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Estaca hélice contínua garante alta produtividade e baixa emissão de ruídos

Utilizada na fundação de solos argilosos, siltosos e arenosos, tecnologia requer logística precisa, com usina de concreto localizada próxima à obra

Texto: Santelmo Camilo


Perfuratrizes executam hélice contínua em canteiro de obras (Divulgação/ Geofix)

Estacas hélice contínuas são equipamentos que possibilitam a perfuração do terreno com trado helicoidal, injetando concreto através de uma haste central. São utilizadas, predominantemente, na fundação de solos argilosos, siltosos e arenosos, com ou sem a presença de lençol freático.

Devido ao tamanho do veículo de transporte e da máquina perfuratriz usada na operação, o local onde o serviço será executado precisa ser bastante amplo. Além disso, o terreno deve ser plano ou levemente inclinado.

Segundo Gilberto Vicente Manzalli, diretor vice-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Engenharia de Fundações e Geotecnia (Abef), é essencial que a sondagem realizada com estacas hélice contínua seja feita de forma mais abrangente possível, com empresa idônea, profissionais experientes e em conformidade com as normas técnicas. “O Manual de Fundações da ABEF é uma bibliografia de referência para essa tecnologia, atendendo a executores de obras de fundações e geotecnia ou acadêmicos de engenharia civil”, informa.

LOGÍSTICA APROPRIADA

Manzalli lembra que a execução desse método requer uma logística precisa, que conte com uma usina de concreto próxima do local da obra, capaz de fornecer o material sem interrupção. “A equipe de trabalho também necessita de apoio em tempo integral de equipamentos como retroescavadeira, pá carregadeira e escavadeira hidráulica para liberação das frentes de serviços, além de caminhões para remoção constante de material para bota-fora”, acrescenta.

Marcio Abreu de Freitas, engenheiro civil da Geofix Fundações, recomenda que, para a execução de estacas hélice contínua, o terreno esteja seco, limpo e livre de interferências. Se não estiver seco, um sistema de drenagem ou rebaixamento do nível d’água deve ser utilizado.

O terreno precisa, ainda, ter condições de suportar cargas maiores que 2,0 kg/cm² no decorrer dos serviços, incluindo eventual fornecimento de entulho ou de material apropriado. “O local da obra deve ter condições mínimas de segurança para os funcionários, conforme a NR-18, assim como proteções coletivas incorporadas à obra”, explica.

“A operação deve contar com o gabarito e localização topográfica das estacas, fornecimento contínuo de concreto conforme especificação em projeto e de acordo com a NBR 6122/ 2010, fornecimento prévio das armações e controle tecnológico dos materiais”, completa Freitas.

PERFURATRIZES INDICADAS PARA HÉLICE CONTÍNUA

Os especialistas explicam que, para se definir o modelo de equipamento mais adequado para a execução das estacas hélice contínua, é preciso analisar o projeto executivo de fundação e o relatório de sondagem, além de realizar uma visita ao canteiro. É preciso considerar também a carga admissível da estaca e as características do solo na área da edificação.

O quadro abaixo traz um comparativo entre os equipamentos existentes no mercado, com base nas características técnicas relevantes para a produtividade do trabalho (Fonte: Geofix Fundações).

Peso

Torque

Arranque

Ømáximo

Lmáximo

Tf

Tfxm

Tf

Cm

M

35

11

12

70

18

80

22

80

100

27

90

22

88

100

29

115

36

100

120

32

180

40

120

150

38,5

 

VANTAGENS E DESVANTAGENS

Entre as principais vantagens das estacas hélice contínua estão a alta velocidade de execução e a menor emissão de ruídos e de vibrações, evitando incômodos na vizinhança decorrentes do processo de cravação de estacas metálicas, pré-moldadas ou de tubos. “Além disso, a técnica não causa descompressão do terreno nem necessita de água ou lama bentonítica, reduzindo problemas com o material resultante de escavações e concretagem”, detalha Manzalli, da Abef.

Freitas, da Geofix, reforça também que é possível fazer um acompanhamento computadorizado por meio de sensores com informações gerais (nome, profundidade, volume de concreto, consumo e inclinação do trado), durante a perfuração (velocidade de introdução, de rotação e pressão do óleo da mesa rotativa) e durante a concretagem (velocidade de subida do trado e pressão de concretagem).

Contudo, segundo Freitas, essas estacas não podem penetrar em rocha sã, sendo necessário, nesses casos, utilizar estacas raiz ou outros métodos, de menor produtividade e custo mais elevado. As estacas hélice contínua também não podem ser utilizadas em locais com pé-direito reduzido e espaços confinados, assim como têm restrição em locais onde a estaca precisa atingir profundidades maiores que 35 metros, ou em solos com presença de rochas e matacões.

Manzalli observa que elas não podem ser aplicadas em terrenos com relevo irregular ou de superfície muito frágil, que não suportam o peso do equipamento. “Nesse caso, pode ser utilizado equipamento mais leve, como estaca raiz ou estaca pré-moldada. A desvantagem de substituir a hélice contínua é a baixa produtividade de outros métodos e provavelmente custos mais elevados, causando atraso no cronograma da obra e elevação dos custos dos serviços”, finaliza Manzalli.

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COLABORAÇÃO

Gilberto Vicente Manzalli, diretor vice-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Engenharia de Fundações e Geotecnia (Abef)

Marcio Abreu de Freitas, engenheiro civil da Geofix Fundações

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