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Estaca strauss é alternativa para estruturas de pequeno porte

Com custo competitivo, técnica de fundação profunda é indicada para locais com restrição de acesso

Texto: Juliana Nakamura

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Sonda piteira abre um furo no terreno para introdução do primeiro tubo de revestimento
(Divulgação/ fundacoesengenharia.blogspot.com.br)

Consolidada no Brasil e reconhecida por seu custo competitivo, a estaca strauss é uma metodologia para execução de fundações indicada para estruturas de pequenas dimensões. Por empregar equipamentos de médio porte, tem um campo de aplicação importante quando há limitação de acesso para grandes máquinas no canteiro. A strauss também pode ser utilizada quando é preciso executar estacas próximas às divisas do terreno e em locais com restrições a vibrações.

A técnica consiste na execução de uma estaca escavada por sonda específica (piteira) em concreto moldado in loco com revestimento metálico recuperável. Com seção circular, as estacas abrangem a faixa de carga entre 200 e 400 kN, com diâmetro variando entre 25 e 45 cm.

Além de ter uma relação custo-benefício favorável em comparação a outros métodos de fundações profundas, a solução apresenta baixa emissão de vibrações no solo, minimizando os riscos de danos a edificações vizinhas.

A execução requer um controle cuidadoso da verticalidade dos tubos de revestimento, da limpeza dos tubos antes da concretagem e da manutenção de uma coluna de concreto dentro da tubulação para se evitar o estrangulamento do fuste
Gisleine Campos

CONTRAINDICAÇÕES

Em princípio, as estacas strauss podem ser aproveitadas em quase todos os tipos de solo onde o equipamento consiga perfurar. Contudo, devem ser evitadas em terrenos compostos por argilas muito moles e saturadas ou areias submersas. “Isso porque há o risco muito elevado de estrangulamento do fuste”, pondera a engenheira Gisleine Coelho de Campos, especialista em geotecnia e pesquisadora do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). As estacas strauss também são contraindicadas em terrenos muito resistentes, impenetráveis ao equipamento.

Se comparadas às estacas pré-moldadas, as strauss bem executadas têm como vantagem o preenchimento de todos os espaços vazios entre a estaca e o solo, aumentando o atrito lateral. Em compensação, apresentam capacidade de carga inferior às estacas franki e às estacas pré-moldadas de concreto. Como referência, uma estaca strauss com 38 cm de diâmetro pode suportar até 40 t. A depender das características do projeto, as estacas strauss podem concorrer com as estacas pré-moldadas (de concreto e de aço), com as estacas hélice contínua e com as estacas tipo raiz.

EXECUÇÃO DE ESTACA STRAUSS

O dimensionamento e a execução das estacas strauss devem atender à norma ABNT NBR 6122 - Projeto e execução de fundações. Os trabalhos demandam a utilização de uma série de equipamentos, como sonda munida de piteira, tubos de revestimento de aço, guincho mecânico, pilão metálico e caminhões caçamba de apoio.

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No caso de estacas armadas, a armadura é inserida
antes dos procedimentos de concretagem
(Pair Srinrat/ Shutterstock.com)

A sequência de execução típica começa com a abertura de um furo no terreno para a introdução do primeiro tubo de revestimento, denominado coroa. A escavação ocorre pela introdução da piteira que retira o solo do tubo por meio de golpes sucessivos. Conforme a descida do tubo, rosqueia-se o próximo segmento até a escavação atingir a profundidade determinada. Quando isso acontece, é efetuada a limpeza completa do fundo da perfuração, eliminando a lama e a água eventualmente acumuladas.

A concretagem se dá retirando-se gradativamente o revestimento metálico. O lançamento é seguido pelo adensamento com golpes de pilão, etapa crucial para que a massa fique devidamente densificada e preencha integralmente a sessão da estaca.

Após a concretagem, são inseridas as barras de aço de espera para ligação com blocos e baldrames na extremidade superior da estaca. No caso de estacas armadas, a armadura é inserida antes dos procedimentos de concretagem.

ASPECTOS CRÍTICOS E CONTROLE DE EXECUÇÃO

Garantir a qualidade final das estacas moldadas in loco requer um rigoroso controle e atenção no momento da contratação das empresas executoras. Estacas mal executadas, seja por despreparo profissional ou pelo uso de equipamentos inadequados, podem gerar patologias, como fissuras e recalques.

Algumas empresas não utilizam o revestimento alegando que o terreno é estável. Isso é inadequado, pois além de garantir a estabilidade da perfuração, é o tubo de revestimento que assegura o diâmetro final da estaca
Ilan Gotlieb

Como em outros tipos de fundações, alguns aspectos a serem controlados durante a execução das estacas strauss são os desvios de locação, as condições dos equipamentos de perfuração, a qualidade e o consumo dos materiais, além do comprimento real da estaca. “A execução requer um controle cuidadoso da verticalidade dos tubos de revestimento, da limpeza dos tubos antes da concretagem e da manutenção de uma coluna de concreto dentro da tubulação para se evitar o estrangulamento do fuste”, destaca a engenheira Gisleine Campos.

Uma recomendação especial para quem utiliza essa tecnologia é verificar, no campo, se a empresa executora possui a quantidade necessária de tubos de revestimento. “Algumas empresas não utilizam o revestimento alegando que o terreno é estável. Isso é inadequado, pois além de garantir a estabilidade da perfuração, é o tubo de revestimento que assegura o diâmetro final da estaca”, alerta o engenheiro Ilan Gotlieb.

Por fim, deve-se dar atenção ao concreto utilizado na concretagem das estacas. O traço precisa ser corretamente preparado para que não haja comprometimento da resistência final das estacas.

Leia também: Solos moles pedem fundações profundas

Colaboração técnica

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Gisleine Coelho de Campos – engenheira civil, doutora pela Universidade de São Paulo na área de geotecnia. É pesquisadora do Centro de Tecnologia de Obras de Infraestrutura do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas).
foto-ilan
Ilan Davidson Gotlieb – engenheiro geotécnico, diretor da MG&A Solos e da ABEG (Associação Brasileira de Empresas de Projetos e Consultoria em Engenharia Geotécnica)P.
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