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Como evitar problemas nas ligações entre estruturas metálicas e vedações?

Dedicar a devida atenção à execução das interfaces desde a fase de elaboração do projeto garante melhor desempenho dos fechamentos e evita patologias comuns, como fissuras, trincas e infiltração

Texto: Eduardo Campos Lima

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Exemplo de ligação mal executada (Foto: Otávio Nascimento)

O emprego de pré-fabricados na execução de vedações externas e internas em edificações com estrutura metálica favorece a racionalização do processo construtivo, conferindo agilidade e eficiência à obra. Mas sua aplicação não está isenta de patologias, sobretudo nas interfaces com elementos estruturais de aço – e tais problemas podem e devem ser evitados desde a etapa de projeto.

“A engenharia brasileira, de maneira geral, não avalia adequadamente as interfaces, seja lá qual for o material utilizado na estrutura”, aponta Otávio Nascimento, professor de engenharia do Ibmec Belo Horizonte e diretor da Consultare, empresa de consultoria em revestimentos. De acordo com o professor, embora não haja normatização nacional sobre esse tema, é fundamental seguir boas práticas já consolidadas na construção brasileira, começando pelas necessárias previsões de deformação do sistema de estrutura e do sistema de vedação. “Há diferenças significativas no comportamento dos dois sistemas, sobretudo quando se trata de estrutura de aço, e os encontros deles são pontos centrais”, explica Maristela Gomes da Silva, professora titular do Departamento de Engenharia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Como o aço e os materiais normalmente usados em vedações (cimentícios, alvenaria etc.) se dilatam de forma muito diferente de acordo com a variação térmica, ocorrem movimentos que devem ser previstos pelo projetista. “Outra questão importante são as deformações naturais dos vãos, que devem ser consideradas quando se detalha o projeto da vedação”, aponta Nascimento.

Com as deformações estruturais e as dilatações térmicas, as ligações entre os dois sistemas começam a se soltar, chegando a causar fissuramento. “Às trincas somam-se problemas com infiltração, sobretudo nas vedações externas. Isso acarreta prejuízos ao desempenho da edificação no que tange à estanqueidade, ao isolamento térmico e ao isolamento acústico”, acrescenta Silva.

Há diferenças significativas no comportamento dos dois sistemas [de estrutura e de vedação], sobretudo quando se trata de estrutura de aço, e os encontros deles são pontos centrais
Maristela Gomes da Silva

CUIDADOS

A execução correta das interfaces dos sistemas estrutural e de vedação exige uma série de cuidados desde a elaboração do projeto. “A diferença no comportamento dos materiais não permite uma tolerância de alguns centímetros, como no caso do concreto, mas apenas de alguns milímetros. Então, o projeto executivo deve detalhar de maneira pormenorizada as interfaces”, explica a professora da Ufes.

Conforme aponta o engenheiro Roberto de Araújo Coelho, mestre em estruturas e diretor da Racional Sistemas Construtivos, soluções que possibilitam o menor número possível de juntas – como painéis pré-fabricados arquitetônicos de concreto, por exemplo – reduzem os riscos de patologias. Mas alternativas mais comuns, como placas cimentícias associadas a light steel frame ou blocos celulares de concreto autoclavado, também permitem alto desempenho, desde que os devidos cuidados sejam observados. “A estrutura metálica apresenta precisão elevada, por isso é menos compatível com a alvenaria tradicional”, define.

A palavra-chave nesse processo é compatibilização. Os projetos de estrutura, vedação e revestimento devem ser compatibilizados antes do início da obra. “Primeiro, deve-se analisar a estrutura, os vãos e as dimensões das vedações. Em função deles é que se definem as ligações laterais e superior. A partir daí, estipula-se a técnica apropriada de execução, com o uso de materiais adequados, e a proteção dos revestimentos”, enumera Nascimento.

O que se deseja evitar a todo custo, de acordo com Silva, é que surjam intercorrências durante a execução. “Esses processos não admitem ‘jeitinho’ durante a obra. Também não se pode replicar soluções típicas do concreto para estruturas metálicas. Todas as soluções têm que vir do projeto, com detalhamento apropriado, especificações adequadas e compatibilização das deformações dos sistemas”, aconselha. Investir um pouco de tempo a mais na previsão das deformações elimina um problema que pode se tornar crônico nas fachadas e também nas vedações internas, que podem igualmente ser acometidas de fissuras por dilatação térmica e, assim, perder desempenhos térmico e acústico.

No caso das estruturas metálicas, é frequente que os problemas apareçam precocemente, ainda durante a obra. Executar a aderência de peças metálicas aos elementos de vedação utilizando argamassa, por exemplo, resulta em fracasso imediato
Otávio Nascimento

MATERIAIS E INTERFERÊNCIAS

Nascimento aponta que é um erro comum utilizar materiais incompatíveis para executar as interfaces, sobretudo aqueles que são mais conhecidos, dada sua aplicação em estruturas de concreto armado. “No caso das estruturas metálicas, é frequente que os problemas apareçam precocemente, ainda durante a obra. Executar a aderência de peças metálicas aos elementos de vedação utilizando argamassa, por exemplo, resulta em fracasso imediato. Não se tem um problema de projeto estrutural, mas de engenharia de materiais”, explica.

Outro cuidado fundamental é se atentar para as interferências com os contraventamentos. Conforme explica Nascimento, é comum que se privilegie a instalação das peças estruturais sem considerar o fechamento, que depois fica prejudicado por elas. “Os encontros acabam se tornando pontos frágeis para entrada de água”, alerta. Segundo ele, é preciso prever essas interferências em projeto, havendo a possibilidade de se adotar soluções diferenciadas.

Painéis e placas cimentícias requerem planejamento detalhado de posicionamento e espaçamento, além do tratamento adequado das juntas. “Não se pode economizar nas fixações das placas, espaçamento entre montantes e tratamento das juntas. Executá-las do mesmo jeito que se fazem juntas de drywall, por exemplo, resultaria no surgimento de marcas e até fissurações em curto prazo”, alerta Coelho.

No tratamento das juntas, devem ser utilizados mastiques à base de poliuretano ou outros selantes de alto desempenho. “A mão de obra deve ser capacitada para aplicá-lo de forma adequada, tomando cuidado com as proporções entre largura e profundidade, por exemplo. Caso contrário, em pouco tempo o mastique pode ressecar e abrir brechas para a entrada de água”, acrescenta o engenheiro. Fitas devem ser posicionadas não apenas nos encontros, mas sobre todas as peças, de forma a dar caráter monolítico aos componentes.

Para as vedações internas, a adoção de paredes de drywall potencializa o processo construtivo industrial. “Trata-se de um sistema que, além disso, apresenta uma certa flexibilidade vertical, de modo que eventuais movimentações da estrutura metálica são mais bem absorvidas, em comparação às paredes de alvenaria”, conclui Coelho.

Colaboração técnica

Otávio Nascimento –Professor de engenharia do Ibmec Belo Horizonte e diretor da Consultare.
Maristela Gomes da Silva – Professora titular do Departamento de Engenharia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
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