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Dicas para projetar hotéis

A especificação deve priorizar materiais duráveis, de fácil manutenção e limpeza

Redação AECweb / e-Construmarket

Os projetos arquitetônicos de hotéis começam antes mesmo de o arquiteto esboçar os primeiros traços na prancheta. O start é dado com base em uma pesquisa de mercado que permite ao investidor analisar a demanda na região que receberá o empreendimento. “Com base nesse estudo, a categorização é determinada, ou seja, se será do tipo econômico, midscale [categoria mediana] ou upscale [categoria de luxo] – conceitos trazidos para o Brasil pelas grandes redes internacionais e que substituem as antigas estrelas”, expõe o arquiteto Thomas Michaelis, titular do escritório Michaelis Arquitetos.

“Um conhecimento inadequado do mercado pode potencializar empreendimentos com riscos consideráveis”, ressalta, ainda, o arquiteto Nelson Andrade, sócio-diretor da N&W Arquitetos.

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Em pojetos luxuosos, são usados vidros e elementos que permitem alterações (Daniilantiq/ Shutterstock.com)

FASE DE CONCEPÇÃO

Como os terrenos têm custos elevados, é recomendável aproveitar ao máximo a área. Entretanto, não significa que o empreendimento deva ter sempre a maior quantidade de quartos possível. “O número de aposentos é calculado em relação à demanda prevista, para evitar elevado percentual de acomodações ociosas”, diz Michaelis.

A categoria do hotel tem influência direta no projeto arquitetônico. Nos empreendimentos econômicos, os sistemas construtivos, materiais de acabamento e demais soluções devem ser os mais baratos. No outro extremo, quanto maior for o luxo, aumentam as possibilidades. “Isso não quer dizer que o arquiteto terá maior ou menor liberdade criativa, mas sim que as possibilidades de trabalho são distintas”, diz Michaelis, ressaltando que é mais difícil projetar um hotel econômico do que aqueles midscale ou upscale. “No caso dos econômicos, há poucas ferramentas para deixar um edifício diferente do outro”, explica.

Como os ambientes de hotéis são quase públicos, alguns cuidados devem ser tomados na escolha dos materiais com relação à sua durabilidade e à facilidade de manutenção e limpeza
Nelson Andrade

Quando o projeto é de propriedade de uma rede hoteleira internacional, o arquiteto precisa seguir algumas referências. “Apesar de não ser muito comum, existem casos em que o padrão internacional deve ser adotado após adaptações à legislação local e/ou aos sistemas construtivos e materiais disponíveis”, fala Andrade, lembrando que, em geral, a rede hoteleira adota um conjunto de normas que devem ser obedecidas pelo projeto que parte do zero. Também não são poucos os casos de aproveitamento de edifícios projetados, e até existentes, por parte de redes hoteleiras, que somente executam algumas adaptações e os incorporam às suas bandeiras.

Assim como os quartos e ambientes comuns, o arquiteto tem que se preocupar com a acomodação de áreas técnicas. Os locais que receberão geradores, shafts, entre outras instalações, devem ser levados em consideração desde o início do projeto. “Quando são esquecidas, o que acontece bastante, costuma ser traumática a introdução dessas áreas em um projeto que já está pronto. O hotel é uma edificação que deve ser de ponta, tanto no quesito arquitetura quanto na questão de decoração”, comenta Michaelis.

SISTEMAS CONSTRUTIVOS

Grandes hotéis com múltiplos pavimentos podem ser executados com estruturas de concreto. Já os empreendimentos menores, como hotéis-fazenda ou pousadas térreas, têm a possibilidade de recorrer a soluções mais simples, como as paredes de alvenaria. “Empreendimentos de maior porte necessitam de grandes investimentos financeiros, daí a conveniência em reduzir o tempo de construção para colocá-los em funcionamento rapidamente, antecipando o retorno financeiro. Por essa razão, sistemas construtivos com base na pré-fabricação são altamente recomendáveis”, afirma Andrade. Em muitos hotéis, por exemplo, os banheiros são pré-moldados e suspensos por uma grua ao serem introduzidos nos pavimentos.

Nas partes internas, a divisão entre os quartos em geral é feita com paredes de gesso (drywall). Além das estruturas de concreto, outras opções que podem ser aproveitadas são os sistemas metálicos e as estruturas pré-moldadas de concreto. “Essas soluções têm valores maiores, por isso a alternativa tradicional continua sendo a mais aproveitada”, diz Michaelis.

MATERIAIS DE ACABAMENTO

Como recebem grande número de ocupantes diariamente, os hotéis devem empregar materiais de acabamento resistentes. A maioria dos dormitórios recebe pintura ou papel de parede, já para os banheiros o mais indicado são os porcelanatos. “Como os ambientes de hotéis são quase públicos, alguns cuidados devem ser tomados na escolha dos materiais com relação à sua durabilidade e à facilidade de manutenção e limpeza”, recomenda Andrade.

Nos corredores, devido à questão acústica, é possível optar pelos carpetes nos pisos. Por outro lado, o material não é indicado para o interior dos quartos devido ao seu preço elevado, podendo ser substituído pelos pisos vinílicos ou frios. Nos hotéis econômicos, a fachada geralmente recebe soluções mais baratas de revestimento, como pinturas ou uma argamassa tingida. “Nos empreendimentos luxuosos, são usados vidros, painéis de alumínio composto (ACM) e demais elementos que possibilitam alterações nas fachadas”, diz Michaelis.

Nos empreendimentos luxuosos, são usados vidros, painéis de alumínio composto (ACM) e demais elementos que possibilitam alterações nas fachadas
Thomas Michaelis

TECNOLOGIA

As fechaduras automáticas nos hotéis representam um avanço no que diz respeito à simplificação das operações e à segurança, entretanto existem diversas outras inovações tecnológicas que podem fazer parte do projeto. “Existem empreendimentos que, quando o hóspede chega ao aeroporto, recebe no celular uma mensagem do hotel dando as boas-vindas e o número do quarto. Com isso, não é preciso nem fazer check-in, podendo se dirigir diretamente para o quarto e abrir a fechadura com o smartphone”, exemplifica Michaelis.

“São especificados, ainda, sistemas com maior ou menor grau de automação, como sonorização ambiente; circuito fechado de televisão; sistema de relógios; detecção e alarme de incêndio; e internet sem fio, entre outros”, lista Andrade.

Além desses recursos, existem outros tipos de tecnologia que são invisíveis aos olhos, mas que contribuem para uma boa estadia, como as tubulações que controlam a temperatura da água; materiais que funcionam como barreiras sonoras e proporcionam conforto acústico; e as soluções para trocas climáticas nos quartos.

SEGURANÇA

Como qualquer edificação, projetos de hotéis devem obedecer à norma técnica NBR 9077 - Saídas de emergência em edifícios, assim como as normas dos Corpos de Bombeiros locais.

As grandes redes hoteleiras têm requisitos de qualidade e segurança superiores aos exigidos pela legislação. Deve haver uma escada de incêndio, por exemplo, em cada extremidade da edificação. “Algumas empresas só hospedam seus funcionários em hotéis com determinado nível de segurança. Isso faz com que os empreendimentos invistam em equipamentos que os tornem menos suscetíveis a riscos”, ressalta Michaelis.

Também precisam ser observadas as exigências da ABNT NBR 9050 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. “Entre as exigências dessa norma, podem ser mencionados o número de apartamentos adaptados e os espaços para cadeirantes no interior das escadas de segurança”, finaliza Andrade.

Veja projetos de hotéis na Galeria da Arquitetura

Colaboração técnica

Nelson Andrade – Arquiteto e urbanista pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), é também mestre e doutor pela mesma instituição. Atua como professor titular do curso de Arquitetura e Urbanismo da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e é sócio-diretor da N&W Arquitetos Ltda.
Thomas Michaelis – Formado em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos (FAUS), com especialização em hotelaria pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Há 18 anos, projetou o primeiro Formule 1 do Brasil e, desde então, projetou mais de 140 hotéis espalhados pelo Brasil e também em outros países. É titular do escritório Michaelis Arquitetos.
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