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Escada rolante bem projetada evita acidentes

O perfeito funcionamento do equipamento e a atenção dos usuários durante o uso são itens fundamentais para garantir a segurança

Redação AECweb / e-Construmarket

Escada Rolante

Quando o assunto é avanço tecnológico, as escadas rolantes – equipamento já incorporado ao cotidiano das cidades – pararam no tempo. “Basicamente é o mesmo sistema utilizado há 50 anos. Um degrau que sobe e se entrelaça com o próximo, tudo puxado por motor. Faltam pesquisas nesta área, até porque a demanda mundial não é tão grande quando comparada à dos elevadores, transporte que evoluiu a ponto de dispensar a casa de máquinas”, diz o engenheiro mecânico Luciano Grando, presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Mecânicos (ABEMEC-RS) e diretor técnico da Grando Engenharia.

Este cenário não é exclusividade do Brasil, já que são utilizados os mesmos mecanismos empregados em todo o mundo, sendo que os equipamentos são importados de fábricas europeias, norte-americanas ou chinesas. A estagnação tecnológica se reflete também nos sensores de segurança, que receberam algumas melhorias, porém, a concepção básica não se modificou. “É necessário que parte do corpo do usuário, como o pé, tenha ficado preso entre degraus ou na lateral da escada para que o sensor detecte o problema e ela pare de funcionar”, alerta o engenheiro.

Grando alerta que a prevenção de acidentes está diretamente ligada ao comportamento do usuário. “A maioria dos problemas acontece com crianças e por erros humanos. Por isso, torna-se necessária uma melhor divulgação sobre os procedimentos de segurança. O público precisa tomar alguns cuidados como não sentar nos degraus, ter atenção ao carregar crianças de colo para não se desequilibrar e cautela com sapatos de borracha ou salto alto que podem ficar presos. Os avisos nas laterais das escadas são obrigatórios por norma, porém não são suficientes, pois a pessoa só é informada quando já está no interior do equipamento. Para prevenir acidentes, outras ações poderiam ser tomadas, como disponibilizar informações em totens antes da escada”, afirma.

Especificação

O engenheiro explica as diferenças técnicas entre as escadas e as esteiras rolantes. “Escadas têm inclinação de 30º ou 35º, já as esteiras são planas e com inclinação de 10º. A largura do degrau varia entre 60cm, 80cm, 1m e 1,10m e o guarda-corpo pode ter 80cm ou 90cm de altura. Há escadas em que nos patamares superiores e inferiores podem ter dois ou três degraus em linha, ou seja, quando o movimento se aproxima do final, dois ou três degraus tornam-se planos para facilitar a saída do usuário, proporcionando mais segurança. Há, ainda, equipamentos com velocidades diferentes, porém a maioria opera com 0,5 metros por segundo”, explana.

As características do projeto são determinantes no momento de escolher o equipamento. “Em um prédio comercial, onde muitas pessoas utilizam a escada, é preciso optar por uma solução mais larga e que permita até duas pessoas no mesmo degrau. Já em um vão aberto, é necessário especificar um mecanismo com guarda-corpo mais alto. No cálculo de tráfego, a escada deve ser dimensionada em função do número de pessoas que a utilizarão. Por exemplo, para instalar um equipamento com capacidade de receber 9 mil pessoas por hora em um ambiente com tráfego superior a este número, é preciso projetar mais de uma escada rolante para subida e também para descida”, fala o profissional.

Além do tráfego, outras informações sobre o empreendimento devem ser levantadas durante a especificação, entre elas: qual o tipo de edificação, onde a escada será instalada, qual a destinação, o público e o posicionamento. “Um equipamento de alto tráfego tem características diferentes de uma escada convencional. Ela é uma solução dimensionada para suportar diariamente um fluxo mais pesado, como em estações de metrô ou ônibus. Também existem as escadas rolantes projetadas para ficarem expostas e suportarem as condições climáticas”, exemplifica o engenheiro.

No mercado atual, estão disponíveis produtos com acabamentos internos em inox ou vidro, diversas cores, sistema de acionamento com frequência variável, escadas que se desligam após um tempo sem serem utilizadas, com sensor de movimento que ativa o mecanismo quando alguém se aproxima, entre outros.

Aplicação

A compra da escada rolante é realizada diretamente com as empresas fabricantes. Os produtos são padronizados, existem catálogos e o projeto deve ser elaborado levando em consideração as medidas padronizadas. “Para ser instalado, o equipamento necessita de dois apoios em ambos os patamares. O material é entregue inteiro ou em duas partes, que são unidas na obra antes de serem içadas ao local em que ficará. As empresas que comercializam a solução normalmente disponibilizam a mão de obra para instalação”, detalha Grando.

Manutenção

A segurança dos usuários está diretamente vinculada às manutenções, que devem ser realizadas sempre que necessário. “O equipamento deve estar bem ajustado para que, em caso de emergência, os sensores disparem o mais breve possível. Alguns sinais indicam que o mecanismo necessita de alguma manutenção, como folgas excessivas nas laterais ou entre degraus, ruídos de peças raspando ou o corrimão meio solto”, menciona o profissional.

Qualidade

As escadas rolantes devem atender basicamente à norma técnica ABNT NBR NM 195:1999 - Escadas rolantes e esteiras rolantes - Requisitos de segurança para construção e instalação. Para o cálculo de tráfego e dimensionamento das necessidades de transporte da escada, há a ABNT NBR 5665:1987 - Cálculo do tráfego nos elevadores.

É bom saber

Uma confusão frequente dos profissionais é pensar que as escadas rolantes podem ser utilizadas como rota de fuga em caso de incêndio. “Isso é errado, porque o equipamento está conectado aos alarmes, que automaticamente desligam a escada assim que forem acionados. E não se deve utilizar a escada rolante quando ela não está em funcionamento, pois a altura dos degraus dificulta a caminhada, ainda mais em momento de pânico”, finaliza Grando.

Colaborou para esta matéria

Luciano Grando – Engenheiro mecânico formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Exerce as funções de Diretor Técnico na empresa Grando Engenharia e de Presidente na Associação Brasileira de Engenheiros Mecânicos (ABEMEC-RS). Foi conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do RS (CREA-RS) no período de 2007 a 2012. É representante do CREA-RS no comitê da ABNT para elaboração de normas técnicas de Elevadores e consultor, palestrante e conferencista especializado em transporte vertical. Especialista em equipamentos de transporte vertical, com 20 anos de experiência no mercado, tendo exercido atividades nas áreas de projeto, manutenção e instalação de elevadores em empresa multinacional do setor.
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