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Como instalar cercas elétricas

Conhecer as características do muro que receberá o sistema é o primeiro passo para colocar em prática o projeto

Redação Portal AECweb / e-Construmarket

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O projeto de cercas elétricas precisa ser feito por profissionais especializados (foto: Treviso Photography/shutterstock)

Sistema eletrônico de segurança, as cercas elétricas são usadas com o propósito de garantir a sensação de tranquilidade no interior da edificação. Depois de instalada, a solução evita invasões na propriedade privada através de pequenos choques aplicados no corpo de quem entra em contato com a fiação. Além disso, o circuito pode ser incorporado a alarmes, que alertam os moradores que algo está errado.

Para usufruir dessas vantagens, é preciso contar com profissionais especializados na elaboração e execução do projeto. “Segurança eletrônica não se compra em balcão”, destaca a engenheira Selma Migliori, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese). O ideal é optar por empresa que oferece o pacote completo, entregando e instalando os materiais, além de realizar as manutenções preventiva e corretiva.

Vejo algumas pessoas buscando somente preço. Compram a central de choque no varejo e contratam alguém para a instalação. No entanto, tudo o que é alternativo poderá causar prejuízo no futuro
Selma Migliori

“Vejo algumas pessoas buscando somente preço. Compram a central de choque no varejo e contratam alguém para a instalação. No entanto, tudo o que é alternativo poderá causar prejuízo no futuro. Pode-se até gastar menos no primeiro momento, mas a resolução de problemas que acontecerão envolverá valores que chegam a ser o dobro da quantia economizada inicialmente”, ressalta a especialista.

PLANEJANDO A INSTALAÇÃO

O projeto das cercas elétricas começa com visita ao local onde será feita a instalação para a análise de risco. Nessa vistoria, os profissionais verificam quais os pontos mais vulneráveis do perímetro, as características arquitetônicas dos muros que receberão o sistema, existência ou não de desníveis, presença de grades ou portões que interferem na linearidade, entre outras informações.

Durante a inspeção, é recomendável que o profissional fotografe o local e insira as imagens no projeto e orçamento. “Também é importante solicitar ao proprietário do imóvel uma planta baixa contendo toda a extensão da edificação”, complementa a engenheira. Outra ação indispensável é medir a altura do muro, pois em alguns municípios existem leis que regulam o tamanho mínimo permitido para a instalação de cercas elétricas.

COMPOSIÇÃO DO SISTEMA

A cerca elétrica é constituída por uma série de equipamentos, sendo que o principal é a central de choque, responsável por alimentar o sistema. Há ainda as hastes, que são fixadas nos muros e podem ter quatro, seis ou oito fiadas. “A distância que esses elementos precisam apresentar entre si varia em função do produto. Em geral, o número fica entre 2,5 e 3 m. A informação precisa é encontrada no manual técnico de cada fabricante”, diz Migliori.

Os fios por onde circula a eletricidade devem ser de cobre ou galvanizados, para evitar problemas com oxidação. A fiação é presa nas hastes por meio dos isoladores. É recomendada ainda a presença de esticadores, elementos usados pelos técnicos durante as manutenções preventivas e que permitem manter os fios bem ajustados e esticados. Nas quinas são colocadas as cantoneiras, que permitem a continuidade do circuito em muros perpendiculares.

A fixação das hastes no muro é realizada por meio de buchas e parafusos. No entanto, é preferível que a ancoragem aconteça através da soldagem da ponta da haste no muro, se a estrutura assim permitir. “Essa alternativa é mais segura do que a combinação parafuso e bucha, afinal, as soldas não podem ser soltas”, afirma a engenheira, lembrando que também podem ser usadas técnicas que impedem que as hastes sejam desparafusadas.

Por fim, os últimos elementos do sistema são as hastes de aterramento e o cabo de alta isolação. O fio é usado para interligar a central de choque com o restante da cerca elétrica e, por isso, é indicado que o material tenha capacidade de suportar tensões de, no mínimo, 20 mil volts. “É importante ter atenção a esse valor para evitar a ocorrência de qualquer acidente”, diz a especialista.

TENSÕES E CORRENTES

A tensão do sistema atinge até 10 mil volts, no entanto, a corrente precisa ser bastante baixa. Caso contrário, há o risco de ocorrerem acidentes fatais. Por isso, é de extrema importância verificar a procedência dos equipamentos, analisando, por exemplo, se a central de choque está homologada nos órgãos competentes e se atende aos critérios mínimos exigidos.

Entre os demais quesitos técnicos está a compra de cabos de alta isolação que tenham passado por ensaios laboratoriais. “Também é importante ter informações sobre a resistência física das hastes e a condutividade dos cabos”, complementa a engenheira.

INSTALAÇÃO

Para a execução do projeto, é importante que todos os profissionais envolvidos estejam utilizando equipamentos de proteção individual (EPIs). “Os trabalhos são realizados em lugares altos, o que pode requerer o uso de andaimes. É recomendável que tanto a empresa instaladora quanto o próprio responsável pela edificação exijam o uso dos EPIs”, alerta a especialista.

Antes de iniciar o procedimento, outro detalhe importante é a checagem do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), verificando se existem laudos restringindo alguma atividade. As principais ferramentas usadas na tarefa são as máquinas elétricas, como furadeira, parafusadeira, martelete, entre outras que agilizam o trabalho.

Um cuidado importante na instalação é com a correta passagem dos fios, deixando todos esticados e bem posicionados. Isso evita que os muros da edificação fiquem com aspecto visual desagradável
Selma Migliori

A mão de obra utilizada em toda a execução precisa ser especializada, com isso fica garantido que o sistema será completamente instalado sem nenhum tipo de brecha que permita a entrada de pessoas mal-intencionadas. “Um cuidado importante na instalação é com a correta passagem dos fios, deixando todos esticados e bem posicionados. Isso evita que os muros da edificação fiquem com aspecto visual desagradável”, fala Migliori.

ATERRAMENTO

Durante o procedimento é preciso seguir as diretrizes da ABNT NBR 5410 - Instalações elétricas de baixa tensão. A norma determina, por exemplo, a criação de tubulação plástica para passagem do cabeamento de aterramento da central de choque e outra tubulação galvanizada para os fios das áreas externas. “A tubulação para passagem do cabeamento de aterramento deve ser de plástico para evitar qualquer tipo de choque”, informa a engenheira.

“Ter atenção com o aterramento do sistema é fundamental, pois são vários os defeitos que podem aparecer futuramente caso existam falhas nessa parte do circuito”, fala a especialista.

TESTES E MANUTENÇÕES

Antes de entregar a solução, são realizados testes para verificar o funcionamento da cerca elétrica e checar se tudo está dentro das especificações técnicas informadas no manual do produto. Geralmente, a maneira adequada de executar esses ensaios é informada pelos fabricantes dos equipamentos.

“Se a cerca elétrica for monitorada 24 horas por empresa especializada, é interessante que o técnico entre em contato com esse prestador de serviço para colocar o sistema em teste. Os resultados ficam registrados na central e, com esse relatório em mãos, o responsável pela edificação pode acompanhar o tipo de manutenção que o estabelecimento vem recebendo”, comenta Migliori.

COMPLEMENTANDO A SEGURANÇA

É possível complementar a segurança do sistema com a tecnologia de controle remoto, que permite ligar ou desligar o circuito a qualquer momento. Por exemplo, quando for necessária a poda da vegetação que cresce próxima à cerca ou para realização de algum tipo de manutenção dos equipamentos que compõem o circuito.

As centrais de choque têm saída chamada normalmente fechada (NF) ou normalmente aberta (NA). Através desses conectores é possível interligar a cerca elétrica com uma central de alarme com sistema de intrusão, por exemplo. “A partir do momento em que o circuito sofrer interferências, uma sirene começa a tocar para indicar que existe algo errado no perímetro”, diz a engenheira.

INVESTIMENTOS

O investimento na tecnologia varia para cada tipo de projeto, já que os custos dependem da metragem do muro, tipo de produto, entre outras características. Por exemplo, mais caras do que as comuns são as cercas industriais – soluções usadas em perímetros complexos, como terrenos com vegetação vasta. Nessa solução, a haste é como um cabo de aço interligado, que tem resistência maior e não se rompe pelas plantas que nela se enroscam.

“Normalmente, é cobrado valor fechado pelo pacote da implantação. Esse custo está muito acessível atualmente para qualquer tipo de estabelecimento. O investimento vale a pena, por gerar grande efeito psicológico inibidor em qualquer pessoa que esteja mal-intencionada”, finaliza Migliori.

Colaboração técnica

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Selma Migliori – presidente da ABESE, é graduada em Engenharia Eletrônica. Fez diversos cursos profissionalizantes em gestão empresarial e segurança eletrônica, elaboração de projetos técnicos de segurança, destacando-se curso realizado na Universidade de Madri. Seu trabalho na entidade foi fundamental para a criação do CCPA (Centro de Capacitação Profissional ABESE), do Selo ABESE e da FENABESE (Federação Interestadual das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança), da qual foi eleita também presidente. É diretora do Deseg (Departamento de Segurança) da FIESP e diretora da Fecomercio SP, por meio da Cecomercio.
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