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Escavações complexas e preservação do patrimônio marcam a Cidade Matarazzo

Obras de complexo hoteleiro de luxo localizado na capital paulista utilizam técnicas e equipamentos com baixo grau de vibração, com o objetivo de evitar danos a prédios tombados

Texto: Juliana Nakamura


Obras serão concluídas em 2019 (fotos: divulgação)

O complexo de luxo Cidade Matarazzo será entregue apenas no final de 2019, mas sua obra já gerou um case interessante de engenharia. Implantado na região da avenida Paulista, em São Paulo, o empreendimento ocupa uma área de aproximadamente 27 mil m², onde existem três prédios do início do século 20: o Hospital Matarazzo, a maternidade Condessa Filomena Matarazzo e a Capela Santa Luzia, todos tombados pelo Patrimônio Histórico.

A proposta do Grupo Allard, dono do terreno, é integrar o patrimônio histórico com novos edifícios, incluindo uma torre de 25 andares. O projeto envolve nomes como o do arquiteto Jean Nouvel (Prêmio Pritzker, 2008), do paisagista Louis Benech e do designer Philippe Starck.

Quando concluído, o Cidade Matarazzo deverá ter 142 mil m² de área construída, incluindo dependências hoteleiras, apartamentos privados, teatro subterrâneo, escritórios, lojas, restaurantes e 1.500 vagas de estacionamento.

ENGENHARIA ARROJADA

A necessidade de preservar as edificações existentes e, ao mesmo tempo, viabilizar uma profunda transformação, exigiu soluções de engenharia especiais. Um dos complicadores tem sido trabalhar em um espaço parcialmente confinado, apesar da grande área do terreno. “Outra dificuldade é lidar com a localização central da obra e com o entorno densamente ocupado, além das grandes restrições de circulação”, comenta o engenheiro José Rodrigo Borges Tavares, gerente geral de engenharia.

Todo o projeto do Cidade Matarazzo é muito sofisticado. Mas é possível afirmar que a etapa de escavações foi a que demandou mais esforço dos envolvidos, exigindo planejamento cuidadoso, sem permitir qualquer tipo de falha. As escavações atingiram cotas de até 30 metros de profundidade em uma implantação de 3.500 m².

A obra foi dividida em setores, dentro dos quais foram realizadas escavações a céu aberto, escavações semiconfinadas e escavações confinadas. Segundo Tavares, as escavações a céu aberto foram as de maior representatividade em volume, mas as confinadas foram as que exigiram o mais alto grau técnico de controle e monitoramento.

Ele se refere ao trecho escavado sob a capela de Santa Luzia. Ali, o desafio não era nada modesto. Embaixo da capela, inaugurada em 1922, era necessário escavar o suficiente para a construção de 5 a 8 andares de garagem e de um teatro. Tudo isso sem causar qualquer dano à estrutura histórica.

ESCAVAÇÕES

A solução adotada, seguindo um ousado projeto realizado pelos engenheiros Mario Franco (JKMF Fundações) e Carlos Eduardo Moreira Maffei (Maffei Engenharia), previu reforçar a estrutura existente e manter a capela segura sobre uma laje de concreto, enquanto as escavações, cirúrgicas, removiam o solo abaixo dela.

A sequência executiva adotada pode ser descrita, resumidamente, pelos seguintes passos:

• Execução de oito estacões de concreto com 90 cm de diâmetro e aproximadamente 45 m de profundidade no perímetro externo a partir da superfície do terreno;
• Demolição do piso existente da capela e escavação até a cota de apoio das sapatas corridas existentes;
• Abertura de nichos para passagem de vigas de travamento;
• Transferência de carga para a nova estrutura de suporte da capela;
• Desligamento das sapatas originais através de hidrojateamento. A técnica foi utilizada em substituição a escavadeiras para minimizar impactos à estrutura da capela;
• A partir dessa etapa, seguiu a sequência executiva conhecida como top and down, na qual a obra é executada de forma invertida, acompanhando a escavação do terreno.

Uma dificuldade é lidar com a localização central da obra e com o entorno densamente ocupado, além das grandes restrições de circulação
José Rodrigo Borges Tavares

CONTROLE DE RECALQUES

Para a construção dos estacões foi utilizada uma perfuratriz de grande porte com caçamba acoplada à haste rotativa. O equipamento foi especificado em função de sua capacidade de atingir profundidades maiores e, principalmente, pela baixa percussão. Tal condição era fundamental em função da necessidade de evitar danos à capela.

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Retroescavadeiras foram empregadas para remover cerca de 250 mil m³ de terra escavada do local. Na escavação sob a capela, deu-se preferência a modelos compactos (miniescavadeiras), próprias para o trabalho em espaços confinados.

Para o rigoroso controle de recalque foram utilizadas dezenas de pontos de monitoramento com inclinômetros, marcos superficiais e pinos de recalque. “Esses instrumentos foram instalados para monitorar a segurança da obra, tanto para avaliar o desempenho das contenções, como para checar a influência das escavações nas construções vizinhas”, comenta Tavares.

No Cidade Matarazzo, todo planejamento e acompanhamento da execução está sendo feito em BIM (Building Information Modeling). A tecnologia está ajudando os engenheiros na visualização da obra e das etapas construtivas, no entendimento da divisão de centros de custo, nas contratações com os quantitativos assertivos e, finalmente, no acompanhamento de execução e liberação de pagamento. A meta, porém, é ampliar ainda mais o uso do BIM. “A ideia é ampliar os benefícios da modelagem 3D ao as built e gerar uma entrega ainda mais completa para a operação”, conclui Tavares.

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Colaboração técnica

José Rodrigo Borges Tavares –Engenheiro civil, formado pela Universidade Mackenzie. É gerente-geral de engenharia do Cidade Matarazzo
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