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Crise hídrica traz à tona problemas relacionados ao saneamento

Contaminação, necessidade de tratamento de esgoto e má conservação dos mananciais exigem providências emergenciais

Redação PE



A crise hídrica tem atraído olhares de todo o mundo, mas um problema grave vem silenciosamente acometendo os reservatórios de água – a contaminação. Diariamente, milhares de metros cúbicos de esgoto contendo contaminantes químicos e biológicos são despejados em rios e mares. Substâncias como fármacos, chumbo, amônia, surfactantes e uma série de substâncias eliminadas nos efluentes domésticos e hospitalares não são neutralizadas nem se dissipam na água, apenas se diluem. Devido a todos esses fatores, eles necessitam, com urgência, de processos mais avançados de tratamento.


Com esses problemas gerados pela falta de água, a conservação dos mananciais começa a ganhar atenção. O professor da USP, José Carlos Mierzwa, falou na Fenasan 2015 – Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente sobre os aspectos e desafios da conservação e reuso de água. Ele abordou o problema de escassez e a necessidade de conservação dos mananciais, fontes de água potável e geração de água para reuso, com maior aplicabilidade pelas empresas de saneamento.


Esse tipo de método no Brasil é obtido para fins industriais, tendo como exemplo o Projeto Aquapolo na ETE do ABC Paulista, que atende todo o abastecimento do Polo Petroquímico de Capuava.


“Com baseamento nas operações de outros países, principalmente os da Europa, o reaproveitamento da água de reuso, potável para consumo humano, é a melhor opção em tempos de crise.Em contrapartida, o gasto gerado para chegar a purificação é alto e pode acarretar outro problema, o volume exacerbado de esgoto, que dependerá de uma melhor e maior estrutura de captação e tratamento”, resume o professor.


Na feira, também foi realizada uma palestra com o tema “Efeitos das mudanças climáticas na América Latina e Caribe”, coordenada pelo presidente da Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental, Lima Pontes. Nela foram apontados os principais problemas para a crise hídrica em 19 países, número que poderá dobrar até 2025. Entre os pontos mais abordados, as emissões de gases nocivos e o não tratamento de esgotos e resíduos ganharam destaque como fatores que propiciam o aumento da temperatura no planeta.


Dessalinização pode ser alternativa para crise hídrica?


O diretor de Sistemas Regionais da Sabesp, Luiz Paulo de Almeida Neto, intermediou a mesa “Dessalinização como alternativa para abastecimento”, contando com a palestra de Emílio Gabbrielli – Toray Mambranes / IDA – International Desalination Association – e de Renato Saraiva Ferreira – Ministério do Meio Ambiente. Os participantes compartilharam experiências e mostraram que a dessalinização é uma das alternativas viáveis para a falta de água, mas que seu custo ainda elevado pode ser uma barreira.


Pesquisadores do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Dessalinização de Águas Salobras e Salinas da FATEC-SP, coordenado por Ariovaldo Nuvolari, investigaram, testaram diferentes técnicas e publicaram o primeiro livro brasileiro totalmente dedicado ao assunto. Em “Dessalinização de águas” (Oficina dos Textos), os autores detalham a química da água, o pré-tratamento da água bruta, os diferentes processos de dessalinização – tanto os de destilação quanto os de eletrodiálise, a osmose reversa e a nanofiltração – e também o pós-tratamento da água produzida. Aspectos ambientais e sanitários do processo recebem atenção criteriosa. Há ainda relatos detalhados do processo de dessalinizaçao de água do mar, água salobra, residuais e de irrigação com a utilização de diferentes técnicas – o que permite aos autores traçar um comparativo analítico sobre as diferentes usinas.


No entanto, alguns fatores ambientais precisam ser levados em conta nesse assunto, não apenas em relação aos custos com a implantação dos sistemas de dessalinização, mas principalmente pelo volume de água que vem sendo captado dos oceanos. Pelos valores de investimentos, é mais viável investir nos processos avançados de tratamento químico de esgoto, que em planta de dessalinização.


“Há oito anos, as cerca de 13.800 plantas de dessalinização existentes em todo o mundo captavam em média 45 bilhões de litros de água do mar por dia”, observa o gerente especialista em saneamento básico da Conaut, Andres Forghieri. “Hoje, esses números devem ser maiores e, com o aquecimento global, a captação de elevadas quantidades de água do mar certamente trará algum impacto no ecossistema”, diz.


Para Andres, com as captações de água cada vez mais altas fora da concessionária, seja por meio de poços artesianos ou carros pipas, no futuro haverá uma descarga de esgoto três vezes maior que o consumo de água.


Soluções tecnológicas para a crise hídrica


A indústria de saneamento perde de 40% a 75% de água durante o processo de tratamento e distribuição. Isso é prejudicial tanto para as empresas como para os consumidores. Algumas soluções disponíveis no mercado contemplam as etapas do ciclo do saneamento, como coleta de esgoto, tratamento, distribuição de água, controle e operação.


A Schneider Electric apresentou soluções e tecnologias para a indústria de saneamento, que envolvem o controle automático do processo em campo e também das pressões na rede de distribuição por meio de modelagem hidráulica online e a gestão de perdas.


“A Schneider Electric possui um amplo portfólio de soluções que garantem uma gestão de processos mais sustentável. O cenário atual é preocupante em relação à conservação e eficiência de recursos naturais associados a uma busca cada vez maior por novas fontes de água”, afirma André Marino, vice-presidente na Schneider Electric.


Segundo recente estudo do Instituto Trata Brasil, o índice nacional de perdas gira em torno de 40%, enquanto o padrão internacional é entre 10% e 15%. Ainda segundo o estudo, uma redução de apenas 10% das perdas no país agregaria R$ 1,3 bilhão à receita operacional com água.


Isso reduz o faturamento das concessionárias e, consequentemente, sua capacidade de investir na expansão do atendimento de água e esgoto à população. Uma operadora que investe na redução desse índice também tem um ganho intangível que é de associar a sua imagem a eficiência e preservação dos recursos naturais.


“A nova geração de medidores ultrassônicos e volumétricos da Diehl Metering, junto com a telemetria, levam as companhias de saneamento ao que há de mais moderno no mundo em medição e controle.Nessa época de escassez de água, as companhias não podem pensar em um patamar diferente do que ter a melhor tecnologia de medição aliada à expertise de seus técnicos”, informa o gerente de vendas da Diehl Metering no Brasil, Emerson Fontanelli.


A Conaut fornece ao mercado tecnologias como medição de esgoto e efluentes que alia o medidor de vazão sem a necessidade de trechos retos.Esse arranjo de tubulação garante que a seção de medição encontre-se afogada, mesmo em baixas vazões, ou com a tubulação parcial cheia. A empresa também possui uma solução para medição de vazão em grandes diâmetros, que pode ser instalado sem interrupção do fornecimento de água.


“É utilizado um ou dois pares de sensores ultrassônicos diretamente na parede da tubulação por meio de uma cinta que a envolve e posiciona os sensores. Também é possível a retirada deles em caso de necessidade de manutenção. Essa solução é recomendada para tubulações com diâmetros de 100 a 3000 milímetros”, arremata Andres Forghieri, da Conaut.


Colaboraram para esta matéria



André Marino – Vice-presidente da Schneider Electric

Andres Forghieri – Gerente especialista em saneamento básico da Conaut

Emerson Fontanelli – Gerente de vendas da Diehl Metering no Brasil

José Carlos Mierzwa – Professor e pesquisador da USP


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