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Como a arquitetura pode garantir o isolamento acústico em hospitais

Cuidados no projeto e na especificação de materiais são fundamentais para proporcionar conforto a pacientes e profissionais

Redação AECweb / e-Construmarket

Garantir o conforto acústico em suas instalações é uma das preocupações mais importantes dos hospitais para oferecer condições de recuperação e bem-estar aos pacientes. A tarefa não é simples, já que sua operação depende de equipamentos que costumam ser bastante barulhentos. Além de geradores elétricos, caldeiras e compressores de ar, existem ainda os equipamentos médicos, como os aparelhos de ressonância magnética e tomografia. “Chega a ser uma ironia a quantidade de ruídos produzidos nesses ambientes”, afirma o arquiteto Fabio Bitencourt, professor doutor da Universidade Estácio de Sá (RJ) e autor de livros sobre arquitetura hospitalar.

As máquinas não são as únicas responsáveis pela geração de sons desagradáveis. “Os carrinhos que transportam medicamentos ou refeições pelos corredores são um caso emblemático. O atrito entre o piso e as rodinhas acaba produzindo uma condição totalmente desconfortável”, destaca o docente. Minimizar os problemas relacionados aos ruídos é missão que não cabe somente aos arquitetos e engenheiros, mas também aos dirigentes das unidades hospitalares. “A responsabilidade é coletiva e envolve conhecimentos multidisciplinares”, complementa.

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Não são apenas equipamentos externos que provocam ruídos incômodos em abientes hospitalares. Atrito entre o piso e as rodinhas dos carrinhos de apoio também devem ser considerados no projeto (Crédito: Shutterstock.com/Spotmatik Ltd)

PROJETO

A principal abordagem do projeto acústico é eliminar o ruído em sua fonte, prevendo que equipamentos barulhentos estejam em locais afastados dos quartos, centros cirúrgicos, consultórios, entre outros ambientes. “Cabe aos projetistas estabelecerem as condições ideais de isolamento”, diz o professor. Para isso, o primeiro passo é a elaboração do programa de necessidades, que identifica as intensidades sonoras de cada máquina e indica para o arquiteto quais são os aparelhos que causam maiores problemas.

Chega a ser uma ironia a quantidade de ruídos produzidos nesses ambientes [hospitalares]
Fabio Bitencourt

O isolamento das fontes de ruídos não deve ser apenas físico, já que o som se irradia por outros meios além do ar. A própria estrutura da edificação pode atuar como meio de propagação das ondas sonoras. “É fundamental que o projeto arquitetônico evite que os barulhos cheguem a outros ambientes, seja pelas vias aéreas ou físicas. Uma janela aberta pode ser uma ponte acústica tanto quanto uma fechadura”, fala o docente. A principal barreira que controla a transferência de sons entre ambientes está na especificação de alguns materiais.

MATERIAIS E SOLUÇÕES

Segundo Bitencourt, o Brasil ainda precisa evoluir bastante na especificação de soluções antirruídos. “O mercado nacional já disponibiliza os materiais mais sofisticados, inclusive aqueles que são aproveitados em outras partes do mundo”, ressalta. Entre eles, estão aqueles fabricados a partir de borrachas. “Esses produtos apresentam grande resistência à transmissão sonora”, complementa.

Para os pisos, por exemplo, alternativa que apresenta desempenho interessante são as mantas ou placas vinílicas, que reduzem a reverberação do ruído no ambiente. “Durante muito tempo, foram usados revestimentos melamínicos nos hospitais. Entretanto, esse tipo de piso era um problema, já que quando os líquidos eram derramados no chão, danificavam toda a superfície”, comenta o arquiteto, lembrando que a atual escolha pelos pisos vinílicos garante ainda proteção contra correntes elétricas.

Revestimentos de piso que proporcionam conforto acústico não são obrigatórios, inclusive nos centros cirúrgicos. “A legislação prevê somente que o revestimento seja condutivo, ou seja, sob o piso incorpora manta que faz a transferência das cargas elétricas”, fala o professor, lembrando que, no Brasil, 40% dos hospitais são privados, 40% públicos, 19% filantrópicos e 1% vinculados aos sindicatos. “A grande maioria, mesmo os públicos, já conta com materiais acústicos. Entretanto, ainda existem aqueles de menor porte, que têm até pisos de pedra, como granitos, que são extremamente ruidosos e com muitas frestas”, explica o docente.

O mercado nacional já disponibiliza os materiais mais sofisticados, inclusive aqueles que são aproveitados em outras partes do mundo
Fabio Bitencourt

Os elevadores necessitam de atenção redobrada, pois além de atuarem como geradores de ruídos, ainda causam vibrações que têm interferência direta no conforto do ambiente interno. Para evitar esse tipo de problema, é fundamental a ação dos engenheiros na fiscalização do processo de execução do projeto. “Se a caixa não for bem construída, criará ruídos a cada movimento. Além de vibrações nas estruturas”, adverte o arquiteto. Existem ainda equipamentos emborrachados, instalados tanto na base quanto no próprio sistema, e equipamentos eletrônicos que, somados, asseguram mais conforto acústico.

UTIs

As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) são um caso a parte nos projetos acústicos. Os equipamentos presentes nesses ambientes emitem bips frequentes - importantes sinais sonoros que auxiliam médicos e enfermeiros no acompanhamento do estado de cada paciente. “É importante que os hospitais se preocupem em adquirir equipamentos o menos ruidoso possível”, recomenda. Outra fonte de ruído bastante comum são os aparelhos celulares usados para a comunicação entre os profissionais que trabalham nesses locais.

Existem diversas estratégias para melhorar o conforto acústico da UTI, como a especificação de forro que atua como absorvedor de som. “Outra solução é a instalação de fones de ouvidos perto dos leitos, que permitem aos pacientes ouvir música ao invés de barulhos estressantes. No Brasil, alguns hospitais utilizam esse recurso e os resultados são positivos”, diz Bitencourt. Já os pequenos quartos ou boxes onde permanecem os pacientes, muitas vezes utilizam o vidro parcialmente, cumprindo a função de paredes e com o intuito de humanizar a unidade e dar segurança à equipe médica. Mais do que se tratar de material rígido que, portanto, em nada colabora com o conforto acústico, a discussão internacional do setor de arquitetura hospitalar remete para a validade ou não do isolamento dos leitos de UTI.

NORMAS TÉCNICAS

Entre as normas técnicas que abordam a questão acústica em hospitais estão a ABNT NBR 12179 - Tratamento acústico em recintos fechados e a ABNT NBR 10151 - Acústica - Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade. Já a ABNT NBR 10152 - Níveis de ruído para conforto acústico – determina que sons entre 35 a 45 dB são aceitáveis nos quartos e consultórios, por outro lado, nas salas de cirurgia o limite varia entre 30 e 40 dB.

Colaboração técnica

Fabio Bitencourt – Arquiteto e doutor em ciências da arquitetura, escreveu diversos livros e publicações sobre arquitetura hospitalar, ambientes de saúde e ergonomia. É, também, professor em diversos cursos de graduação e pós-graduação em arquitetura, arquitetura hospitalar, ergonomia e gestão hospitalar. Foi presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar (Abdeh) entre 2011 e 2014, é membro da Academia Brasileira de Administração Hospitalar (Abah) e de diversas entidades internacionais da área de saúde.
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