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Dicas para evitar e corrigir patologias de lajes

Recuperação nem sempre é viável para resolver os problemas, cuja origem decorre por diversos motivos, seja no projeto estrutural, execução ou aplicação de materiais

Texto: Gabriel Bonafé

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Representação de laje de concreto com fissuras (Molodec/Shutterstock.com)

Fissuras. Manchas. Flechas excessivas. As patologias das lajes são consequência da degradação dos materiais que compõem as estruturas de concreto armado. De acordo com Artur Lenz Sartorti, engenheiro civil e coordenador do Núcleo de Tecnologia de Engenharia e Arquitetura do Centro Universitário Adventista de São Paulo (NUTEA/UNASP), esses problemas podem ter origem no projeto estrutural, na execução da estrutura ou nos materiais empregados. Também podem surgir com a interação do concreto com agentes externos, como ácidos, sais, gases, umidade, entre outros.

A complexidade da intervenção corretiva depende do grau de comprometimento das lajes. Patologias que afetam a condição estrutural da laje, como corrosão das armaduras e flechas excessivas, requerem análises minuciosas para especificação de técnicas e materiais de reparo, mas a recuperação nem sempre é viável. “Em reformas muito dispendiosas, a melhor solução é a demolição da estrutura”, conta Sartorti.

Os trabalhos de recuperação estrutural da laje podem demandar, ainda, que o local seja interditado caso o serviço possa representar riscos de desabamento.

Se os projetos estruturais forem bem estudados, desde sua concepção, passando por uma análise criteriosa e culminando com um detalhamento eficiente e claro, observando as normas técnicas estabelecidas, teremos uma redução da ordem de 50% nas patologias de lajes
Artur Lenz Sartorti

COMO EVITAR PATOLOGIAS

Sujeitas à ação do tempo, dificilmente as lajes deixarão de manifestar as patologias do concreto. No entanto, problemas associados à concepção da estrutura podem ser evitados ou reduzidos. “Se os projetos estruturais forem bem estudados, desde sua concepção, passando por uma análise criteriosa e culminando com um detalhamento eficiente e claro, observando as normas técnicas estabelecidas, teremos uma redução da ordem de 50% nas patologias de lajes”, afirma Sartorti.

Além de um projeto estrutural bem elaborado, é necessário que a obra siga as melhores práticas de execução. Pequenos descuidos no preparo do concreto, por exemplo, podem desencadear manifestações patológicas. Dessa forma, a supervisão tem um papel importante em assegurar o correto posicionamento das armaduras, verificar se o abatimento do concreto entregue atende à especificação do projeto e se o lançamento do material foi realizado adequadamente.

Os requisitos básicos para projeto de estruturas de concreto simples, armado e protendido estão expressos na norma NBR 6118:2014, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

RECUPERAÇÃO DE LAJES

Identificar o mecanismo que desencadeou o quadro patológico da laje é a primeira e fundamental etapa para tratar o problema. De acordo com Sartorti, o serviço requer mão de obra especializada para analisar, reconhecer e propor a solução mais adequada.

“Cada caso exige produtos, técnicas, projetos e outros serviços específicos”, aponta. “Um estudo pouco acurado da manifestação patológica conduz a tratamentos maquiadores ineficientes que somente escondem o problema real por algum tempo, sendo desmascarados posteriormente”, alerta o engenheiro.

Manchas na laje podem surgir devido a fungos, lixiviação e umidade, fatores oriundos de infiltrações na estrutura porosa do concreto. Para resolver esse problema, a técnica recomendada é a impermeabilização corretiva. Além disso, as manchas também podem evidenciar a corrosão de armaduras, cujo tratamento especificado por mão de obra especializada em virtude do agente que desencadeou o processo corrosivo.

Já as fissuras podem ser causadas por inúmeros fatores, incluindo sobrecarga acima do previsto no cálculo estrutural, ancoragem insuficiente da armadura, espessura inadequada do concreto, excesso de calor de hidratação, quantidade excessiva de água na mistura, cura ineficiente, entre outros. O diagnóstico requer análise de profissionais especializados.

PATOLOGIAS DE LAJES PRÉ-MOLDADAS

Fissuras em lajes pré-fabricadas respondem por, aproximadamente, mais de 80% das causas de recusas deste tipo de produto
Fabrício Martins Silva

Em lajes alveolares pré-fabricadas em concreto protendido, os principais problemas correspondem a fissuras. “Este tipo de patologia responde por, aproximadamente, mais de 80% das causas de recusas deste tipo de produto”, revela Fabrício Martins Silva, consultor em pré-fabricados pela FCTEC Engenharia.

As principais causas das fissuras nos pré-moldados estão associadas a falhas no processo de produção, cura, manuseio e acondicionamento das peças. Elas podem ser identificadas antes da desprotensão das pistas ou após a desforma e estoque das peças.

Lajes pré-moldadas fissuradas representam grande risco de segurança à obra, uma vez que podem fraturar já no momento da montagem. “Por isso a importância de se ter uma boa inspeção da qualidade das peças durante o processo de produção, estoque e expedição”, defende Silva.

Como o custo de produção de uma nova peça é menor do que o custo de reparo, a recuperação para este tipo de laje se torna uma atividade de baixa demanda. “O que normalmente é feito é o reaproveitamento de uma laje fissurada para fazer novas lajes de menor seção, seja no comprimento ou na largura, diminuindo assim a quantidade de perdas”, diz o consultor.

A norma da ABNT para lajes pré-fabricadas é a NBR 14859, que está dividida em três partes. A separação torna mais fácil a compreensão de definições técnicas e aplicabilidade do material.

Leia também:
Concreto armado e protendido têm diferentes propriedades e aplicações

Colaboração técnica

Artur Lenz Sartorti – Graduado em Engenharia Civil pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (2005), Mestre em Engenharia Civil (Estruturas) pela Universidade Estadual de Campinas (2008) e Doutor em Ciências, Programa de Engenharia Civil (Estruturas) na Escola de Engenharia de São Carlos - USP (2015). Atualmente é professor Associado de Engenharia Civil do Centro Universitário Adventista de São Paulo na área de Estruturas e Coordenador do Núcleo de Tecnologia de Engenharia e Arquitetura - NUTEA/UNASP.
 
Fabrício Martins Silva – Consultor em pré-fabricados pela FCTEC Engenharia e criador do software de gestão de fábricas de pré-fabricados Precast Control pela Plannix, empresa onde é sócio-fundador. É formado no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais. Com larga experiência em estruturas pré-fabricados de concreto armado e protendido (17 anos), já atuou como inspetor de qualidade, supervisor de produção, gerente de qualidade, gerente de obras pré-moldadas, gerente de produção e gerente industrial, onde foi responsável principalmente pelos setores de planejamento, produção, manutenção e logística.
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