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Como preparar uma base de apoio para içamento de cargas

Trabalho requer plano de rigging detalhado, com estudo geotécnico que permite identificar a capacidade de peso que o solo consegue suportar

Texto: Santelmo Camilo


Os dados da base de apoio do guindaste devem estar detalhados no plano de rigging (KentaStudio/ Shutterstock)

O trabalho dos equipamentos de elevação de cargas é de alto risco, por isso está atrelado a um item essencial: o plano de rigging. Nele devem constar todos os dados da operação, a começar pela base de apoio para suportar o peso do guindaste e da carga, um dos pontos mais críticos nas operações de içamento.

Segundo os especialistas em rigging, a informação sobre a base deve ser calculada conforme o peso do guindaste e da carga. “Após um estudo geotécnico, é possível descobrir a capacidade de peso que o solo consegue suportar, e a empresa responsável pelo plano de rigging deverá identificar a melhor maneira de distribuir a carga sobre o solo”, observa Edvaldo Peixoto, diretor da IPS Engenharia de Rigging.

De acordo com o especialista, essas análises indicarão se há necessidade de melhorias no solo para suportar o peso, garantido a segurança da base de apoio.

Entre os pontos básicos para o desenvolvimento de um plano de rigging destacam-se as condições do solo e sua resistência à carga aplicada pelo guindaste, além de outros itens, como o peso da peça movimentada, o centro de gravidade e pontos de içamento.

NORMA

As operações de içamento de cargas se enquadram na NR 12.132, que indica a necessidade de elaborar um planejamento para os serviços que envolvam risco de acidentes de trabalho em máquinas e equipamentos, sob supervisão e anuência expressa de um profissional habilitado ou qualificado.

SEGURANÇA NO USO DE GUINDASTES

A segurança da operação de guindastes não pode ser um elemento circunstancial, providenciada durante a execução da tarefa. Ela depende de muitos fatores, como a verificação de interferências invisíveis na área de trabalho, ou seja, tubulações enterradas, envelopes elétricos, fossas sépticas, entre outras situações que podem dar instabilidade à base sobre a qual o equipamento se apoia. O guindaste deve trabalhar o mais afastado possível da beira de taludes para não correr riscos de tombamento, fazendo uma pressão baixa de patolamento sobre o solo.

Camilo Filho, do departamento de Engenharia de Equipamentos da Odebrecht, comenta que, quando é necessário estabilizar o guindaste utilizando um pendente, é preciso levar em conta que a aplicação da força do cilindro vertical de patolamento deve estar perpendicular à sapata da patola. “Não existe regra prática para se dimensionar o calçamento sob patola ou esteiras de um guindaste. O ideal é utilizar, no mínimo, um calçamento que seja três vezes a área da patola, independentemente do que o cálculo indicar”, alerta.

FUNDAÇÃO E GRUAS

Quando o solo em que o guindaste for trabalhar não tiver consistência sólida, como a turfa, por exemplo, composta de uma massa de plantas e musgos decompostos, é necessário fazer uma espécie de fundação, utilizando algumas alternativas. “As mais utilizadas são troca de solo, execução de sapatas, blocos de apoio ou mesmo estaqueamento”, explica Camilo.

Após um estudo geotécnico, é possível descobrir a capacidade de peso que o solo consegue suportar, e a empresa responsável pelo plano de rigging deverá identificar a melhor maneira de distribuir a carga sobre o solo
Edvaldo Peixoto

Edvaldo, da IPS, complementa: “A necessidade de executar fundações para apoio do equipamento será identificada pelo geotécnico responsável por analisar as condições do solo e a pressão máxima exercida pelo guindaste”, diz.

As gruas de edificações também requerem um planejamento de rigging que identifique as cargas máximas aplicadas no solo. “O geotécnico realizará um estudo do solo para conhecer sua capacidade, e a empresa responsável pela engenharia civil desenvolverá o projeto da base de concreto, com capacidade de suportar as cargas e permitir que a grua seja fixada na base”, explica Edvaldo.

Os procedimentos adotados para guindautos ou muncks são os mesmos para guindastes móveis de patolas, já que esses equipamentos são regidos pelas mesmas leis físicas. Estão sujeitos aos mesmos esforços, colapso estrutural e tombamento. A NBR 14768 de guindaste articulado hidráulico também inclui os guindautos nessa categoria.

DIFICULDADES

É preciso evitar, a todo custo, aventureiros e improvisações de última hora. A junção de ambos culmina em acidente
Camilo Filho

Segundo os especialistas, as principais dificuldades encontradas nos trabalhos com guindastes são falta de planejamento e de capacitação de operadores, riggers e sinalizadores. Como o uso do guindaste é cobrado por hora, alguns contratantes exercem pressão na equipe para que o ritmo de trabalho seja acelerado, mas as operações com guindastes requerem procedimentos detalhados, não podendo ser realizadas às pressas, sob risco de comprometer a segurança.

Em muitas situações ocorrem diferenças entre o peso da carga informado pelo cliente e o real, verificado no momento do içamento. Quando isso acontece, o operador normalmente é pressionado para tentar fazer o trabalho, mesmo que fora da tabela. “É preciso evitar, a todo custo, aventureiros e improvisações de última hora. A junção de ambos culmina em acidente”, arremata Camilo.

ESTABILIZAÇÃO CORRETA DE GUINDASTE

1- Calcule a força aplicada nas patolas/esteiras.
2- Obtenha a capacidade de suporte do solo, no qual o guindaste irá trabalhar. Esta é a pressão que o terreno pode suportar.
3- Determine a área necessária, dividindo a força na patola pela pressão que o terreno suporta.
4- Extraia a raiz quadrada. Este valor será o comprimento x largura do calçamento.

 

Leia também:

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COLABORAÇÃO TÉCNICA

Camilo Filho, do departamento de Engenharia de Equipamentos da Odebrecht
Edvaldo B. Peixoto, diretor da IPS Engenharia de Rigging

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