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Desenvolvimento do cronograma é ação sistêmica

Para que o prazo estabelecido se cumpra, é essencial a integração das várias áreas da construtora, do setor de suprimentos às equipes do canteiro de obras

Redação AECweb / e-Construmarket

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Cronograma organiza ações, estabelece sequências e define datas de atividades (Kemal Taner/shutterstock.com)

O desenvolvimento do cronograma do projeto, um dos 47 processos de gestão de projetos previstos pelo Project Management Institute (PMI), organiza as ações, estabelece sequências e define as datas de início e término das atividades para que a obra seja concluída na data prevista. “Esse processo está associado a outros que levam ao sucesso do projeto. É preciso, portanto, gerenciar várias outras áreas, cada uma com sua importância, tais como escopo, qualidade, custos, suprimentos, recursos humanos e risco”, explica o professor doutor José Francisco Pontes Assumpção, diretor do Gepro – Gerenciamento de Processos, Assessoria e Treinamentos.

Para desenvolver um cronograma, é preciso ter por base a etapa anterior, de desenvolvimento do planejamento do escopo, envolvendo a identificação dos stakeholders, a coleta de requisitos e o documento que define o escopo do projeto (Project Charter).

TRABALHO EM EQUIPE

O desenvolvimento do cronograma é da responsabilidade do gestor do projeto, porém não será ele quem, necessariamente, irá operacionalizar a atividade. Esse processo decorre de um trabalho de equipe e envolve pelo menos dois segmentos da empresa: o dos profissionais que desenvolvem o planejamento de prazos (os planejadores) e aqueles que vão se utilizar das datas estipuladas (a área de produção). “A elaboração do cronograma deve ser validada por todos os envolvidos, desde suprimentos até o pessoal da obra”, recomenda.

A elaboração do cronograma deve ser validada por todos os envolvidos, desde suprimentos até o pessoal da obra
José Francisco Pontes Assumpção

Assumpção esclarece que a operação é feita, entre outras áreas, pelos engenheiros da obra. São eles os responsáveis por conduzir a contento o prazo da execução, assim como o custo dentro do orçamento, e atingir a qualidade prevista, entre outros requisitos do projeto. “Se o cronograma estabeleceu três meses para a execução das fundações e seis meses para a execução de fachadas, o engenheiro da obra precisa validar esses prazos”, exemplifica. Da mesma forma, o setor de suprimentos precisa prover os recursos necessários para a execução dentro das datas previstas.

OBRA SEMPRE ATRASA?

Embora este seja um lema recorrente na construção civil, ele é rebatido pelo professor, que prefere evitar generalizações para todo o setor. Existem empresas com sistemas de planejamento bem estruturados, conceitos adequados e usuários bem preparados, que conseguem terminar os projetos no prazo.

Nos anos recentes de boom imobiliário, houve muitos lançamentos e dezenas de obras simultâneas realizadas por empresas que, de forma muitas vezes arriscada, procuraram aumentar seu portfólio em curto espaço de tempo. “Aquelas que não dispunham de uma estrutura adequada para dar suporte a essa expansão, num momento em que havia gargalos no fornecimento de insumos, não entregaram a tempo, gerando um grande volume de obras em atraso”, comenta, lembrando que, em condições normais, isto não deveria ocorrer.

Se o cronograma estabeleceu três meses para a execução das fundações e seis meses para a execução de fachadas, o engenheiro da obra precisa validar esses prazos
José Francisco Pontes Assumpção

Os cronogramas de projetos desenvolvidos por empresas do mercado de serviços (obras empreitadas) correm menos risco de não se cumprir do que aqueles de construtoras do mercado imobiliário. Em geral, porque as primeiras têm estrutura e histórico de planejamento mais adequados, – e, se atrasam, – é por razões que fogem ao seu domínio, como alterações do escopo, erros de projeto e, principalmente, atrasos de pagamentos (por exemplo, quando o contratante não consegue viabilizar, a tempo, os recursos financeiros do serviço executado).

DIFICULDADES NO DESENVOLVIMENTO DO CRONOGRAMA

A maior dificuldade no desenvolvimento do cronograma do projeto, segundo o professor, passa pela falta de cultura e despreparo das empresas em relação ao tema. Esse cenário vem mudando, com maior atenção ao planejamento de prazos, custos e suprimentos. Outro aspecto que dificulta é a formação dos profissionais nos cursos de engenharia civil e de arquitetura, com pouca ênfase nas áreas de gerenciamento e administração.

Quando se fala em gerenciamento de projetos, é preciso pensar de forma sistêmica e integrada, pois uma área de conhecimento tem influência direta sobre a outra. Para exemplificar, é válido lembrar que o gerenciamento do escopo interfere no gerenciamento de prazos e custos, da mesma forma que o gerenciamento de prazos tem impacto nos custos. "Um caso clássico é quando se tem um cronograma bem elaborado, mas que não pode ser cumprido por deficiência no gerenciamento de suprimentos ou de recursos humanos, que não conseguem prover os insumos nem a mão de obra para atender às demandas do cronograma”, conclui Assumpção.

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Colaboração técnica

José Francisco Pontes Assumpção – Possui graduação em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo (USP), mestrado em Arquitetura pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP) e doutorado em Engenharia Civil pela USP. É professor convidado para o curso de especialização da Universidade Federal da Bahia (UFBA); do Poli Integra da USP; e do curso de especialização da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em gerenciamento na construção civil, atuando principalmente em planejamento de empreendimentos, planejamento de obras, programação e controle de obras. É sócio-diretor do Gepro – Gerenciamento de Processos, Assessoria e Treinamentos.
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