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Fios e cabos elétricos: como especificar e evitar erros de manutenção?

Conhecer as cargas do sistema, a extensão do circuito e os tipos de dutos são alguns dos cuidados essenciais para evitar problemas. Incêndios são os mais graves

Redação AECweb / e-Construmarket

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Fios e cabos são fabricados em cobre (Mariusz Szczygiel/ Shutterstock.com)

No projeto do sistema elétrico, fios e cabos têm funções muito particulares de acordo com as suas propriedades. A diferença entre esses materiais é, que enquanto os fios são formados por filamento metálico único e rígido, os cabos têm vários fios torcidos em sua composição, o que os torna mais flexíveis. “Ambos são fabricados em cobre, porém o alumínio também pode ser a matéria-prima”, afirma o engenheiro Edson Martinho, diretor-executivo da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel).

Por serem mais simples, os fios são indicados para instalações com menor intensidade de corrente, como sistemas de iluminação, tomadas comuns e chuveiros. Já os cabos atendem a equipamentos que pedem maior carga elétrica, como bombas de piscinas, fornos elétricos de restaurantes, quadro de entrada de edifícios ou máquinas industriais de grande porte.

O tipo de equipamento também precisa ser levado em consideração no momento de calcular as bitolas, tecnicamente conhecidas como seções nominais. “Existe o risco de ocorrerem sobrecargas em todo o sistema elétrico se forem instalados materiais com bitolas menores do que as ideais”, adverte o profissional.

O grande problema são os incêndios decorrentes do aquecimento excessivo de fios e cabos dimensionados inadequadamente
Edson Martinho

ESPECIFICAÇÃO

Para especificar os fios e cabos adequados, é necessário conhecer as cargas do sistema, a extensão do circuito e os tipos de dutos, ou seja, se serão eletrocalhas, eletrodutos fechados, abertos, entre outros. “Com base nessas informações, é possível definir o modelo do condutor, sua seção transversal e qual deve ser o isolamento”, afirma Martinho, destacando que a intensidade da corrente elétrica é a característica que mais interfere no projeto. Segundo ele, o cálculo inadequado traz riscos para a segurança dos ocupantes da edificação. “O grande problema são os incêndios decorrentes do aquecimento excessivo de fios e cabos dimensionados inadequadamente”, complementa.

O caminho que os condutores deverão percorrer por dentro dos eletrodutos também precisa ser considerado. Como os fios são rígidos, se tiverem de fazer uma curva de 90°, há o risco de o elemento metálico se partir, interrompendo todo o circuito. Nesse caso, o ideal é optar pelos modelos mais flexíveis dos cabos, que são maleáveis e fazem curvas com facilidade, tornando o processo de instalação mais ágil.

BITOLAS X USOS

Estão disponíveis no mercado fios e cabos com bitolas que variam de 1,5 mm² a 240 mm². A seção nominal máxima dos fios é de 10 mm². Já os cabos têm bitolas formadas por sete fios, com seção nominal de até 35 mm²; 19 fios, que vão de 50 mm² até 95 mm²; e 37 fios, a partir de 120 mm². “Fios são mais adequados para instalações prediais, já os cabos são usados em ambientes industriais. Entretanto, essa não é uma regra exata, pois é possível usar bitolas menores em indústrias e maiores em projetos residenciais”, fala o engenheiro.


Bitola Uso Indicado
1,5 mm² Circuitos com corrente máxima de 15,5 Ampères (A)
2,5 mm² Circuitos com corrente máxima de 21 Ampères (A)
4 mm² Circuitos com corrente máxima de 28 Ampères (A)
6 mm² Circuitos com corrente máxima de 36 Ampères (A)
10 mm² Circuitos com corrente máxima de 50 Ampères (A)
16 mm² Circuitos com corrente máxima de 68 Ampères (A)
25 mm² Circuitos com corrente máxima de 89 Ampères (A)
70 mm² Circuitos com corrente máxima de 171 Ampères (A)
70 mm² Circuitos com corrente máxima de 237 Ampères (A)
120 mm² Circuitos com corrente máxima de 239 Ampères (A)

QUALIDADE

As principais normas técnicas que norteiam a especificação de fios e cabos elétricos são a ABNT NBR NM 247 – Cabos isolados com policloreto de vinila (PVC) para tensões nominais até 450/750 V e a ABNT NBR 7288 – Cabos de potência com isolação sólida extrudada de cloreto de polivinila (PVC) ou polietileno (PE) para tensões de 1 kV a 6 kV. Por se tratar de material que tem influência direta sobre a segurança da edificação, os fios e cabos elétricos de até 750 V devem passar pela certificação compulsória do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia).

É importante salientar que a instalação elétrica deve ser protegida contra sobrecargas e curto-circuito pelos disjuntores e fusíveis
Edson Martinho

MANUTENÇÃO E PROBLEMAS

Para evitar a compra de produtos com bitolas diferentes daquelas descritas em projeto, o instalador deve observar as características impressas na parte externa do fio ou cabo. A embalagem também traz essas informações, juntamente com o selo de certificação que atesta a qualidade do elemento condutor.

Durante a manutenção do sistema elétrico, os principais erros que podem ocorrer são o subdimensionamento, a presença de material com proteção inadequada ou uma conexão mal executada. É aconselhável verificar as condições dos condutores anualmente. Já análises mais aprofundadas podem ser feitas a cada cinco anos. “É importante salientar que a instalação elétrica deve ser protegida contra sobrecargas e curto-circuito pelos disjuntores e fusíveis. Esses equipamentos devem estar coordenados com os fios e cabos para não haver erros”, finaliza Martinho.

Leia também:
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Colaboração técnica

Edson Martinho – Engenheiro Eletricista formado pela Universidade de Mogi das Cruzes, tem duas pós-graduações na área de docência e marketing. Atua no setor elétrico e energético há mais de 20 anos. É diretor executivo e fundador da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade), vice-presidente da AEAAS (Associação de Engenheiros e Arquitetos de Salto-SP) e sócio-diretor da Lambda Consultoria, empresa especializada em prestar assessoria às empresas com problemas de energia elétrica.
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