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Construção de decks sem erros: veja dicas de profissionais

Aparentemente simples, a construção de decks de madeira sobre solo natural ou contrapiso envolve cuidados técnicos desde a fundação até a manutenção do sistema. Confira a seguir

Redação AECweb / e-Construmarket

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Decks de madeira podem ser instalados diretamente sobre a terra, desde que realizado estudo do solo para conhecimento da permeabilidade (Foto: divulgação / Toro Design)

Decks de madeira vêm se tornando cada vez mais comuns. Enquanto no passado eram usados quase que com exclusividade em piscinas, hoje eles ocupam outros espaços, como área de churrasqueiras, varandas, box de banheiro, passarelas de acesso e jardins.

Apesar disso, são comuns os erros de execução envolvendo desde as fundações e os elementos de fixação até o acesso e a interface com as instalações elétricas e hidráulicas. A escolha incorreta da madeira ou do tratamento para esse tipo de uso pode, ainda, reduzir a vida útil do deck.

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Fundações

Segundo a engenheira Samanta Gererozo, diretora técnica da Costanobre Engenharia, os decks podem ser instalados diretamente sobre a terra, desde que realizado estudo do solo para conhecimento da permeabilidade. “O local deve ser coberto com manta bidim, ou, o que é mais comum, ser cimentado. Em ambos os casos, o terreno precisa ser nivelado de modo que o deck permaneça no mesmo nível, sem degrau, evitando o acúmulo de água”, ensina.

O uso de manta geotêxtil é opcional
Murilo Deneno

O arquiteto Murilo Deneno, titular da Toro Design em Madeira, orienta a remoção da vegetação, se houver, espalhando uma camada de regularização de 5 cm de pedrisco preto, que esquenta mais e mata as sementes de pragas. “O uso de manta geotêxtil é opcional”, diz. Se o deck for instalado sobre terreno natural, devem ser feitas fundações do tipo sapatas, onde será apoiada a estrutura. “Ou executar escavações para concretar as bases dos pilares que suportarão a estrutura do deck”, recomenda Deneno.

A fundação varia de acordo com a altura do deck, entre 0,50 m e 1,50 m de profundidade. “Quando os barrotes de apoio estiverem em contato direto com a água, a melhor proteção é feita com a aplicação de tinta impermeabilizante. E, como boa prática, utilizar um espaçador sob o barrote, para que não fique em contato com o contrapiso ou com o solo”, diz a engenheira. Ela indica, também, a instalação de apoios de borracha (neoprene), para facilitar o escoamento da água e diminuir o impacto entre a madeira e o contrapiso. A base consiste em um tramado de estruturas resistentes que serão sobrepostas, para distribuir o peso de maneira uniforme e segura.

Elementos de fixação

Quando a instalação for feita sobre contrapiso ou piso acabado, o arquiteto orienta fixar os barrotes da estrutura do deck com bucha 8 e parafuso a cada 40 a 50 cm (entre eixos) um do outro. “Os barrotes usuais são caibros de madeira garapeira, resistente e durável, com 5 x 5 cm, ou 5 x 7 cm”, fala, comentando que um erro comum é fixar com pinos (pregos sem cabeça) que, com o tempo, levantam ou não conseguem segurar a tendência de torção ou empenamento das réguas.

Samanta Gererozo prefere a mais nova solução do mercado para a fixação do deck na sua estrutura, que são os pinos galvanizados ou parafuso em aço inox com rosca invertida, inclusive pintados na cor marrom, acompanhando o tom da madeira. Ela observa que as cavilhas de madeira têm dilatação diferente da madeira do deck, criando espaços onde a água se acumula. “Muitas acabam se soltando, prejudicando a estética do conjunto”, diz.

Espaçamento entre as réguas

Como as réguas incham quando molhadas, as frestas evitam que elas se aproximem excessivamente. Se isso acontecer, a água não vai escoar, mas acumular cada vez mais, encharcando as réguas de forma progressiva
Samanta Gererozo

As frestas entre as réguas são fundamentais para escoamento da água, prevendo, também, a dilatação natural da madeira. “Como as réguas incham quando molhadas, as frestas evitam que elas se aproximem excessivamente. Se isso acontecer, a água não vai escoar, mas acumular cada vez mais, encharcando as réguas de forma progressiva”, alerta a engenheira, acrescentando que as bordas arredondadas das réguas também facilitam o escoamento e melhoram o efeito visual.

A medida do espaçamento pode variar, mas é necessário deixar o deck de madeira confortável ao caminhar, cobrir visualmente o contrapiso abaixo e manter uma unidade esteticamente harmônica. “O espaçamento entre as réguas deve equivaler a um prego do tamanho médio”, sugere Murilo Deneno.

Acesso às instalações

“As instalações elétricas e hidráulicas devem ficar embutidas e com saídas para manutenção”, aponta a engenheira, que é complementada por Deneno: “A solução é executar um alçapão, para acessar e realizar eventuais reparos nas redes de instalações que passarem sob o deck. Ou para acesso à casa de máquinas, quando o deck for instalado ao redor de piscinas”.

A escolha da madeira

Em geral, os decks são feitos com madeira de maior resistência. Dependendo da disponibilidade da região da obra, as madeiras mais indicadas são cumaru, maçaranduba, tatajuba, muiracatiara, ipê e pau-amarelo. “No Brasil, a madeira mais resistente e durável é cumaru, mais densa e pesada também”, defende o arquiteto, que prefere o cumaru da espécie Ipê Champanhe, já que o mesclado ou rosa apresentam qualidade inferior, embora de preço menor.

Samanta Gererozo explica que a redução de custo do deck é alcançada utilizando pallets, que são, no entanto, construídos com madeira mais frágil. O deck modular comercializado em lojas traz diversos tamanhos, mas é mais frágil devido à fixação ser feita diretamente, sem espaçadores. Além disso, os recortes para acabamento exigem o auxílio de marceneiro.

“Nova no mercado, a madeira ecológica traz um bom custo de instalação e não requer manutenção. São resistentes a intempéries, dispensam pintura e têm ótima durabilidade. Porém, estão longe de manter o mesmo padrão de sofisticação da madeira”, diz ela.

Tratamento da madeira

Em cada parte do deck, da estrutura às réguas, a madeira deve receber tratamentos específicos contra umidade, raios UV e escorregamento. De acordo com o arquiteto, se a estrutura for baixa, a até 15 cm do chão, é preciso aplicar em suas peças o verniz impregnante do tipo stain hidro-repelente, com filtro solar e ação inseticida e fungicida, ou ainda produto impermeabilizante. O mesmo vale para a parte inferior das réguas do deck.

“No caso de estrutura alta, também em madeira garapeira, com pilaretes, vigotas e caibros, e em pilares ‘enterrados’ (concretados) no solo, o tratamento deve ser feito com produto impermeabilizante”, orienta.

Manutenção

A madeira é mais vulnerável em áreas que recebem muito sol ou em locais em contato com produto químico. Nesses casos, é preciso fazer manutenção anual, com o uso de verniz com filtro solar ou impregnantes. “Quando utilizado o stain, não é necessário lixar ou raspar, pois ele é absorvido pela madeira e não forma película como os vernizes marítimos. Basta uma lavagem completa com mangueira de pressão, para retirada das impurezas”, explica a engenheira. Quando o deck está na sombra, a manutenção é mais espaçada, podendo chegar a dois anos.

A recomendação de Deneno é, a cada 12 meses, proceder ao lixamento para remoção de partículas soltas, seguido pela calafetação das possíveis fissuras nas réguas. “Novo lixamento é feito para o nivelamento da massa de calafetação e, por fim, aplicação de duas demãos de verniz stain, respeitando o tempo de secagem entre elas”, diz.

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Colaboração técnica

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Samanta Gererozo – Graduada pela Uniderp (SP), em Engenharia Civil e também Tecnologia em Gestão Financeira, atua no mercado de engenharia há 15 anos. Experiências em áreas como gestão de SMS, medição, supervisão de projetos em campo, atualmente focada em gestão de projetos com ênfase em orçamentação, planejamento e controladoria. Trabalhou em empresas como Cec, WTorre, Ccps, Santa Barbara, Bauruense Energia, Gafix, entre outras. Possui experiência também em consultoria de gestão empresarial (ADM/Financeira/Levantamento de Ativo), envolvendo implantação/manutenção de sistema ERP, para empresas além do ramo da engenharia. Hoje é diretora técnica da Costanobre Engenharia.
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Murilo Deneno – Formado em Arquitetura e Urbanismo pela PUC Campinas (1987). Trabalhou por muitos anos com projetos de marcenaria e carpintaria fina, de alto padrão e fino acabamento de yachts e veleiros de madeira, em marinas de Cingapura e Estados Unidos. De volta ao Brasil, fundou a Toro Design, em Campinas (SP), especializada na construção de decks, pergolados, brises, painéis e fachadas de madeira. Desenvolve, ainda, projetos de arquitetura, paisagismo, design de mobiliário, projetos especiais e presta serviços de consultoria e acompanhamento técnico.
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