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Conheça os principais procedimentos de segurança para operar gruas

São vários os cuidados previstos em norma para evitar acidentes no canteiro. Conhecer detalhadamente esse equipamento é o primeiro passo para garantir uma operação segura

Redação Portal AECweb/ e-Construmarket

gruas
A NR 18 descreve aspectos que devem ser obedecidos para garantir a segurança dos operadores (foto: Bilanol/shutterstock)

Segurança deve ser uma questão prioritária em todas as fases que envolvem a operação de gruas nos canteiros, desde o planejamento e instalação até a operação e retirada do equipamento. A Norma Regulamentadora 18 (NR 18) – Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção, no seu item 18.14.24, descreve os aspectos que devem ser obedecidos, com o intuito de garantir a segurança das pessoas que trabalham no canteiro de obras.

Para cumprir todos os requisitos e evitar acidentes, é essencial conhecer o funcionamento das gruas. Também conhecidas como guindastes de torres, são utilizadas para o transporte horizontal e vertical de grandes cargas e são compostas, basicamente, por duas partes, uma fixa e outra móvel.

“A parte fixa é formada pelas torres, com altura superior à do empreendimento. No elemento móvel da grua, temos a lança, o carro de translação, a mesa de giro e a contra lança. Deve estar apta a girar 360° sem interferências. Engloba os pontos de descarga de materiais, estoque e pontos de aplicação, ou seja, locais onde serão utilizadas as matérias-primas”, explica Carlos Muzzi Neto, diretor Geral da Construservice.

MONTAGEM DA GRUA

Cada montagem é tratada individualmente e tem como premissa atingir a melhor produtividade e o menor custo para o usuário
Carlos Muzzi Neto

A montagem de gruas é feita em três versões: fixa, externa à edificação, na versão sobre chumbadores ou chassis; móvel sobre chassi metálico e trolleys; e ascensional, montada no fosso do elevador. “Cada montagem é tratada individualmente e tem como premissa atingir a melhor produtividade e o menor custo para o usuário”, diz o engenheiro. Envolve planejamento detalhado, considerando o dimensionamento da grua, o melhor posicionamento na obra e as condições de montagem e desmontagem.

Durante a montagem, é importante dispor de equipe qualificada e treinada, utilizando equipamentos e materiais de segurança de primeira qualidade. A área de montagem deve ser isolada, evitando o trânsito de pessoas não autorizadas no local. Aspecto a se observar são as condições climáticas, principalmente a incidência de ventos.

“Ao instalar a grua, é obrigatória a elaboração do seu plano de cargas, conforme anexo III da NR 18. No documento, devem constar todas as informações pertinentes a instalação, operação, sinalização da grua, bem como as áreas permitidas para estocar, carregar e transitar com material”, lembra Muzzi. Como medida de segurança, a carga nunca pode passar por cima de pessoas, área de vivência e vizinhos. Para atender a esses requisitos, são criados corredores de cargas, sinalizados com placas e fitas zebradas, entre outros recursos de comunicação visual.

“Normalmente, o técnico de segurança do canteiro elabora e treina neste plano os sinaleiros e operadores. O plano de cargas é um documento mutável, ou seja, pode e deve sofrer revisões no decorrer da obra, garantindo que a operação e o trânsito de cargas sejam feitos de modo seguro para todos”, acrescenta.

OPERAÇÃO

A operação do equipamento é feita da cabine de comando, acoplada à parte giratória que fica na parte superior da grua. Com alavancas, o operador controla em todas as direções a posição do gancho da grua, onde os materiais são içados e transportados até o ponto desejado. Uma das atividades mais importantes na operação é a amarração das cargas, que é feita exclusivamente pelo sinaleiro amarrador de cargas.

Muzzi chama atenção para a importância desse profissional que, por isso, deve receber treinamento específico, ser capacitado e qualificado. “Ele é o responsável por amarrar, desamarrar e sinalizar o trajeto da carga em todo percurso. Além disso, faz a verificação diária dos materiais de içamentos utilizados”, diz, destacando que toda comunicação com o operador da grua é feita pelo sinaleiro. Para tanto, ambos utilizam rádio comunicador com frequência exclusiva, o que garante que não haverá interferências na comunicação, que deve ser precisa e clara. Em muitos casos, por ter a visão obstruída pela carga, todo trajeto é feito apenas por sinais de rádio informados pelo sinaleiro.

O operador da grua é o único profissional autorizado a operar o equipamento. Antes de iniciar os serviços, cabe a ele realizar a manutenção diária, acompanhada de um check list, relatando qualquer anomalia aos responsáveis. “O fabricante do equipamento recomenda que as manutenções mais complexas sejam feitas periodicamente, por equipe treinada e capacitada. A execução bem-feita do plano de manutenção garante a confiabilidade e segurança esperadas da grua na obra”, expõe.

MAIS CUIDADOS

A NR 18.14.24 preconiza vários itens obrigatórios para gruas, como limites de carga, fim de curso e anemômetro para medir a velocidade do vento. É permitida a operação com ventos de até 42 km/h. Já mediante ventos superiores a 42 km/h e menores do que 72 km/h, a operação pode ocorrer, deste que assistida por responsável legal. Para ventos superiores a 72 km/h, o equipamento deve permanecer desligado, com o moitão (gancho) recolhido e freio de giro liberado. O freio liberado impede a ocorrência de esforços adicionais na estrutura. Esses procedimentos exigem o acompanhamento e a emissão de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) do engenheiro mecânico responsável.

“As empresas especializadas em gruas devem ter seus próprios procedimentos para evitar qualquer tipo de erro”, recomenda Muzzi. Para cada etapa de trabalho – planejamento, carregamento, pré-montagem, montagem, ligação elétrica, ajuste dos limites de fim de curso –, são elaboradores procedimentos de segurança, com o intuito de minimizar a ocorrência de incidentes. São realizados Diálogos Diários de Segurança (DDS) e treinamento contínuo das equipes.

Às empresas locadoras de máquinas e equipamentos, Muzzi recomenda trabalhar com equipamentos de primeira linha, manter ao máximo a sua originalidade e seguir à risca o manual de fábrica. Cada equipamento deve ter seu número de patrimônio para evitar trocas de peças e acessórios e perda de controle das manutenções, além de ter o histórico documentado de cada um deles.

A mecanização das obras deve ser vista de forma positiva, com o intuito de trazer segurança e agilidade para as pessoas e os empreendimentos
Carlos Muzzi Neto

“A mecanização das obras deve ser vista de forma positiva, com o intuito de trazer segurança e agilidade para as pessoas e os empreendimentos. Portanto, não se pode ignorar cuidados com a segurança das gruas, que são equipamentos confiáveis”, conclui.

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Colaboração técnica

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Carlos Muzzi Neto — Engenheiro formado na Universidade Federal de Minas Gerais. Na Construservice desde 1988, passou de estagiário a engenheiro de obras, passando pelas gerências de Engenharia e Comercial, até chegar ao cargo de diretor Comercial e, agora, de diretor Geral.
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