma camada acima da laje de concreto convencional. Em peças pré-fabricadas, o concreto celular pode ser empregado como matéria-prima de blocos de vedação, painéis, pisos elevados, entre outros.

A massa específica do concreto celular varia de 300 kg/m³ a 1.900 kg/m³, enquanto a do concreto convencional é de aproximadamente 2.350 kg/m³
Arnaldo Forti Battagin

VANTAGENS E DESVANTAGENS

A leveza do concreto celular é uma das suas principais vantagens. Além disso, o concreto celular também apresenta desempenho térmico e acústico superior ao do concreto convencional. “Para o usuário final, isso representa menor custo e melhor habitabilidade”, conta o professor Paulo Helene, conselheiro permanente e sócio-honorário do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon).

O concreto celular, no entanto, tem desempenho mecânico menor do que o convencional e menor aderência às armaduras, o que restringe seu uso. “Ele não deve ser utilizado como concreto armado estrutural”, alerta Battagin. “O concreto celular ainda apresenta módulo de elasticidade menor que o do concreto convencional, ocasionando, portanto, maiores deformações para estruturas de mesma inércia”, acrescenta Helene.

PRODUÇÃO DO CONCRETO CELULAR

O concreto celular pode ser produzido por dois processos. O primeiro, denominado espuma pré-formada, requer um equipamento cujo reator realizará o contato entre o agente espumígeno e o ar, gerando uma espuma com microcélulas de ar incorporadas à água.

O outro processo envolve a geração de bolhas por reação do cimento com produtos químicos que compõem os aditivos incorporadores de ar. Nesse caso, não há necessidade de equipamento especial. “A espuma é gerada por agitação mecânica no interior do misturador, sendo que o produto químico, já diluído em água, forma as bolhas ao entrar em agitação”, explica Battagin.

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Textura 'porosa' ou 'espumosa' do concreto celular
(olpo/ Shutterstock.com)

A incorporação de ar comum nos dois processos é a característica que determina a leveza do concreto celular. “São microbolhas incomunicáveis, uniformemente distribuídas, que reduzem a densidade do concreto base (tradicional) na ordem de 15% a 40%”, detalha Helene.

Outra diferença é que, na composição do concreto celular, é utilizado apenas agregados miúdos, enquanto que no concreto convencional é usado agregados miúdos e graúdos. Os ensaios de controle tecnológico são os mesmos do concreto convencional, acrescido do controle da densidade na obra. “Isso se aplica tanto para a produção em canteiro como para o fornecimento através de caminhões betoneira”, ressalta o Battagin.

O concreto celular apresenta módulo de elasticidade menor que o do concreto convencional
Paulo Helene

NORMAS TÉCNICAS

Publicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), as normas NBR 12.645/1992 – Execução de Paredes de Concreto Celular Espumoso Moldadas no Local - Procedimento e 12.646/1992 Paredes de Concreto Celular Espumoso Moldadas no Local - Especificação, responsáveis por regulamentar o concreto celular, estão em processo de atualização e consolidação em um texto único. De acordo com Helene, a futura publicação da norma representa um potencial de crescimento para o concreto celular no mercado. “É uma ferramenta normativa e instrutiva que vai ajudar os intervenientes da cadeia construtiva a melhor realizarem seus projetos e obras”, considera.

Colaboração técnica

Arnaldo Forti Battagin – Gerente dos laboratórios da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e representante da entidade no conselho diretor do Ibracon e em comissões de estudos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Geólogo pelo Instituto de Geociências da USP e especialista em tecnologia do cimento e do concreto, tem mais de 100 trabalhos científicos divulgados em publicações e congressos no Brasil e no exterior.
Paulo Helene – Professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e diretor da PhD Engenharia. Ocupa o cargo de presidente da Asociación Latinoamericana de Control de Calidad, Patología y Reparación de las Construcciones (Alconpat). É conselheiro permanente e sócio-honorário do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon).
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