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Drywall também pode ser instalado em áreas molhadas

Para usá-lo em banheiros basta escolher a chapa certa e fazer uma boa impermeabilização

Por Tatiana Arcolini e Paula Barradas


Foto: Drywal Verde
Crédito: Claudio G Mohamad

No revestimento de áreas molhadas, como banheiros e cozinhas, o drywall deve ser feito com chapas de gesso mais resistentes à umidade e, ainda, impermeabilizadas.

“Para aplicar o sistema drywall em áreas molhadas, é indicado usar chapas de gesso resistentes à umidade, chamadas de chapa verde, feitas com aditivo hidrofugante”, elucida o arquiteto Fagner Mendes Gava, do escritório FMG Arquitetura e Conceito.

Cabe ao aditivo aumentar a resistência das placas ao contato com a água. “Além disso, é necessário impermeabilizar a parte inferior, pois o gesso possui muita porosidade, aumentando a absorção”, comenta Eliene Ventura, gerente técnica da Vedacit/ Otto Baumgart.

“A impermeabilização deve ser feita com impermeabilizantes a partir de compostos elastoméricos, que se movimentam de acordo com a contração ocorrida nas chapas de drywall”, explica Fabrizio Portela, diretor geral da Fast Home.


Foto: Claudio G Mohamad

Há diversos tipos de impermeabilizantes para drywall no mercado, mas três deles são mais usados na Construção Civil:

Membranas de asfalto elastomérico para aplicação a frio - uma vez que sistemas para aplicação a quente, com auxílio de maçarico, não são recomendados para chapas de gesso.

Membranas acrílicas - proporcionam impermeabilização sem nenhuma emenda, o que garante ausência de pontos fracos e permite a aplicação de qualquer tipo de revestimento.

Cimento polimérico - composto de cimento, aditivos especiais e agregados minerais, que admite a aplicação de qualquer tipo de revestimento.

Significado e uso

A palavra drywall significa parede seca, representando a ideia de construção a seco, porque dispensa os métodos convencionais da alvenaria. As paredes em drywall são um “conjunto composto por estrutura interna de aço galvanizado perfilado em U e envolvido por chapas de gesso acartonado aparafusadas na estrutura. Portanto, é feito basicamente de gesso e aço”, explica Claudio Mohamad. Mais usado como paredes internas de casas e em tetos, o sistema também pode revestir externamente as edificações, variando apenas no tipo de estrutura, na chapa e no acabamento. Neste caso, os perfis são de aço estrutural: steel frame e chapas cimentícias resistentes à ação de ventos e chuvas. Para quem ainda não conhece, a principal diferença entre as paredes de drywall e as de gesso ou alvenaria é que “elas são montadas a seco, a partir de componentes industrializados, o que lhes garante um padrão superior de qualidade”, esclarece o arquiteto Fagner Mendes Gava. Dessa forma, elas cumprem os mesmos requisitos básicos de desempenho mecânico, acústico e térmico das paredes de alvenaria, só que com algumas vantagens, como rapidez na execução, qualidade de acabamento, ganho de espaço (já que são menos espessas) e quase total ausência de desperdícios e entulho. “Isso explica por que o drywall vem conquistando a preferência não só do mercado profissional, formado por incorporadores, construtores e arquitetos, como também o consumidor final, que tem utilizado a tecnologia em pequenas reformas e projetos de decoração”, finaliza o arquiteto. Fabrizio Portela relata, ainda, que o drywall é um material sustentável, pois, mesmo ocorrendo sobras, é totalmente reciclável, sendo, portanto, uma ótima opção para a preservação do meio ambiente.

OrientaÇÕes

O ideal é aplicar o impermeabilizante no piso e nas paredes até uma altura de 30 cm, para que resulte em, ao menos, 20 cm de impermeabilização acima do piso acabado, conforme preconiza a Norma NBR 9574 – Impermeabilização – Execução. Maria Amélia Silveira, engenheira do departamento técnico da Viapol, lembra que a aplicação deve ser feita a frio, para que a placa de gesso não seja danificada, com materiais de secagem rápida e, de preferência, sem solventes orgânicos, pois as áreas internas são pouco ventiladas e ainda há risco de os solventes migrarem para as placas de gesso, manchando-as ou danificando-as.

De acordo com Eliene Ventura nos casos mais críticos, como a área do boxe dos banheiros, pode ser indicado o uso de quatro demãos do produto. “Nas demais áreas sem a presença de ralo podem ser aplicadas apenas três”, pontua.

Nos locais em que ocorre lavagem constante do piso, as paredes devem receber um tratamento que impeça a absorção da água, como a utilização de um selante entre a chapa de gesso e o piso. Maria Amélia Silveira também aconselha fazer uma calafetação com mastique de poliuretano ou acrílico no montante metálico junto ao piso onde a placa de drywall é fixada. “A colocação do mastique impede a água de passar do ambiente molhado para a área contigua.” Vale ressaltar que os demais elementos afixados nas paredes também devem ser calafetados, como registros, torneiras, pias, lavatórios etc. Depois, basta executar a impermeabilização propriamente dita.

Normas técnicas

• ABNT NBR 15.758-1 (2009) – Sistemas construtivos em chapas de gesso para drywall, projeto e procedimentos executivos para montagem. Parte 1: Requisitos para sistemas usados como paredes.

• ABNT NBR 15.758-2 – Sistemas construtivos em chapas de gesso para drywall, projeto e procedimentos executivos para montagem. Parte 2: Requisitos para sistemas usados como forros.

• ABNT NBR 15758-3 – Sistemas construtivos em chapas de gesso para drywall, projeto e procedimentos executivos para montagem. Parte 3: Requisitos para sistemas usados como revestimentos.

• ABNT NBR 15.758-3 (2009).

• ABNT NBR 14.715-(2010) – Chapa de gesso para drywall – Requisitos.

• ABNT NBR 14.715-2 (2010) – Chapas de gesso para drywall – Métodos de ensaio.

• ABNT NBR 15.217 (2010) – Perfis de aço para sistemas construtivos em chapas de gesso para drywall – Requisitos e métodos de ensaio.

• ABNT NBR 9575 – Impermeabilização – Projeto e Seleção é uma norma que estabelece as exigências e recomendações relativas à seleção e projeto de impermeabilização, para que sejam atendidas as condições mínimas de proteção da estrutura em relação à proteção contra infiltração de água nas partes construtivas, além de preservar a saúde, segurança e o conforto do usuário.

• ABNT NBR 9574 – Execução de impermeabilização.

• ABNT NBR 15885 – Membrana de polímero acrílico com ou sem cimento, para impermeabilização.

José Luiz Gonçalves, técnico da Placo do Brasil, explica que é possível impermeabilizar o rodapé usando um rodapé metálico. Para isso, durante a montagem da estrutura da parede, deve-se instalar o rodapé metálico, que é parafusado aos montantes, e sobre ele, aplicar a manta asfáltica. Para complementar o desnível, é essencial aplicar uma proteção mecânica e, na sequência, sobrepor o revestimento final.

“A falha na impermeabilização ou a falta dela possibilita a aparição de uma patologia caracterizada pela migração ascendente de umidade, que provoca o descolamento do material cartão-gesso e do revestimento utilizado”, explica o engenheiro civil Claudio Mohamad. Também pode ocorrer a formação de fungos e bolores, além da perda da consistência e da funcionalidade do produto em pouco tempo.

Feita a impermeabilização, a parede e o revestimento podem receber qualquer tipo de acabamento, indo da cerâmica à pintura e à base de resina epóxi. A Comissão Técnica da Associação Brasileira de Drywall conclui: “Não há qualquer risco em utilizar o sistema drywall em áreas úmidas, desde que se tomem os cuidados essenciais de impermeabilização que também são utilizados na alvenaria convencional”.

É bom saber

Desde meados dos anos 1990, o sistema drywall se transformou em forte tendência no mercado da Construção Civil no Brasil. O crescimento se deve ao esforço do segmento em se modernizar, pois tradicionalmente usava métodos ultrapassados, com baixa produtividade, elevados níveis de desperdício e mão de obra mal qualificada. No entanto, seu uso ainda é tímido quando comparado a outros países. “Enquanto o brasileiro consome apenas 0,18 m² de chapas para drywall por habitante/ano, os Estados Unidos usam 10 m²”, relata Carlos Roberto de Luca, gerente técnico da Associação Brasileira do Drywall. De Luca aponta, ainda, que esse cenário deve mudar, já que o consumo de chapas para drywall continua crescendo acima dos índices de expansão da Construção Civil brasileira – nos últimos três anos o sistema drywall registrou aumento de 74%, enquanto a Construção Civil cresceu apenas 20%.

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